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Conto
 
CARTA PARA PAPAI NOEL
Por: Luciah Lopez






Com o mapa nas mãos, Noel sobrevoa a Caatinga buscando o local indicado e devidamente marcado com um X, feito com carvão. O mapa que feito num pedaço de papel de embrulho, tem um dos cantos “mastigado” e apresenta marcas de dedos sujos, mostra claramente onde devem ser depositados os presentes – na árvore de Natal! Noel, pega novamente a carta. Olhando-a demoradamente enquanto coça a longa barba branca. Tenta entender o motivo daquele pedido inusitado. Acostumado a viajar o mundo em seu trenó, sempre levando brinquedos – bolas, bonecas, carrinhos – desta vez, a carta traz um pedido diferente. Tudo pode ser apenas uma brincadeira de algum desocupado, mas, sendo ele o Papai Noel, não pode deixar de atender o pedido, e sobrevoando aquela terra árida leva os presentes, e, de vez em quando, um pouco apreensivo coça a barba e tenta acalmar as renas... “Vamos, meninas, já esta estamos chegando” e chamava carinhosamente cada uma delas pelo nome:“Dasher, Dancer, Prancer, Vixen, Comet, Cupid, Donder e Blitzen , em frente!”
Com um "solavanco" no trenó, ajeita a carga tendo o cuidado de conferir se tudo continua no lugar. Não pode perder nada, principalmente ali, no meio daquela “secura” desertificada. Se perder algum dos presentes, não teria como arrumar outro, pois 95% da carga, fora “comprada” e não confeccionada pelos duendes na sua fabrica no Pólo Norte. Uma lufada de ar quente e seco traz até o seu nariz, o cheiro da carga de presentes – carne de sol, farinha, manteiga de garrafa, sal e açúcar, rapadura e outros itens que foram devidamente descritos nos seus detalhes – iogurte, bolacha recheada, arroz, feijão, doce de leite, café, goiabada e muitos outros e além disso, trazia também uma nota à parte pedindo: Sal grosso, farelo, alfafa e ração para cachorro. E um pequeno lembrete. ps: NÃO ESQUECE, É IMPORTANTE!
De repente uma árvore se destaca no meio da planície seca. Noel observa o relevo e identifica como sendo o ponto de entrega. Faz um gesto com os arreios e diz: Desçam!
E as renas conduzem o trenó com suavidade aterrizando na Caatinga entre cactos espinhentos e galhos secos. Noel desce e caminha até a árvore, e lê o bilhete preso no tronco seco. “Papai Noel, eu quero qui o sr. trais pra nóis um poco de comida porque aqui, a fome mata um ser vivu tudu dia. Não queru qui meus irmãozinho morre de fome então to pedindo a cumida e um carrinho que é pra eu dá pro Cirço, porque ele só tem um ano e pode brinca di carrinho. Nóis já num pode. Trabalhamô na carvoaria...Papai Noel, num esquece da cumida do Branco, o meu cachorro, e nem da cumida das cabritas purque elas tem qui dá leite. A fita vermêia, é pra minha mãe ponhá nos cabelo, e quem sabe ela fica feliz de novo e pára de chorá? Um abraço e a sua “bença” Papai Noel. Assinado: raimundo da silva".

Noel enxuga as lágrimas, e autoriza aos duendes que descarreguem o trenó...


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