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João Márcio F. Cruz
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Ensaio
 
POLO NORTE, ESGOTO E JARDIM - Evolução do paciente no divã psicanalítico
Por: João Márcio F. Cruz



POLO NORTE, ESGOTO E JARDIM
A EVOLUÇÃO DO PACIENTE NO DIVÃ


A paciente chegou.
De olhos bem abertos e coração fechado. Muito fechado.
Fria e gelada.
Durante algumas sessões, o divã parecia o Polo Norte.
Aquela reação glacial pode ser de:
- defesa: a pessoa já sofreu muito no passado quando se entregou emocionalmente e agora se fechou e usa essa “frieza” pra proteger-se.
- psicopatia: a pessoa nasceu psicopata e essa frieza – ausência de reação emocional – é seu estado normal.
- insegurança: é comum o paciente chegar a sessão com esse distanciamento porque teme que o divã seja tão perigoso quanto o mundo

Aquele ambiente frio exigiu que eu colocasse dois roupões pra aquecer-me.
Mesmo no divã existindo apenas um sujeito já que o analista é um objeto, o espelho que vai tornar visível o inconsciente do paciente para ele mesmo, ainda assim, o frio pode criar borrões no espelho dificultando o reflexo.

Depois de algumas sessões, o coração da cliente abriu-se
O ambiente mudou drasticamente.
Se o comportamento glacial deixava o consultório gelado, agora eis que surge SANGUE, PÚS E FEZES
A frieza da paciente era sua maneira de ocultar as “coisas” ruins que estavam em seu coração.
Um átrio de traumas, complexos, feridas abertas, memórias de abusos e etc
Do frio, o ambiente ficou com cheiro de esgoto.

Quente, úmido, com odor desagradável
E quanto mais ela falava, mais fétido ficava o consultório
Suas palavras tinham tanta gordura e pus que eu precisei limpar o espelho pra não embaçar os reflexos do inconsciente dela.
Se quase fui congelado, pela frieza do inicio, esse período do esgoto foi bem desconfortável e confesso que, o homem sob o analista, sofria mas era gratificante porque eu sabia aonde estávamos chegando.
Uma moça tão bonita adquiriu traços de bruxa e realmente era essa bruxa reprimida, presa dentro dela que a estava matado-a.
E não existia lugar melhor do que o divã, pra ela libertar essa bruxa interna, sem culpa, medo ou julgamentos
E o inesperado esperado ocorreu.
O pus se tornou cicatriz
As fezes se tornaram adubo
O sangue voltou a fluir
E o que era esgoto, disfarçado de polo norte, tornou-se mediante as técnicas recicláveis que Freud ensinou, um lindo jardim. Um promissor e singular bosque de flores perfumadas e frutas suculentas.
Eu resumi meses de análise nesse texto.
Em suma, é isso que ocorre quando o paciente se dispõe a enfrentar quem ele não quer ser, até descobrir a pessoa horrorosa que pensa ser, rumo ao self único que sempre foi mas não sabia.
Polo Norte, Esgoto e Jardim
É o caminho do amadurecimento, da individuação, á luz da psicanálise
BOA TRANSFORMAÇÃO

João Márcio
Psicanalista
Autor do livro ESPELHOS DA VIDA

Terapia, psicanalise, divã, analista, paciente, frieza, psicopatas, poesia e cura

Bibliografia:
A PSICANÁLISE CURA - J. D. NÁSIO
O EU E O INCONSCIENTE - CARL JUNG
OBRA COMPLETA - SIGMUND FREUD
A ARTE DE AMAR - ERICH FROMM
CONCERTO DE CORPO E ALMA - RUBEM ALVES
UMA BREVE HISTÓRIA DO UNIVERSO - KEN WILBER
TRANSFORMAÇÕES DA CONSCIENCIA - STANISLAV GROFF

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