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Artigo
 
OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO NO SÉCULO XXI
Por: Valdir Sodré



É partindo das profundas palavras de Paulo Freire, em A Pedagogia do Oprimido, que podemos iniciar uma reflexão em torno da complexa temática em torno dos desafios da educação no século XXI, ao afirmar que “ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho: os homens se libertam em comunhão”.

Educar é um ato político e se concretiza na partilha, na solidariedade, na doação, na empatia, na simplicidade, no compromisso e, sobretudo, na comunhão. Não existe educação sem a coletividade e sem a cooperação mútua.
Chegou-se o tempo de todos educadores enfrentarem as incertezas, um dos sete saberes necessários à educação do futuro conforme preconiza Edgar Morin. Não existe nada pronto, ressaltando que as teorias não são prescritivas e sim explicativas.

A nossa escola real nos aponta que por mais que os jovens estudantes estejam difíceis, nós temos o dever de acreditarmos neles. Senão não faz sentido ao que fazemos. Se não acreditamos neles estamos no lugar errado. Apesar dos pesares, nada justifica ser motivo para deixarmos de trabalharmos sérios, justos, amorosos, afetuosos, fraternos e transformadores. Podemos nos coadunar nos versos da canção Tempos Modernos, de Lulu Santos:

Eu vejo um novo começo de era
De gente fina, elegante e sincera
Com habilidade
Pra dizer mais sim do que não, não, não

Segundo Paulo Freire, a transformação da sociedade que queremos não se passa somente pela escola, mas passa necessariamente pela escola. Segundo Rubem Alves, educar é ajudar o outro a pensar. Na escola, acontece alguma coisa diferente daquilo que ocorre em outros contextos de nossas vidas, e, a escola, de alguma forma, prepara-nos para a vida adulta. A escola responsabiliza-se por um saber diferente. O processo aprendizagem-ensino não acontece apenas na escola.

De acordo com o Fórum Econômico Mundial, até 2030, muitas das competências que os funcionários trazem para as empresas, hoje, terão mudado. De fato, vários estudos revelam que, até 2030, entre 75% e 85% das profissões mais procuradas ainda não existam hoje.

Que profissionais assumirão essa tarefa de inauguração de novos caminhos na formação desses novos profissionais que ainda não existem? Os Professores, que se consolidam como a profissão do futuro, ressaltando que nada superará sua função, nem mesmo as tecnologias. De certo, as tecnologias se incorporarão na tarefa educativa.

A invenção da imprensa por Gutenberg no Século XV criou uma representação social negativa entre os artistas ao pensarem que empobreceriam. Ocorreu o contrário. Da mesma forma, o uso das novas tecnologias causa desconforto aos professores. Só que sua utilização valoriza ainda mais o trabalho docente (outro desafio da Educação no Século XXI).

No campo da Educação, a complexidade do fenômeno educativo vem impondo a necessidade de diálogo entre as diferentes áreas do conhecimento, como a Filosofia, a Antropologia, a Linguística, a História, a Sociologia, tornando-se insuficiente o olhar apenas psicológico para pensar o processo de ensino-aprendizagem, que é, antes de tudo, um ato pedagógico e político de construção do conhecimento.

Há vinte anos, o sucesso de um profissional era garantido pelo seu Q.I., ou seja, pelo seu Quociente Intelectual. Muitas pessoas elaboravam cuidadosamente seus currículos preocupados com formação acadêmica renomada e o maior número possível de cursos. Conhecimento era a palavra de ordem. Mas, hoje isto mudou. Na década de 90 o psicólogo Daniel Goleman declarou que “é preciso muito mais do que o intelecto para ser bem-sucedido na vida.” Goleman referia-se à Inteligência Emocional, ou ao Q.E. – Quociente Emocional.

O Quociente Emocional é regido pelos seguintes atributos: Autoconsciência: conhecer a si mesmo e reconhecer suas forças e fraquezas; Autorregulação: capacidade de regular suas emoções; Motivação: capacidade de motivar a si mesmo independente do cenário externo; Empatia: capacidade de entrar no mundo de alguém e colocar-se em seu lugar; e Competência Social: capacidade de liderar, relacionar-se, comunicar-se e trabalhar em equipe.

As inteligências múltiplas de Gardner renegam a possibilidade de medir a inteligência com os testes de Q.I.. São apontadas oito inteligências que regem o ser humano: lógico-matemática; musical; linguística; espacial; corporal-cinestésica; pictórica; interpessoal; e intrapessoal. Uma habilidade ajuda a outra e já há estudos sobre a nona inteligência.

Os quatro pilares da Educação no Século XXI, traçados pela UNESCO, retroalimentam nossa reflexão em torno dos desafios contemporâneos educacionais, que são: aprender a conhecer; aprender a fazer; aprender a viver juntos - a viver com os outros; e aprender a ser. O verbo que se apresenta em voga em tudo que se deva orientar os procedimentos pedagógicos é aprender. O principal objetivo de um professor ao entrar em sala de aula é aprender.

Os desafios da Educação no Século XXI se ostentam no uso das diferentes linguagens (textos, fotografias, vídeos, curta-metragem, poesias, músicas, computadores, dentre outros), no multiculturalismo (nossa escola não é monocultural), na interdisciplinaridade, na transdisciplinaridade, na formação continuada, na dialogicidade, nos fóruns democráticos da escola, pela afetividade e jamais pelo etnocentrismo e pela intolerância. A efetiva consciência reflexiva do professor-mediador na mudança da representação social do processo ensino-aprendizagem é, sobretudo, oportunizar a cada indivíduo a certeza de sua real capacidade, permitindo-lhe que se revele partícipe do processo de desenvolvimento da cidadania.

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