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Magda Maria de Oliveira
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Uma História Em Três Partidas
Por: Magda Maria de Oliveira

UMA HISTÓRIA EM TRÊS PARTIDAS

NO INTERIOR DE UM LUGAR QUALQUER VIVIAM O PAI, A MÃE, DUAS FILHAS GÊMEAS E UM FILHO MAIS NOVO. VIVIAM NUMA CASA CERCADA POR TRÊS ESTRADAS, CADA UMA DAVA EM ALGUM LUGAR. NO MEIO DE TRÊS IDAS VIVIAM A FAMÍLIA DE AYDA, UMA MULHER CHEIA DE VIDA NÃO VIVIDA, SOFRENDO AS AMARRAS DOS DIAS, SEM FANTASIAS, APENAS AS CRIAS E UM “TUTOR”.
O “TUTOR” ERA O MARIDO SENHOR WALMOR, UM EX MILITAR REFORMADO, QUE EXERCIA SEU PAPEL DE CERCAR A FAMÍLIA COM SUAS IDEOLOGIAS IMPREGNADAS DE CERTEZAS MAL RESOLVIDAS. ERA, PORÉM, PRESENTE E RESISTENTE, SABIA AMARRAR MUITO BEM SUAS ESTRATÉGIAS PARA GANHAR A LIBERDADE SEM POSSIBILIDADES DE SUA FAMÍLIA.
AYDA SABIA BEM QUE AQUELA NÃO ERA A VIDA PRETENDIDA, MAS SEGUIA CONSTANTE E DETERMINADA A CRIAR SEUS FILHOS DENTRO DE UMA NARRATIVA ACEITÁVEL E IRREPREENSÍVEL. ACEITÁVEL SERIA CONCORDAR COM OS DESMANDOS INQUESTIONÁVEIS DO MARIDO E TORNAR O AMBIENTE FAMILIAR MAIS SEGURO, PORÉM MENOS CONFORTÁVEL. INQUESTIONÁVEL POR ACEITAR A ROTINA PREESTABELECIDA, COM SEUS AFAZERES PONTUADOS PELO RELÓGIO DA SALA, SEMPRE IMPLACÁVEL, DITANDO COMEÇO, MEIO E FIM DOS DIAS.
A PAZ DAQUELA FAMÍLIA SUGERIA UM SILÊNCIO COM TOM DE CONCORDÂNCIA, ARRUMAÇÃO, IMPARCIALIDADE E POR VEZES UM POUCO DE PÂNICO. O PÂNICO FAZIA O SENHOR WALMOR DESCANSAR EM PAZ SEM TER MORRIDO, COM AS COISAS SOB O CONTROLE ABSOLUTO DE UM EGO INSTITUÍDO QUE O FAZIA SORRIR COM O CANTO DA BOCA. SEUS OLHOS ESTAVAM POR TODOS OS LADOS E SABIAM ONDE CADA FIO DE CABELO CAÍA, SEUS OUVIDOS ESPALHAVAM-SE POR DEBAIXO DE CAMAS E SOFÁS, SUAS BOCAS IMPLANTAVAM NORMAS E NADA LHES SAÍA PELAS CULATRAS , SEMPRE PODEROSO E TEMIDO. AYDA VIVIA SE ESPREMENDO NO MEIO DE TANTOS SENTIDOS, FUGITIVA E DESPROPOSITADA, ACOMODANDO-SE ENTRE OLHOS, OUVIDOS E BOCAS, FINGINDO-SE CEGA, SURDA E MUDA. AFINAL, PARA QUE SERVEM ENXERGAR, FALAR E OUVIR, SE EM SEU MUNDO OS SEUS PRÓPRIOS SENTIDOS ERAM SEMPRE PRETERIDOS?
A CASA ERA GRANDE O SUFICIENTE PARA QUE TODOS SE ESPALHASSEM EM CADA CÔMODO, EM CADA MUNDO, EM CADA CENA PRINCIPAL, EM CADA REFÚGIO. AS FILHAS GÊMEAS ADOLESCENTES ENFURNAVAM-SE EM SEUS QUARTOS E FINGIAM LER E ESTUDAR OS CONTEÚDOS DO ENSINO MÉDIO O TEMPO INTEIRO, O FILHO MAIS NOVO TRANCADO EM OUTRO QUARTO COM O SOM DE AULAS DO ENSINO FUNDAMENTAL NO COMPUTADOR. ASSIM, OS DIAS SE SEGUIAM…
MAS, O PÂNICO SEMPRE VINHA! COM UMA RECLAMAÇÃO DE ROUPA SECA NO VARAL, COM CONTROLE DA TV FORA DO LUGAR ONDE PRETENSAMENTE DEVERIA ESTAR, COM OBJETOS LARGADOS AQUI E ALI, COM ATRASOS PARA O ALMOÇO OU JANTAR, COM ALGUNS QUESTIONAMENTOS QUE ESCAPAVAM DENTRE OS MEDOS, VINHAM GRITOS, TAPAS E AMEAÇAS, SR WALMOR SABIA EQUILIBRAR PAZ E PÂNICO COMO NINGUÉM.
