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Lembrança dos Sonhos
Por: Valdir Pedrosa

LEMBRANÇA DOS SONHOS

Allan Kardec quis saber dos mentores da Codificação Espírita o motivo de não nos lembrarmos sempre dos sonhos e obteve a seguinte resposta: “Em o que chamas sono, só há o repouso do corpo, visto que o Espírito está constantemente em atividade. Recobra, durante o sono, um pouco da sua liberdade e se corresponde com os que lhe são caros, quer neste mundo, quer em outros. Mas, como é pesada e grosseira a matéria que compõe, o corpo dificilmente conserva as impressões que o Espírito recebeu, porque a este não chegaram por intermédio dos órgãos corporais.”[1] Algumas décadas depois, no desenrolar dos trabalhos executados durante a madrugada na casa de dona Isabel, houve uma situação que ilustra bem a resposta acima. Uma jovem senhora encarnada recebeu importantes conselhos de sua avó já desencarnada. A velhinha disse para a neta não dar grande importância aos obstáculos, esquecer os que a perseguiam e não odiar a ninguém, a fim de conservar sua paz espiritual. Ensinou que a calúnia é uma serpente que ameaça o coração, mas que, ao ser vencida, revela-se um brinquedo de vidro que é facilmente quebrado pelas mãos e transformado em flor de virtude.

André Luiz questionou se aquela jovem senhora, ao acordar no plano físico, se lembraria de tudo. Bondosamente, Aniceto explicou: “Sendo a avó superior e ela inferior, e, examinando ainda a condição dos planos de vida em que ambas se encontram, a jovem encarnada está sob o domínio espiritual da benfeitora. Entre ambas, portanto, há uma corrente magnética recíproca, salientando-se, porém, que a vovó amiga detém uma ascendência positiva. A neta não vê o ambiente com precisão, nem ouve as palavras integralmente. Não esqueçamos que o desprendimento no sono físico vulgar é fragmentário e que a visão e a audição, peculiares ao encarnado, se encontram nele também restritas, O fenômeno, pois, é mais de união espiritual que de percepções sensoriais, propriamente ditas. A jovem está recebendo consolações positivas, de Espírito a Espírito. Não se recordará, despertando nos véus materiais mais grosseiros, de todas as minúcias deste venturoso encontro que acabamos de presenciar. Acordará, porém, encorajada e bem disposta, sem poder identificar a causa da restauração do bom ânimo. Dirá que sonhou com a avó num lugar onde havia muita gente, sem recordar as minudências do fato, acrescentando que viu, no sonho, uma cobra ameaçadora, que logo se transformou em serpente de vidro, quebrando-se ao impulso de suas mãos, para transformar-se em perfumosa flor, da qual ainda conserva a lembrança agradável do aroma. Afirmará que soberano conforto lhe invadiu a alma e, no fundo, compreenderá a mensagem consoladora que lhe foi concedida.”[2]

Na sequência o benfeitor ainda esclareceu que a neta precisaria ter conquistado profunda lucidez na existência física para se lembrar das palavras que ouviu durante o sono. Todavia, salientou que ela se recordaria das imagens simbólicas da cobra e da flor, em virtude da relação magnética estabelecida com a avó, o que lhe permitiu receber os pensamentos positivos. Importa destacar que, conforme instruiu Aniceto, a veneranda velhinha desencarnada não apenas falou, mas também pensou fortemente. Por sua vez, a neta não ouviu e nem viu pelo processo comum, mas percebeu a criação mental da anciã e, desta forma, seria capaz de dar notícia exata dos símbolos entrevistos e arquivados em sua memória real e profunda. Assim ela não teria a menor dificuldade em informar sobre a essência das orientações transmitidas pela avó, “compreendendo que a calúnia, quando fere uma consciência tranquila não passa de serpente mentirosa, a transformar-se em flor de virtude nova, quando enfrentada com o valor duma coragem serena e cristã.”[2]

Percebia-se que ali, na singela residência de Isabel e Isidoro, congregavam-se Espíritos interessados no bem, porém, respondendo à pergunta feita por Vicente, Aniceto informou que há reuniões onde se encontram habitantes desequilibrados dos dois planos da vida que se comprazem no mal: “Através das correntes magnéticas suscetíveis de movimentação, quando se efetua o sono dos encarnados, são mantidas obsessões inferiores, perseguições perma¬nentes, explorações psíquicas de baixa classe, vampirismo destruidor, tentações diversas. Ainda são poucos, relativamente, os irmãos encarnados que sabem dormir para o bem...”[2]

Enquanto isso, o querido amigo André Luiz pensava nos grandes avanços que a Ciência poderia fazer se estudasse os sonhos não apenas do ponto de vista fisiológico, mas sobretudo no campo das verdades espirituais. Quem sabe um dia isso ocorra? Vamos aguardar...

[1] O Livro dos Espíritos – Allan Kardec – 2ª parte – cap. VIII (Da emancipação da alma) – questão 403.
[2] Os Mensageiros – Pelo Espírito André Luiz, psicografado por Francisco Cândido Xavier – capítulo 38 (Atividade plena).

Valdir Pedrosa – Abril/2018

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