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Haroldo Pereira Barboza
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A fábula do chaveiro
Por: Haroldo Pereira Barboza

A FÁBULA DO CHAVEIRO

Mateus e Matias moravam no mesmo bairro e trabalhavam na mesma fábrica de laticínios.
Diariamente se encontravam na esquina das ruas A e B do conjunto onde moravam, em torno
de 5:30. Dali até a fábrica, apesar da escuridão e da estrada de asfalto esburacado, não consumiam
mais de 15 minutos andando. Quem usava transporte coletivo, tinha de realizar alguns exercícios no pátio, antes de iniciar suas tarefas. Estes dois amigos, estavam liberados de tal obrigação, pois
a caminhada lhes servia de aquecimento.
Matias era muito agitado. Durante o trajeto, falava e gesticulava bastante. Sua euforia era
justificada, pois estavam desempregados há quase 2 anos e conseguiram este razoável emprego
no último mês! E por sacudir tanto, volta e meia o seu chaveiro caía do único e raso bolso que
existia no uniforme azulado. O ruído de sua queda no solo era abafado pela sua voz alta e forte.
No momento em que chegava ao portão da fábrica, notava que o chaveiro havia sumido! Voltavam correndo pela estrada, tateando. Por 5 vezes tiveram sorte de encontrá-lo.

Na 6a. semana de trabalho, Matias avisou a Mateus :

- Agora este chaveiro sapeca da breca não vai mais me fazer voltar metade do caminho. Pendurei
um guizo nele. Quando ele cair no chão, o ruído será suficiente para nos alertar. Creio que agora consegui atingir a QUALIDADE TOTAL!
Na madrugada seguinte, o fato ocorreu. O chaveiro caiu, o guizo fez ruído e ambos não gastaram
mais de 15 segundos à cata do objeto.
Três noites depois, Mateus tropeçou numa pedra mas conseguiu se equilibrar. Ouviu-se um guizo
estridente na escuridão. Matias falou :

- Pensei que seu chaveiro nunca iria cair do seu bolso. Deu zebra. Confesso que torci para que isto
ocorresse um dia, para que eu lhe retribuísse o trabalho que você já teve comigo. Fico muito feliz
por você ter copiado minha idéia do guizo. Pode deixar que eu vou encontrá-lo em 10 segundos!

- Não percamos tempo com isto, Matias. Amarrei um fio de nylon bem fino no dito cujo. A outra
ponta, atei na 5a. casa do botão do meu macacão. Só que já estou pensando em alguma coisa mais
moderna, que aumente a Qualidade. Viu? Já recolhi o chaveiro ao bolso. Quando ouvi o guizo, bastou puxar o fio. Vamos em frente enquanto lhe relato uma ideia que me ocorreu neste momento.

- Agora vamos pensar num jeito de produzir uma “chave” que abra a mente dos eleitores que não percebem que são enganados pelos “mesmos” com as “mesmas” promessas desde quando criaram (?) a república para “escolhermos” (?) nossos representantes públicos.

- Creio que este projeto deve ser iniciado pela abertura da Educação ADEQUADA para TODA a população. Ocorre que os “mesmos” não sugerem esta pauta para não perderem o controle sobre os
excluidos de oportunidades para estudar.

- Então, na atual situação de emergência, devemos usar uma “gazua” para abrir esta porta:
Votando NULO, significando: ”NÃO queremos mais estes ratos no poder!”.

Se 80% dos eleitores adotarem este procedimento emergencial desesperado, produziremos um grito que deverá ouvido além das fronteiras e será dado o primeiro passo real para nossa independência.

Que tal treinar agora em novembro de 2020?

Haroldo P. barboza / RJ

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