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Crônica
 
LEGADOS DEIXADOS PELA LAVA-JATO
Por: Afonso e Silva


Não foram poucos os legados que a operação Lava-Jato, comandada pelas estrelas Deltan Dellagnol, representando o Ministério e pelo eterno ídolo da Rede Globo, Sérgio Fernando Moro, representando a justiça, ou injustiça depende do ângulo que se olha.

Em primeiro lugar a Operação Lava-Jato articulou um projeto muito bem elaborado com a ajuda dos Estados Unidos. Esse tinha por objetivo principal, na minha modesta opinião, destruir as empresas brasileiras concorrentes com as estadunidenses envolvendo todos os nichos de mercado global. O projeto, ao que tudo leva a crer, não ficou nada barato, pois a Globo investiu muito de seu espaço nobre na TV para promover a força-tarefa e é indubitável que os Marinhos não fazem absolutamente nada de graça. Pode até não ter recebido nada antecipadamente, mas o projeto era bom e valeria correr o risco do investimento. E assim intuo foi feito, da mesma forma que Moro e Deltan intuíram que Lula era dono do Triplex do Guarujá.

Com isso não estou a criticar o combate à corrupção, muito pelo contrário, esse é um mal que vem de longe e não é exclusividade brasileira. Penso que todo sistema político não é completamente impoluto e que haja um único país que seja incólume às mazelas e ambição humanas. No entanto, há que se combater e punir exemplarmente todo e quaisquer ato de corrupção praticados por qualquer agente público, desde o mais modesto servidor ao ocupante do mais alto cargo do país.

Acontece que a Operação Lava-Jato, comandada pelos atores globais travestidos de falsos paladinos da justiça pregavam o combate à corrupção, mas que o objetivo central era, em verdade, por um lado, desmoralizar, perseguir e praticar atrocidades aos políticos escolhidos a dedo e por outro, comemorar em solenidades de gala com aqueles afins o sucesso de cada operação. Muito embora fossem conhecedores inegáveis de que dessa elite grande parte é corrupta de avô para pai e de pai para filho desde a instauração da república. São verdadeiros sacripantas que nada têm de justos e a ética passou longe deles. Ao contrário, esses bisbórrias transbordam em ambições políticas, associadas às financeiras. Lembram-se da fundação que estavam prestes a criar a partir do surripio de 2 bilhões e meio de dólares, oriundos de acordos de delação premiada? Lembram-se quem seriam as gestoras? Nada mais, nada menos que as digníssimas esposas dos verdadeiros responsáveis pela eleição dessa coisa que habita o Alvorada, ou seja, pelos bolsonaristas ministro Conja e seu parceiro procurador PowerPoint. De ministro ontem desse governo, hoje é seu ferrenho adversário, pois sua intenção é clara, despeja-lo do palácio em 2022 com a colaboração da premiada Globo.

Hoje o Brasil de norte a sul pode confirmar a grave degeneração do país, seja no tocante às constantes escorregadelas ao estado de direito praticadas em conluio com a Lava-Jato que levou milhões de trabalhadores para o olho da rua, seja pela irresponsabilidade desse governo federal ao enfrentamento da pandemia do coronavírus e que passados um ano e meio, não apresentou qualquer projeto para geração de empregos e renda pós-pandemia. As únicas ações eficazes foram todas dirigidas a trazer mais prejuízos aos trabalhadores. A única certeza que se tem é a de que o país está completamente à deriva, sem qualquer comando e o horizonte cada dia mais sombrio. Aliás, minto, esse (des)governo tem sim grandes projetos: 1) o de entregar o restante das riquezas naturais do país ao estrangeiro; 2) perseguir oponentes; 3) disseminar o ódio; 4) armar a população para se auto-destruir; 5) engordar os contra-cheques dos militares e 6) aumentar impostos que certamente recairão, como sempre, sobre os ombros dos pobres trabalhadores já completamente extorquidos denro da legalidade indecente.

Bom, vocês devem estar a perguntar, mas e o que isso tudo tem a ver com a operação Lava-Jato? Eu respondo sem medo de errar: tudo. Tem tudo a ver, senão vejamos: quem, senão a Lava-Jato possibilitou que essa coisa alçasse o Alvorada? Quem senão a Lava-Jato condenou e prendeu sem provas o candidato que seria imbatível? Mesmo fora da disputa os lavajatistas e os bolsonaristas se desesperaram ao verem que corriam perigo. O que fizeram? Convocaram a súcia e a mídia, especialmente a Globo para a campanha de degradação da imagem de Haddad. O exemplo maior que ficou na lembrança foi a propaganda, amplamente divulgada, sobre a distribuição do “kit-gay” pelo PT. A Lava-Jato não parou aí, a organização secreta agora que se vê obrigada a mostrar suas entranhas ao pai da criança, está a espernear e volta a convocar a mesma claque morista e lavajatista com a valiosa e sempre pronta ajuda da Globo para se posicionarem veemente contra a decisão do Ministério Público Federal, como, se dele, os integrantes da Lava-Jato, não fossem integrantes, mas autônomos. Ora vejam! Isso é de uma gravidade que merece punição adequada e urgente.

Desculpe-me, o texto está ficando enorme, mas só para encerrar deixo aqui uma indagação: porque essa mídia que sempre se colocou lado-a-lado da Lava-Jato como se fossem gêmeos xifópagos, desde a germinação nos laboratórios dos Estados Unidos dando elevado crédito aos serviços prestados continua o seu irreparável envolvimento na defesa da organização até hoje? Ainda que o seu desmonte seja necessário e urgente? Será que lá no iniciozinho de tudo, não estaria sendo destinado algum percentual do montante recuperado para propaganda favorável da Lava-Jato, naqueles acordos secretos firmados entre ela o FBI que se têm notícias? Uma coisa é certa como dois e dois são quatro: creio que os Marinhos não iriam fazer essa cobertura enfática para defender a Lava-Jato simplesmente porque são pessoas generosos ou evangélicas. Estou a refletir sobre isso em função de a Juíza de Curitiba, Gabriela Hardt, achar que a Lava-Jato é dona dos valores recuperados pela organização, pois ofereceu 508 milhões ao combate ao coronavírus. Só por isso.

Em suma: a Lava-Jato demonizou a política, desorganizou o arcabouço jurídico, reuniu simpatizantes para manifestarem contra as instituições e quebrou o Brasil, mas endeusou a dupla dinâmica.

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