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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Quem merece uma resposta civilizada?
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

O perigo do estilo bateu, levou


A tumultua convivência da sociedade brasileira com a liberdade de expressão precisa de algum mecanismo legal para acalmar os ânimos dos que gostam de divergir nas opiniões. Quando o questionamento é direcionado às autoridades do primeiro escalão do atual governo federal, normalmente, a resposta vem carregada de indelicadeza e respeito. Aos manifestantes que protestaram contra o produto usado para combater os incêndios na Chapada dos Veadeiros, o ministro do Meio Ambiente os chamou de maconheiros – a opinião deles é sem relevância.
Para reforçar a política de desmatamento e implantar pasto para o gado, a ministra da Agricultura disse que se as áreas atingidas pelos incêndios estariam protegidas se houvesse uma ocupação pelo rebanho bovino. Como ela não justificou isso baseada em argumentos científicos, fica a critério de cada um concluir tal afirmação feita pela responsável pela atividade do agronegócio. Talvez um comentário do ministro do Meio Ambiente, o diretamente responsável pela Pasta, esclarecesse de forma técnica a assertividade da política ambiental deste governo.
Saindo da área de gestão de Pastas importantes, mas ainda considerando as declarações dos membros da cúpula do poder, uma declaração do vice-presidente da República, sabe-se lá por quais motivos, deu o que falar. Disse ele, numa entrevista ao jornal alemão Deustche Welle, que o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, condenado por tortura na Ditadura Militar, “foi um homem de honra, que respeitava os direitos humanos e seus subordinados”. Será por isso que este governo quer reescrever a História de uma época vergonhosa contra os direitos humanos?
O início da campanha eleitoral para escolher vereador e prefeito revelou outras declarações dos candidatos, além das promessas inexequíveis, que demonstram a falta de respeito com as pessoas, especialmente as vítimas da desigualdade. Disse o candidato Celso Russomano, um candidato à vereador de São Paulo, que o morador de rua é mais resistente à Covid-19 porque não toma banho. Novamente, à parte ser uma afirmação baseada em comprovações científicas, uma declaração dessas não deveria ser feita publicamente. Mereciam?
Mas a bandeira de luta que alavancou a ascensão deste governo ao poder, o combate à corrupção, dá mostras de desbotar diante dos acontecimentos mostrados na mídia. Os casos de blindagem dos familiares e ocupantes de ministérios, assim como os aliados com passado manchado por condenações após investigações, afetaram a devoção dos sedentos por Justiça. Os R$ 30 mil encontrados na cueca do senador Chico Rodrigues (DEM-RR), vice-líder do presidente Bolsonaro no Senado, divulgado pela revista Crusoé, enfraqueceu tanto moralismo.
Quais perguntas podem ser respondidas com educação e seriedade pela equipe deste governo? Afinal, se o famoso “quem não deve, não teme” é o ditado preferido dos que primam pela transparência no zelo com o bem público, por que usar a agressão verbal quando alguém exerce o direito de saber como estão aplicando os recursos do povo? Ameaçar de calar a boca com uma porrada, ou xingar a mãe de quem pergunta algo de interesse nacional, está longe de esclarecer um assunto que deve estar acima da vontade pessoal. Como obter algumas respostas?
Infelizmente o mundo perfeito que foi prometido não existe. Desconfie do candidato que promete acabar com a corrupção. Este mal é indestrutível porque enquanto as facilidades estiverem ao alcance do poder, seja através da força do dinheiro ou das influências políticas, ficamos à mercê das Instituições responsáveis pelo cumprimento da Lei. A ambição é um vírus que contamina o ser humano, contra a qual não existe a vacina comprovadamente eficaz. Podemos conviver com níveis moralmente aceitáveis, mas exterminar nem o Mito conseguiu.


J R Ichihara
15/10/2020

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