AYDA TINHA SEUS PEQUENOS ESCAPES, ESCREVENDO SUAS POESIAS SOBRE A VIDA E SEUS SONHOS. TINHA SUA APOSENTADORIA DE PROFESSORA DE ESCOLA PÚBLICA E QUANDO O MARIDO PERMITIA COMPRAVA ALGUNS LIVROS PARA VIAJAR, SEM SAIR DO LUGAR. ERA RESILIENTE E AO MESMO TEMPO EXERCIA UMA FORMA DE CONCORDAR COM TUDO AQUILO, QUE NITIDAMENTE ERA UMA MANEIRA VELADA DE SE DEFENDER E DEFENDER SEUS FILHOS DE ALGO QUE SÓ ELA SABIA ,DE FATO.
MAS, COMO TODA A ROTINA SEMPRE SAI DO LUGAR, A CASA DAQUELA FAMÍLIA VIROU DE CABEÇA PRO AR. AYDA SE ZANGOU COM UMA SITUAÇÃO ENTRE O MARIDO E SEU FILHO MAIS NOVO E ENTROU NO MEIO PARA DEFENDER SUA CRIA. WALMOR, JÁ EM FÚRIA PARTIU PARA CIMA DO FILHO, QUE TENTAVA EXPLICAR O QUE TINHA ACONTECIDO, PORÉM SEM SER OUVIDO LANÇOU MÃO DE UMA FACA GUARDADA NA GAVETA DO ARMÁRIO DA COZINHA E SE OPÔS AO ABUSO DO PAI. A MÃE JÁ ESTREMECIDA E VENDO A RAZÃO DO FILHO, O AJUDOU A SE SAFAR. COLOCOU-SE ENTRE OS DOIS E NUMA BRAÇADA DO PAI A FACA FOI TIRADA DA MÃO DO FILHO E ATINGIU AYDA. O CORTE FOI FATAL E A MULHER SE ESVAIU PELO CHÃO. O MARIDO BERRAVA, TENTANDO CALAR SUA PRÓPRIA CULPA E NA MESMA TIRADA AMEAÇOU MATAR OS TRÊS FILHOS, QUE NEM SEQUER PUDERAM SOFRER A PERDA DA MÃE ATIRADA, QUIETA E PÁLIDA. EM FÚRIA EMPURROU OS FILHOS PARA FORA DE CASA, GRITANDO E OS AMEAÇANDO.
NAQUELE MOMENTO DE DOR E PAVOR, CADA FILHO PEGOU UMA DAS TRÊS ESTRADAS E PUSERAM-SE A CORRER DO PAI, SEM OLHAR PARA TRÁS, APENAS SEM RUMO, SEM SABER ONDE IRIAM PARAR. CADA UM ENCONTROU UM CAMINHO E SEGUIRAM PERDIDOS, FAMINTOS, AMEDRONTADOS, ATRAVESSADOS POR DOR E ÓDIO, SEM SABER O QUE FAZER.
O TEMPO PASSOU E OS FILHOS CRESCERAM, CADA UM A SALVO EM SEU NOVO AMBIENTE, SEM NOTÍCIA QUALQUER DO PAI OU DOS OUTROS IRMÃOS. AQUELA TRAGÉDIA ANUNCIADA NUNCA FOI ESQUECIDA, PORÉM CADA UM SEGUIU UM CAMINHO, MINIMAMENTE POSSÍVEL. CONSEGUIRAM ESTUDAR E SE FORMAR. O RAPAZ SE TORNOU UM JORNALISTA E TRABALHAVA NUMA REVISTA FAZENDO MATÉRIAS SOBRE A CULTURA DE SUA REGIÃO. UMA DAS GÊMEAS SE TORNOU ESCRITORA COMO A MÃE E A OUTRA UMA EMPRESÁRIA DONA DE UMA CONHECIDA LIVRARIA, ONDE OS EVENTOS LITERÁRIOS DA CIDADE ACONTECIAM.
