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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Feijão com arroz como artigo de luxo
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Para quê comer diariamente?


Um dos ditados brasileiros mais comuns para resumir o trivial sobre qualquer procedimento é o famoso “feijão com arroz”. Qualquer cidadão neste torrão natal sabe o que isso significa. O uso é tão disseminado que disputa acirradamente com o “a preço de banana”. Mas agora, com as notícias sobre o preço do conhecido prato típico dos brazucas, a dobradinha que não pode faltar na nossa mesa ganhou respeito de artigo de luxo. A seriedade chegou ao ponto do nosso presidente Mito pedir aos donos de supermercados uma atitude patriótica. Quem diria?
Aos que sempre defenderam o neoliberalismo raiz, aquele onde o governo jamais deve meter o bedelho, porque o mercado é autorregulável, a conversa amigável do presidente da República pouco sensibilizou os fornecedores. Como forçar uma baixa nos preços? Quantos protestaram contra o planalto sobre esse abuso? Por que ignorar que o dólar alto, o que é ótimo para todos, gera uma preferência por exportar e não atender o mercado interno? O fato é que as maravilhas que muitos veem no bom desempenho da economia não enxerga o lado social.
Infelizmente a atividade privada, a bandeira de luta do Mito, apontado como o único caminho para melhorar a vida de todos, está se lixando se alguém ficar com fome porque não pode adquirir os gêneros de primeira necessidade. Se o caviar dos pobres é o feijão com arroz... que mudem para macarrão com feijão, segundo os representantes dos interesses dos supermercados. Da mesma forma que os representantes dos plantadores de arroz, que justificaram que agora estavam reduzindo os prejuízos acumulados até então. Simples assim!
Curiosamente, os chefões do agronegócio, os apoiadores incondicionais do presidente Bolsonaro, reclamaram porque ele importou algumas toneladas de arroz para regular o preço. Soa irônico, ele que sempre defendeu o livre mercado, adotar medidas que interferem em assuntos onde o governo deve ficar distante. Talvez as notícias veiculadas que setores como bancos, Forças Armadas e emissoras de televisão receberam polpudos valores, diante de um enforcamento dos que recebem um salário-mínimo, o populismo e a reeleição pesaram um pouco.
Mas nem todas notícias palacianas desagradam os “parasitas” que mamam nas tetas do governo. O superministro Paulo Guedes, o Posto Ipiranga do Mito, declarou que o teto salarial do funcionalismo público é baixo, portanto, deve ser aumentado, principalmente no topo da hierarquia. Claro que a declaração agradou a turma do andar de cima, mas gerou muita revolta na ralé do porão. Se a proposta para isso seguir para o Congresso, onde a vontade para cortar mordomias é persona non grata, o infeliz Barnabé conhecerá dias piores que os atuais. Alguém duvida?
Por que os cortes e os congelamentos no orçamento anunciados pelo governo federal causam tanta insatisfação? Será porque a seletividade da vítima é descaradamente injusta? Ou porque, segundo o Posto Ipiranga, o serviço público não consegue atrair bons valores pelos salários que oferecem? Um questionamento ingênuo que caberia nesse imbróglio seria: a pessoa bem-sucedida na iniciativa privada é obrigada a aceitar um cargo no serviço público? Como os países exemplos de bons serviços públicos administram esse tipo de problema? Somos exceção?
Sabor e paladar nacional vão muito além do proibitivo feijão com arroz. Por isso, cabe um simples e indecifrável tabu que insiste em povoar a mente dos sonhadores e esperançosos por dias melhores. Se toda empresa privada oferece os melhores serviços, com a qualidade inquestionável, apoiada por um preço muito mais do que justo... Por que os carros nacionais são “terrivelmente” caros em Terra Brasilis? Vê-se que uma simples “cuestão” – o Mito pronuncia desta forma – gera uma infinidade de justificativas que estão à anos-luz de uma decisão individual.


J R Ichihara
12/09/2020

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