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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Sepultaram a indispensável empatia
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Dizem que o sol nasce para todos, mas...


O clima de conflitos que se disseminou no mundo civilizado tenta ressuscitar hábitos considerados de vital importância para uma convivência livre de ofensas e agressões entre as pessoas. Daí as ações de alguns para reduzir o racismo, a xenofobia, o fundamentalismo, a homofobia e tudo que os grupos que se consideram superiores valorizam abertamente. Parece até que, pelo comportamento dos seus adeptos fervorosos, voltamos à época das sociedades tribais. Todos atacam e se defendem com um objetivo de manter a ação e o pensamento comum.
A grande contradição disso, se considerarmos os avanços da ciência e tecnologia, além das mudanças nas relações sociais, é que os fatos nos induzem a ver os acontecimentos como um retrocesso na mentalidade das pessoas. Seria desfocado questionar costumi cosplay o porquê do fortalecimento de preconceitos desnecessários quando a Inteligência Artificial e a Biotecnologia são uma realidade? Se o mundo dos algoritmos e dos robôs não fazem distinção entre cor, sexo, viés ideológico... Por que os humanos ainda estão presos a tanto conservadorismo? Como saber?
No meio de tanto desentendimento a palavra da hora é empatia. O perigo é que tudo que se apresenta como a boia de salvação do náufrago cai na banalização. Por isso o termo conciliador não pode ser aplicado a todo e qualquer divergência de opinião entre as pessoas. Nessa situação, especialmente se houver consequências impactantes por causa de uma decisão irrevogável, os argumentos e o cumprimento da lei deve estar acima da opinião pessoal. Entender a posição dos outros é importante, mas se colocar no seu lugar é ser obrigado a ver a questão de outra forma.
Para contrabalançar os melindres por causa da falta de empatia, os críticos desta forma de entendimento elegeram um termo à altura, o mimimi. Quantos desconhecem o que ele significa? Tudo que para uns é uma agressão ao politicamente correto cabe nesta palavra simples, mas autoexplicativa. Portanto, alguns que defendem a conversa isenta de polidez – de preferência carregada de palavrões – entendem que a diplomacia no trato das regras de convívio é falta de autoridade, de pulso firme. Muitos até lembram com saudades a disciplina rígida da sua infância.
Vemos, portanto, que evoluímos pouco sobre o comportamento em sociedade. A crise econômica e a pandemia serviram para mostrar que as pessoas ainda são classificadas como inferiores e superiores, com ênfase nos países subdesenvolvidos e emergentes. O descaso com os vulneráveis, assim como os recursos naturais sustentados pelo meio ambiente, comprova que as cifras estão acima da vida das pessoas. Se isso não é verdade, por que milhões ainda são excluídos do uso de água potável e do saneamento básico? Nossas fontes são inesgotáveis?
Infelizmente as declarações inoportunas do atual presidente da República ganham aplausos de pessoas que se consideram do bem e ambientalmente responsáveis. Por que apoiar a irresponsabilidade quando ele se autodenominou de Capitão Motosserra? Não caberia questionamentos sobre a intenção dele intensificar a mineração e o agronegócio na Amazônia? Os exemplos de Mariana, Brumadinho e Pantanal não serviram de alerta? Talvez os favoráveis acreditem que os cuidados serão redobrados depois disso. Caboclos e índios dispensam empatia!
Esperar que surjam soluções simples para os problemas globais num mundo complexo e em constante mudanças é minimizar a questão. Soma-se a isso o fato de tudo estar interconectado, ou seja, as ocorrências locais podem interferir no restante do planeta. Das queimadas na floresta Amazônica ao degelo das calotas polares, o meio ambiente sofre os seus efeitos. Como atender interesses diferentes por causa de cultura, hábitos, religião e história nas diversas regiões do mundo? Talvez recorrer a empatia seja mais benéfico que valorizar o mimimi.


J R Ichihara
06/10/2020

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