A casa dos grandes pensadores

Bem-vindo ao site dos pensadores!!!

| Principal |  Autores | Construtor |Textos | Fale conosco CadastroBusca no site |Termos de uso | Ajuda |
 
 
 

 

JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
Publicações
Perfil
Comente este texto
 
Artigo
 
Fura-filas e o clã das pessoas de bem
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Quando os diferenciados buscam o serviço público sucateado


A maioria dos brasileiros conhece um ditado popular que diz “quando a farinha é pouca, o meu pirão primeiro”. Grosso modo, isso significa que nos momentos de escassez o automerecimento prevalece sobre qualquer outra forma de comportamento, especialmente por parte dos que se acham acima dos demais. Que se danem as prioridades estabelecidas! Afinal o mundo é dos espertos, os otários que se explodam. Isso é tão corriqueiro que até faz parte do anedotário nacional. Preservamos uma herança secular nos moldes da Casa-Grande & Senzala.
Nesses momentos, a desigualdade social mostra a face cruel do que se avoluma mundo afora. Alguns se acham com mais direitos sobre o restante, independentemente da necessidade pessoal e das determinações impostas pela Justiça. Quem desconhece a arrogância, exemplarmente demonstrada, por alguns ocupantes dos altos cargos na administração pública? Para eles a obediência é restrita aos simples mortais, os que não merecem qualquer tratamento diferenciado e pouco representam na sociedade. Como não considerar isso como abuso?
Infelizmente o comportamento do ser humano independe de grau de instrução, poder aquisitivo, condição social e tudo que habilita alguém a valorizar o respeito às regras de uma convivência civilizada. Parece até que alguns se acham no direito de infringir tudo que deve ser obedecido pelos demais, simplesmente porque ocupam um cargo importante na iniciativa pública ou privada, exercem influência política ou possuem uma conta bancária com mais de 6 dígitos. Por isso – e somente por isso – tem todo o direito de furar filas até nos momentos de pandemia.
Um ponto em comum nos que ignoram as regras impostas a todos é que eles pertencem ao grupo das pessoas de bem, as que têm superioridade ética e moral para cobrar retidão dos demais. Geralmente são de famílias boas, que tem como receita de sucesso a educação, o respeito ao patrimônio alheio, a obediência às Leis, o trabalho como meio de conquistas, a religião e a aplicação da Justiça contra os desobedientes. Por que não sentem o mínimo pudor furando filas na campanha de vacinação contra a pandemia da Covid-19? São adeptos do ditado popular?
Quem duvida que um dos sonhos de consumo do brasileiro é o tratamento justo para todos e a aplicação da Lei de forma indiscriminada? O que tanto nos impede de ver isso realizado? Aprovar leis mais rigorosas ou acreditar que ainda surgirá alguém corajoso para simplesmente aplicar o que foi aprovado? Enquanto o pesadelo não acaba, continuamos a rebobinar o velho filme visto e revisto pelos desencantados com a atuação da Justiça, por sinal uma das mais caras do mundo, segundo estudos informados nos meios de comunicação do país. A quem recorrer?
Mas a vida tem de seguir em frente, diz outro velho ditado popular brasileiro, apesar das incertezas e dos privilégios de alguns numa situação de vida ou morte. Como os casos que mostram as irregularidades chegam ao conhecimento púbico e aos órgãos responsáveis pelas providências cabíveis? Se a imparcialidade da mídia e das Instituições que deveriam garantir o cumprimento dos decretos emergenciais está sob suspeita... Por qual meio de comunicação a população ficará sabendo do que está acontecendo? As redes sociais não têm poder legal.
Portanto, gostem ou não os que adoram um privilégio, a população está no limite da paciência e tolerância com os fura-teto, os fura-fila, os que usam e abusam das mordomias com o dinheiro púbico e ainda debocham do contribuinte desprotegido. O ruído dos revoltados aumenta a cada notícia escandalosa. Se os desmandos não justificam a violência física e as agressões verbais, uma mudança de comportamento poderia amenizar a indignação dos que se sentem lesados. Daí que pouco adianta um juiz tentar impedir o cidadão externar a sua insatisfação.


J R Ichihara
25/01/2021

 Comente este texto
 Paralerepensar


Comentário (1)

Deixe um comentário

Seu nome (obrigatório) (mínimo 3, máximo 255 caracteres) (checked.gif Lembrar)
Seu email (obrigatório) ( não será publicado)
Seu comentário (obrigatório) (mínimo 3, máximo 5000 caracteres)
 
Insira abaixo as letras que aparecem ao lado: HUZO (obrigatório e sensível. Utilize letras maiúsculas e minúsculas;)
 
Não envie mensagem ofensiva e procure manter um intercâmbio saudável com o seu correspondente, que com certeza busca dar o melhor de si naquilo que faz.
Seu IP será enviado junto com a mensagem.