SUZY ESCREVIA CONTOS E POEMAS SOBRE OS DILEMAS DA VIDA E GUARDAVA-OS EM SUA GAVETA DE SEGREDOS. LIA E RELIA CADA LINHA E PERCEBIA QUE OS TEMAS SEMPRE GIRAVAM EM TORNO DE SITUAÇÕES QUE RETRATAVAM RELACIONAMENTOS ABUSIVOS, INCLUSIVE MUITO MARCANTES EM SUA PRÓPRIA HISTÓRIA DE VIDA. DESCOBRIU SUA FORMA DE LIBERTAR SENTIMENTOS NÃO COMPARTILHADOS COM MAIS NINGUÉM COM QUEM PASSOU A CONVIVER, ENXERGOU SUA NECESSIDADE DE EXTERNAR EM PALAVRAS AS SUAS PERCEPÇÕES E CERTEZAS E PASSOU A CATALOGAR SEUS TEXTOS NUM BLOG COM O PSEUDÔNIMO DE “SUE BELL”.
CADA HISTÓRIA ESCRITA REPRESENTAVA UM DESABAFO, UMA VOZ A SER OUVIDA, UMA ATITUDE A SER TOMADA, UMA VIDA A SER VIVIDA, UM GRITO DE SOCORRO, UM CAMINHO POSSÍVEL, LIBERTAÇÃO, RESPIRAÇÃO, INSPIRAÇÃO, PAZ, SOSSEGO DE COISA ALGUMA, RÉDEA, COMPLETUDE E PERTENCIMENTO, PRAZER, LEVEZA, INDIGNAÇÃO, DOR E SUPERAÇÃO. TUDO REPRESENTAVA AQUELAS ESTRADAS TOMADAS PELOS IRMÃOS, NO SENTIDO DA LIBERDADE CONSCIENTE, DE LAÇOS NÃO CRUZADOS PELO SILÊNCIO TRUCULENTO DAQUELE LAR, ONDE TODOS VIVIAM JUNTOS E ISOLADOS CADA UM EM SEU MUNDO, OBEDIENTES, IMPARCIAIS E ENTREGUES AO ACASO. CADA MUNDINHO QUE SE FORMOU AJUDOU PARA QUE NA FUGA NINGUÉM OLHASSE PARA TRÁS OU SENTISSE CULPA, A AUSÊNCIA DE SI MESMO ERA REAL…
NÃO POR ACASO, OS TEXTOS PROFUNDOS DE “SUE BELL” CHAMARAM ATENÇÃO DE POLIANA, QUE VIVIA ÁVIDA POR CONHECER NOVOS ESCRITORES PARA OS MUITOS E BADALADOS EVENTOS CULTURAIS DE SUA LIVRARIA. ELA EXERCIA UMA PROXIMIDADE COM A COMUNIDADE LOCAL E OUTRAS CIDADES DE SUA REGIÃO. ERA INCLUSIVA E ESTAVA SEMPRE ÀS VOLTAS COM NOVIDADES QUE MOVIMENTASSEM SUA PACATA CIDADE DO INTERIOR. SEUS EVENTOS LITERÁRIOS ENRIQUECIAM OS DIAS E OS ESTUDANTES DAS POUCAS ESCOLAS QUE EXISTIAM ERAM MOTIVADOS PARA A LEITURA DOS MAIS DIVERSOS GÊNEROS TEXTUAIS. TUDO PASSAVA PELA SUA LIVRARIA, OS ENCONTROS DE AMIGOS ERAM CONSTANTES E ANIMADORES, A VIDA PARECIA MAIS COLORIDA E CHEIA DE POSSIBILIDADES. AOS ARTISTAS ERAM OFERECIDAS OPORTUNIDADES DE DESENVOLVEREM SEUS POTENCIAIS COMPARTILHADOS COM TODOS! NEM SÓ DE REALIDADE VIVIA A CIDADE, SE DEPENDESSE DA POLI, COMO ERA CARINHOSAMENTE CONHECIDA. DIZIAM QUE ELA VIVIA CADA DIA COMO SE FOSSE O ÚLTIMO, COMO SE COMPENSASSE ALGO PERDIDO!
