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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Deselegância, liturgia do cargo e mimimi
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Se a regra atrapalha o jogo... muda-se a regra!


A recente declaração do presidente Bolsonaro, quando em visita ao Maranhão, inundou as redes sociais com opiniões criticando ou apoiando as suas palavras. Disse ele que quem toma o guaraná Jesus, o refrigerante maranhense cor-de-rosa, vira boiola. Para alguns, tudo não passou de uma brincadeira, para outros, mais uma grosseria típica do Mito. O fato é que a afirmação foi inoportuna, não importando qual era o objetivo da piada de mau gosto. Portanto, pouco adianta lembrar que alguns antecessores dele cometeram deslizes semelhantes com as pessoas.
Justifica citar que o ex-presidente Lula, quando em visita a Pelotas, no Rio Grande do Sul, disse que esta cidade era “exportadora de viados”? Ou que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso chamou os manifestantes aposentados de “vagabundos”? Quem esqueceu que o ex-presidente João Figueiredo disse que preferia o “cheiro do cavalo ao do povo”? Todas são declarações inadequadas para quem ocupa o cargo mais importante do país, não importando o tal viés ideológico. Afinal, um presidente governa para todos – e deve respeito ao seu povo.
Condenar o politicamente correto, rasgando a elegância e pisoteando a criticada liturgia do cargo passou a ser chamado de mimimi – o termo resume a necessidade de justificar o mau comportamento social. Isso é muito bem aceito entre os amigos nas rodadas de mesa de bar, ou em reuniões informais onde o objetivo é descontrair bebendo cerveja e comendo churrasco. Mas numa comitiva que representa o poder central do país... é pouco recomendado e repercute muito mal. Por isso, não é um simples pedido de desculpas que apaga as ofensas públicas exibidas.
Fala-se que todos podem e devem exercer o direito à liberdade de expressão. Mas será que qualquer pessoa pode falar o que lhe der na telha sobre os outros? Curioso é que o próprio presidente brincalhão ameaçou fechar a boca de um repórter, com uma porrada, quando este lhe perguntou por que depositaram R$ 89 mil na conta bancária de sua esposa. O profissional da mídia não inventou nada, muito menos ofendeu a honra ou questionou a sexualidade dele. Se ele não impõe limites na sua liberdade individual... Por que impede que isso seja extensivo a todos?
Um dos problemas de comunicação deste governo é que as informações são duvidosas. Vaza que vai privatizar o SUS, mas nega se a rejeição popular for alta. À propósito, o ex-porta-voz, o general Otávio do Rêgo Barros, fez uma série de críticas indiretas ao atual governo. Talvez o estilo diplomático dele estivesse fora de sintonia com o modo de se comunicar do seu chefe. Por isso, o prestigiado ministro Ricardo Salles, do Meio Ambiente, já ofendeu o secretário-geral da Presidência e chamou o presidente da Câmara de Deputados de Nhonho, nas redes sociais.
O regime democrático permite a divergência de opiniões, até sobre a nossa Constituição Federal. Concordar, discordar, questionar e propor alternativas para as soluções não pode ser visto como um ato criminoso. Daí ouvir o líder do governo na Câmara de Deputados, Ricardo Barros, propondo uma nova Constituição não significa que ele esteja certo. Os que concordam alegando que há excesso de direitos e falta de deveres, precisam lembrar que a maioria dos direitos do cidadão não é atendida. Mas alguém duvida que os deveres serão cumpridos?
Por que este governo precisa mudar a Constituição e fechar o Congresso e o STF para fazer uma gestão que melhore a vida do cidadão comum? Se os antecessores fizeram tudo errado e afundaram o país, por que os índices oficiais mostram outra realidade, sem precisar lançar mão das soluções propostas pela atual liderança? Parece que os ocupantes dos postos mais importantes não faziam ideia do que é administrar um país complexo como o nosso. Daí ser mais conveniente mudar as regras e adaptá-las ao estilo ditatorial mostrado até o momento. Então...


J R Ichihara
31/10/2020

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