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Joaquim Saturnino da Silva
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Crônica
 
Estranha negação
Por: Joaquim Saturnino da Silva

Por que você insiste em não me dar a mão? Poderíamos andar juntos, neste caminho chamado mundo. Nunca nos vimos, nunca nos conhecemos, mas seja lá você quem for, sinto-me seguro em dizer que é humano, ainda.
Destino não é algo que existe por si só. É algo que fazemos, construímos, em cada segundo de nossas vidas, incessantemente, em busca de algo que não sabemos, por enquanto ainda, o que seja, mas que jamais encontraremos fora. Está dentro de nós.
Julgar-se ateu é apenas a exibição de mais um rótulo, dos tantos que aceitamos em nós mesmos, e é a negação máxima. Uma estranha negação de si mesmo e de tudo.
Negar a si mesmo e andar pela vida caçando culpados, é apenas uma espécie de combustível para a depressão que avança celeremente sobre a humanidade, algo explícito em rostos desenhados pela dor que encontramos sempre, na multidão.
Porque você tenta se revestir de solidão? Ela é apenas mais uma tentativa vã de se desconectar da vida. Solidão, quando conscientemente escolhida, apenas o é, para que se possa “saborear” a paz que, eventualmente nos invade. Sazonais presentes dos deuses como diria um romano.
Por outro ângulo do prisma da vida, no entanto, somos seres sociais
A tentativa de ser só, apenas povoa a mente de fantasmas, pois ela pulsa em consonâncias – e dissonâncias – pois vida não é somente uma palavra, mas uma dinâmica de conexões, tal qual as sinapses entre nossos neurônios. Todas estão conectadas, são, na verdade uma somente.
Teus passos podem ser – e são – nossos passos. E por mais que creiamos que sejamos apenas um, na verdade somos todos. Portanto, procurar a conexão “do lado de fora” é o engano que leva às decepções. Pois as expectativas não possuem, na verdade, lastros na realidade. Como as árvores se comunicam entre si pelas raízes, nós nos conectamos com os seres, através de nossas emoções, que são internas.
Assim, melhor estender a mão e aceitar a mão estendida em nossa direção. O caminho se torna mais ameno, como um afago da brisa na montanha de nossos sonhos.
Na mecânica quântica da existência do universo, o que chamam de vazio, nada mais é que o berço de todas as possibilidades.
Afinal, tudo que a vida nos dá, tem apenas como objetivo uma resposta carinhosa em retribuição, ao menos em parte, pelo maior presente do mundo.
Não raro me pego ruminando sobre a existência e por quê estou aqui. É uma questão recorrente que me acompanha desde a infância. Já plantei muitas árvores, escrevi livros e criei filhos. E como nada, nunca, parece completo, embora tenham sido até aqui 68 anos de respirações, diástoles e sístoles no velho coração, alguma coisa parece faltar.
Amo livros. Dois deles me são muito caros. O primeiro, “O Profeta” de Khalil Gibran, enriquece-nos de tal forma, que quase podemos “ver” a verdade de que somos pobres em amor. Essa palavra destruída, pela banalidade, pelo esvaziamento a que foi exposta pela humanidade. Pois quem não ama de graça, na verdade não ama. Poderá ser, no máximo, um bom ator. Apenas representa o papel. Isso, sempre, se lhe for conveniente.
O outro livro, este de Richard Bach, “Ilusões”, que de tão bom, chega a responder uma questão comum à maioria dos mortais: “Quer saber se sua missão está cumprida? Se você está vivo, não está.” Leva-nos a uma viagem memorável pelo ser.
Certa vez, bem jovem ainda, ouvi uma frase dita por um locutor – Hélio Ribeiro – que afirmava: “você deve viver a vida de forma que quando for embora, deixe o mundo melhor do que o encontrou, ou, no mínimo, não o deixe pior.” Isso me marcou sobremaneira, pois mais de 60 anos depois ainda ouço essa mensagem, como se fosse um “mapa verbal” de um bom caminho.
Poderíamos, todos nós, caminhar juntos!?

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