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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Ensaio
 
Mercado autorregulável corrigindo as injustiças sociais?
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

A dispensável mão do governo


Quem só enxerga maravilhas e vantagens para todos numa economia onde o mercado atua sem qualquer interferência do governo, independentemente do regime adotado pelo país, precisa rever suas convicções. Os fatos históricos registrados, como o Crack da Bolsa de Nova York, em 1930, e a crise financeira mundial provocada pelo Subprime da Bolha Imobiliária, em 2008, foram insuficientes para mudar a opinião dos irredutíveis. Como a normalidade precisa voltar, o fato gerador caiu no esquecimento e a vida seguiu em frente. E daí? Página virada?
Os estudiosos do tema que envolve a desigualdade social no mundo, que cresce a olhos vistos depois de cada crise global, alertam sobre o aumento do fosso que separa pobres e ricos. Mas apesar dos fatos e dados comprovados a maioria, inclusive alguns pobres iludidos, continua achando que o único caminho para a distribuição de riqueza é o neoliberalismo radical – o governo pouco ajuda e muito atrapalha. Nada de regulamentação, interferências, fiscalização rigorosa... regras medievais ineficazes facilmente comprovadas pelo fracasso do regime soviético.
Mas será que a capacidade de sobreviver num momento de crise é igual para todas as pessoas de um determinado país? Como o pobre conseguirá manter os gastos com os itens indispensáveis, sem renda ou com salário que sequer acompanha a inflação? Qual seria o papel do governo nessa situação? Se a maioria da população mundial não tem qualquer ingerência no mercado financeiro, o que influencia em todas as atividades produtivas do planeta, não dá para esperar generosidade dos donos do capital – objetivos diferentes não se cruzam neste mundo.
Infelizmente o paraíso que vendem com o livre mercado escondem o pesadelo que surge nos momentos de crise. Daí que o poder de convencimento é maior que o medo de perder o bonde do progresso. A conversa é sempre que nenhum serviço público funciona corretamente, além de servir somente como cabide de emprego e fonte geradora de corrupção. Portanto, tudo que precisa transparecer utilidade com seriedade deve ficar longe da gestão pública. Também não adianta justificar a admissão das pessoas apenas via concurso porque o vírus está no sistema. Então...
Por que os casos em que um governo social-democrata influenciou no desenvolvimento e melhor distribuição de riqueza são ignorados? Portanto, o que não chega ao conhecimento dos mal informados não existe. Simples assim! A certeza de dias melhores para o brasileiro, inclusive os desprotegidos, é a privatização ampla, geral e irrestrita, segundo a equipe que comanda o país. Preços de combustíveis e gêneros de primeira necessidade não devem envolver o governo, pois isso é problema de mercado. Crueldade? O intocável deus mercado está acima de tudo!
Como os adeptos da meritocracia veem o fim dos programas sociais implantados pelos governos progressistas no Brasil? Sem dúvida nenhuma com bons olhos. Era apenas o populismo barato, uma versão equivocada dos regimes socialistas que não deram certo em nenhum lugar do mundo. Que o trabalho substitua o coitadismo crônico que se enraizou na população. Afinal viver de esmola, à custa dos impostos de quem trabalha, é injusto também. Como disse um ministro exemplo de sucesso no mundo empresarial: pobre gasta tudo e não investe nada! Ficou claro?
Se alguém ainda não entendeu o recado palaciano que procure um intérprete ou tradutor para saber o que lhe espera. O sucesso ou fracasso individual não pode ser culpa do governo. Despreparo para enfrentar as crises econômica, financeira e sanitária é responsabilidade única e exclusiva de cada um. O que o governo tem com isso? Ele foi eleito democraticamente e não precisa dar explicações sobre os gastos com supérfluos, apesar do dinheiro ser para uso no benefício de todos. Mas o choro é livre, segundo os fãs incondicionais do nosso presidente.


J R Ichihara
11/02/202

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