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Crônica
 
O VISITANTE INESQUECÍVEL
Por: Marcos Costa Filho



Era uma linda manhã de Primavera. O sol com toda sua presença fazia a vida, em todas as suas vertentes, explodir sua exuberância em cores e odores pelas plantas e suas flores. As pessoas, ao sentirem os aromas da natureza, apresentavam-se mais alegres, pois mesmo sem que se pudesse notar, estava a ocorrer uma aceleração de hormônios nos seres vivos, o que em nós, humanos, não fugíamos a regra. Bem, isto se mostrava notório na turma de trinta adolescentes que eu mantinha numa sala de aula, na Escola Helena Small, onde eu estava a lecionar Matemática, numa oitava série do Ensino Fundamental. Meninos e meninas com os rostinhos avermelhados, olhinhos brilhantes e totalmente serelepes. Precisava paciência e dedicação de minha parte para mantê-los atentos ao conteúdo disciplinar que estava a desenvolver. Estar de costas para a turma o fazia com a maior rapidez enquanto era preciso escrever no quadro, precisava manter o tom de voz adequado para o domínio da classe, sem irritá-los, a fim de não tornar a aula um aborrecimento. Era o um pouco difícil de como a situação se repetia várias vezes, porém, eu me sentia feliz em estar lidando com aquelas “pessoinhas” (termo que usava para trata-los carinhosamente) pois eram pessoas em formação.
A porta da sala de aula estava aberta e em determinado momento vi os olhares dos alunos a ela se dirigirem surpresos. Parei minha explanação do conteúdo e acompanhei os olhares deles. Dei-me com a figura do Bispo Dom Frederico Didonet, que com um sorriso alegre levou a mão ao chapéu, retirou-o, pediu licença e entrou. Larguei o giz e fui ao seu cumprimento. A turma se levantou e de pé, educadamente, em coro responderam o – bom dia – com que o Bispo os havia saudado. Recebi sua bênção e salientou o trabalho nobre que é o do Professor e me desejou êxito na profissão. Voltou-se aos alunos e dirigiu a eles palavras de incentivo a estudarem e se aplicarem para a construção de seus futuros e o porvir da Pátria. Evocou de Deus uma bênção a todos nós, despediu-se e acompanhei-o até à porta.
Não tenho como explicar, mas o ambiente que ficou na sala de aula foi encantador. Uma luminosidade pairava e os alunos antes irrequietos agora estavam numa calmaria que eu nunca tinha visto. Colocavam tanta atenção em minhas palavras que me parecia estar a usar um domínio de classe que estava acima de minha capacidade. Me seguiam a cada movimento e o que eu escrevia no quadro era logo transcrito em seus cadernos. Ao findar a aula, pela primeira vez me deparei com uma unanimidade em uma turma compreender o que eu havia explicado. Até a saída deles para o recreio foi uma tranquilidade bem o oposto do costumeiro, pois explodiam porta a fora em direção ao pátio.
Recolhi, a movimentos lentos, meu caderno de chamada, minha caixinha de giz com apagador, na leveza daquele ambiente. Quando ao sair, estava a meditar no ocorrido e registrei na minha lembrança, para todo sempre, O INESQUECÍVEL VISITANTE!

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