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Crônica
 
HUMANIZAR É PRECISO
Por: Valdir Sodré



Dedicada aos amigos e professores
humanistas Edvaldo Alves de Souza
e Jairo de Souza Peixoto.


Segundo o dicionário de Filosofia, “quando pedimos a alguém para agir com humanidade, pedimos-lhe que aja com bondade natural, com indulgência, com humanismo, sem crueldade, com justiça”.

A proposta de mundo moderno nos impôs um modelo de relações em que o individualismo impera, deixando de lado o principal atributo essencial humano e de uma boa convivência interpessoal que é o senso de humanidade.

A essência fundamental da humanidade é o que nos difere dos outros animais, trazendo em si a consciência reflexiva que nos capacita a discernirmos a realidade. Nossa inteligência abrange com uma ampla sintonia com os fatos que nos circundam. Antes de agirmos pensamos. Por exemplo, projetamos uma casa para depois construí-la. Isso é uma peculiaridade do ser humano.

Mas, então, como agimos em relação ao outro?

A temática da humanização está intrinsecamente ligada às práticas de cuidado com os nossos pares, sejam crianças, mulheres, idosos, portadores de necessidades especiais, dentre outros, e está comprometida com os direitos de todos, enfatizando a importância da qualidade das relações e com os aspectos comunicacionais. A dialogicidade é a bandeira das relações humanas. A humanização é, sobretudo, uma política. É uma atitude de ordem do encontro e da escuta interpessoais da maneira mais ampla possível. Indubitavelmente é preciso humanizar com um olhar e uma escuta sensível às necessidades de outrem. Tudo começa por um sorriso que se apresenta como diferencial inicial comunicativo. Definitivamente devemos tratar as pessoas da mesma forma como gostaríamos de ser tratados.

Todo processo de humanização indica necessariamente numa evolução do ser humano, na tentativa de aperfeiçoar suas aptidões por meio da interação com o espaço social envolvente. Para efetivamente se cumpra essa nobre tarefa, os indivíduos se reportam de diversos recursos e instrumentos como base de auxílio. O processo comunicativo se torna como uma das ferramentas de maior importância na humanização.

A educação humanizada se inicia no seio escolar. Apesar dos enormes avanços tecnológicos na contemporaneidade, há de considerar que o espaço de sala de aula apresenta-se cada vez mais vivo e socialmente significativo e que urge profundamente por mudanças estruturais na organização do trabalho pedagógico, na consolidação de um ambiente de socialização, troca, confronto e validação dos diferentes procedimentos utilizados para resolver a situação.

Afinal, a educação humanizadora serve-se para a domesticação ou para a libertação, parafraseando Freire? Compreendendo a pedagogia do oprimido evidencia-se que ela busca libertar o ser humano, restituindo-lhe a humanidade roubada e tem como horizonte a transformação social. A educação jamais é neutra: ou favorece o opressor conservando a realidade injusta intocável ou favorece o oprimido, despertando-lhe o poder de transformação.

Para Paulo Freire, a opressão desumaniza não só o oprimido, mas, sobretudo, o opressor, porque não pode haver humanidade na prática da violência, do antidiálogo. É por isso que o opressor também precisa de libertação e quem pode fazer isso pelos dois, é o oprimido, no seu engajamento pelo resgate de sua humanidade.

O pensamento de Freire nos indica que

simplesmente, não posso pensar pelos outros nem para os outros, nem sem os outros. A investigação do pensar do povo não pode ser feita sem o povo, mas com ele, como sujeito de seu pensar. E se seu pensar é mágico ou ingênuo, será pensando o seu pensar, na ação, que ele mesmo se superará. E a superação não se faz no ato de consumir ideias, mas no de produzi-las e de transformá-las na ação e na comunhão (FREIRE; In: A pedagogia do oprimido).

O homem é antes de tudo um ser vivo, um ser de necessidade e de criatividade, em torno de suas dimensões de identidade e de significação que a civilização e a cultura lhe conferem. Na produção de seus meios de sobrevivência, dá-se a origem ao seu autoprocesso de humanização e de hominização. O ser humano não nasce pronto, acabado, mas constituído por uma complexa rede de inter-relações entre fatos externos e internos de sua formação, evolução e produção social.

Segundo Leonardo Boff, o ser humano é, antes de tudo, um ser de necessidade. Tem necessidade de comer, de vestir-se, de abrigar-se, de reproduzir-se, de comunicar-se, na ânsia de ser feliz e de se imaginar num sentido último de vida e de universo. Grande parte do tempo do ser humano é empregada na dura faina pela sobrevivência, a partir de necessidades que devem ser permanentemente atendidas. É assim que ele garante a estrutura de auto-afirmação.

O ser humano é um ser de relações. Necessita interagir com outros para aprender e apreender sobre si mesmo e sobre o mundo que o cerca. Precisa auto-afirmar-se como um indivíduo único e passível de conflitos. Necessita compreender que viver é um processo de criação e recriação do mundo que o cerca. Para nos tornarmos mais humanos necessariamente precisamos viver em diálogo, que se perfaz como um instrumento essencial que possibilita o encontro e a comunhão entre os pares, rumo ao desenvolvimento integral de suas potencialidades. Na contemporaneidade, humanizar é preciso. É a lógica natural de uma aventura preciosa do ato extraordinário da insustentável leveza de viver e conviver.

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