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Antuérpio Pettersen Filho
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GUERRILHEIRO Por : Pettersen Filho
Por: Antuérpio Pettersen Filho

GUERRILHEIRO
Por : Pettersen Filho
Ah, meu irmão “palestino”...
Ou combatente qualquer de todas as causas difíceis, ou qualquer causa perdida.
Pudesse eu, como tu, ver-me acuado pelo inimigo, em um lugar incivilizado da Terra...
Fitar-lhe a cara e discerni-lo em seu uniforme bem tratado e limpo sob a pontaria destemida do seu fuzil. Mas não.

Ah, meu irmão de todas as causas, ou qualquer uma impossível.
Pudesse eu, como tu, ver-me cercado por metralhadoras, ter as ruas ocupadas por passos de ganso, as avenidas tomadas pelo exército invasor, violentada minha casa, vigorando a chantagem atômica.
Pudesse eu, como tu, ver destruídos, da minha cidade, os edifícios. Ocupados por navios estrangeiros de guerra os portos. Ter violentada à ponta de baioneta a minha gente...


Sentir agigantar-se a dor, aumentar o medo, mas como tu, continuar em meio as montanhas lutando. Mas não.
Ao contrário de ti, não vejo o rosto frio do meu oponente. A mim, não me é permitido saber a cor oliva do seu uniforme, acolhido que está o meu algoz atrás de normas e roupas comuns, andando à paisana, protegido por tinta de caneta e muita burocracia.

Meu povo, ao contrário do teu, meu amigo, não dispõe de armas para lutar...
Ele morre dia-a-dia como indigente ou trombadinha, condenado a viver a égide de disformes favelas e comida enlatada de botulismo. Padece em meio as filas burocráticas, e nos salões impregnados dos hospitais. Sofre nas páginas amareladas das revistas em quadrinhos e sinais de trânsito. Perde-se em meio dos elevados que conduzem o progresso e por sobre as plantações do trigo que nunca comerá. Sobrevive moribundo sem identidade em meio aos anúncios coloridos de televisão, numa guerra sem quartel que jamais vencerá!

Ah, meu irmão palestino, ou guerrilheiro qualquer...
Pudessem a mim, como podem a ti, as armas libertar.
Mas não. Do meu inimigo, somente a consciência me libertará.

(Poema: “Guerrilheiro” - Extraído do livro "Inconfidente Mineiro - Ilustrações & Poesias" de
Antuérpio Pettersen Filho - Edição Independente - 2002)Foto tomada no Cerimonial - Hostel Inconfidente Mineiro – Belo Horizonte – MG http://www.abdic.org.br/index.php/2379-guerrilheiro-por-pettersen-filho

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