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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Superioridade ética e moral questionáveis
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Como aceitar esses valores como um diferencial?


Ouve-se exageradamente que os diversos problemas econômicos e sociais do nosso país serão resolvidos porque o povo tem muita fé. Nessas horas até os especialistas e os cientistas não conseguem separar o que depende de ações humanas da providência divina. Por isso, toda mensagem de otimismo se encerra citando o nome de Deus. Isso não contraria um dos mandamentos que proíbe o uso do nome Dele em vão? Como atribuir responsabilidades e depositar todas as expectativas nas Suas mãos? Será que o nosso futuro só depende Dele?
Em pleno século XXI e com todos os avanços científicos e tecnológicos, a maioria dos gestores públicos ainda procura culpados por decisões erradas e omissão nas medidas preventivas que evitariam crises. Lógico que ninguém pode adivinhar o futuro porque algumas ocorrências são imprevisíveis. Mas os dados estatísticos, os registros históricos e os acontecimentos vividos podem ser úteis quando analisados com seriedade e responsabilidade. O fato é que os tarólogos e os profetas religiosos não podem indicar um caminho sem armadilhas.
Quem duvidaria que o combate às agressões ambientais seria prejudicado no atual governo? Ao anunciar o desmonte da fiscalização e o desaparelhamento dos órgãos que atuam nesta atividade, isso ficou mais do que claro. Não que nas gestões anteriores vivíamos no melhor dos mundos, mas com o corte de verba nessa área a previsão não poderia ser otimista. Qual a surpresa no aumento dos preços de gêneros de primeira necessidade, tipo arroz, se o dólar alto e o desabastecimento entressafra ficou patente? Não se trata de culpa, mas de responsabilidade.
Mas a fé religiosa, a que segundo alguns vai resolver todos os nossos problemas, deu mostras que é usada por aproveitadores da crença alheia. Quais contribuições os pastores que acumularam fortunas à custa dos fiéis deram ao seu rebanho? Alguns chegaram ao ridículo de prometer a cura, nesta pandemia, em troca de dinheiro! O pior é que se internalizou na população que algumas Igrejas devem participar da gestão pública por causa da superioridade ética e moral em relação às outras. Portanto, tudo será resolvido porque a fé move montanhas. Simples assim!
Infelizmente os líderes religiosos oportunistas aproveitam a fé de algumas pessoas para enriquecimento material e acúmulo de poder. Haja vista as declarações de alguns religiosos que atuam na política afirmando que esta ala elege quem quiser – daí a busca de apoio deles pelo presidente Mito. E quando o assunto independe de textos bíblicos, mas de ciência e tecnologia, eles adaptam algum trecho dos livros sagrados para comprovar que tudo depende da obediência às leis ditadas pela religião. Associar ética e moral aos valores religiosos pode ser perigoso.
Diante desse tipo de dominação pouco adianta lembrar aos gestores e parlamentares que o nosso país é laico. A fé individual não pode ser determinante em questões que envolvem o interesse geral. Sabe-se que nenhuma religião deve ser o fator inquestionável para rotular alguém sob valores éticos e morais. Parece até que o Deus de uns é mais importante que o dos outros. Nem as guerras e conflitos sangrentos por causa disso, no passado, serviram para reflexão dos seguidores atuais quanto ao respeito entre as preferências das pessoas. Como separar isso?
Uma pena que apenas ter fé e acreditar em milagres, que acontecem do nada, não significa que estamos no caminho certo. As mudanças esperadas não dependem somente disso. Se não houver ação no enfrentamento dos problemas, a situação permanecerá ou poderá ficar pior. Entregar tudo nas mãos de Deus e esperar pela Sua eterna bondade e compaixão, se restringe às crenças religiosas, não à realidade do dia a dia onde várias pessoas dependem de uma boa administração. Não seria melhor aceitar que os guias espirituais não resolvem as crises?


J R Ichihara
21/09/2020


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