POLIANA GOSTOU DA MAIORIA DOS TEXTOS DE “SUE BELL”, PORÉM UM DELES, EM ESPECIAL, CHAMOU-LHE MAIS ATENÇÃO. HOUVE UMA PROFUNDA IDENTIFICAÇÃO COM AQUELAS PALAVRAS, QUE DEMONSTRAVAM UMA SENSIBILIDADE AFLORADA E CARREGADA DE SIGNIFICADO. A CADA PALAVRA LÁGRIMAS ROLAVAM, COMPULSIVAMENTE. HÁ MUITO TEMPO ELA NÃO SENTIA NADA QUE A DEIXASSE TÃO VULNERÁVEL AO SEU PASSADO, SUAS PERNAS TREMIAM INQUIETAS, SUA BOCA SECA E UM SUOR FRIO INEXPLICÁVEL. O QUE HAVIA DE TÃO INQUIETANTE NAQUELE TEXTO? ESTE FATO AGUÇOU O SEU DESEJO DE CONHECER ALGO MAIS SOBRE A AUTORA E RESOLVEU FAZER-LHE UM CONVITE PARA PARTICIPAR DO PRÓXIMO EVENTO CULTURAL DE SUA LIVRARIA.

RETAS E QUINAS

As partidas mais longas acontecem em frações de segundos
Elas cabem dentro do segundo
São partidas que acontecem dentro da gente
Subitamente!
Ausências de nós mesmos…
Já parti muitas vezes
De algumas delas voltei e de outras não!
Das que voltei me restam lembranças e alguns aprendizados
Mas, as que me cativam ainda me ferem ferozmente
Voltar dessas partidas são superações e não sei fazê-las
Quando me ausento de mim tenho um significado de medo ou pânico
Muitas coisas me causam medo e pânico
Algo que surge e leva minha coragem, minha reação
Me prende de decisão
Me rechaça de razão
Me geram dúvidas e desconfianças
Um branco cobre minhas cores da ilusão de que sei me defender
Eu não sei!
De uma dessas partidas eu não retornei
E as curvas por onde andei me assustam
Eu nunca quis olhar depois das quinas
Gostaria que fossem retas com uma bandeirinha de final feliz
Tudo me assusta nessa partida
Acordo de muitos sonhos e em nenhum deles vejo a volta se concretizar
Talvez a volta já tenha acontecido pelas evidências
Mas o medo das quinas não me deixa ver
Mesmo porque depois delas já vi muito pavor
Preciso me defender!
Defesa é fuga!
Fugir é a escolha?
Encarar o medo é o certo?
Quem sabe dizer é quem não pensa muito nessas questões.
Quem não pensa muito em suas próprias partidas não vivencia o medo de não conseguir retornar delas
Não se prende ao pavor das expectativas
Apaga da memória os planos de fuga ou resistência e elabora a vingança
Vingança é algo ruim
Mas, quando se pretende voltar das próprias ausências
É um alívio repentino
Acho que o nome disso é resiliência
Ainda não voltei de uma partida e outra me sobreveio
Parti de novo pra mais longe desta vez
Pois como não voltei de uma partida dobrei o caminho da outra
A estrada vai se multiplicando…
Estrada das perdas, adoecimentos, desilusões, ingratidão
Acho que eu poderia tentar enxergar as quinas como incertezas e as retas como ilusões
Assim perceberei que voltar
De um jeito ou de outro…
Me cura!

MARÍLIA, A GERENTE DA LIVRARIA, ENVIOU UM CONVITE PARA A DESCONHECIDA AUTORA A PEDIDO DE POLIANA, QUE EMPOLGADA AGUARDAVA PELA RESPOSTA. ELA PLANEJAVA UM GRANDE EVENTO, COM A PARTICIPAÇÃO DE BOA PARTE DA COMUNIDADE. NESSES EVENTOS OS AUTORES LIAM SEUS TEXTOS E PRESTIGIAVAM OUTROS COLEGAS, EM UM PEQUENO PALCO MONTADO AO FINAL DAQUELE CONFORTÁVEL AMBIENTE. TUDO BEM ILUMINADO, PENSADO EM CADA DETALHE DA DECORAÇÃO PARA ACOLHER AS PESSOAS E INCENTIVÁ-LAS AOS LIVROS, COMO TAMBÉM VALORIZAR AOS ARTISTAS QUE CONTRIBUÍAM PARA ENRIQUECER A CULTURA LOCAL. HOUVE UM CONVITE ESPECIAL AO JORNAL “VERDADES E BALELAS”, PARA QUE O JORNALISTA DE CULTURA FOSSE AO EVENTO E O DIVULGASSE PARA TODA A REGIÃO. ASSIM FOI FEITO E ANDREY ERA O PROFISSIONAL QUE SE DESTACAVA PARA COBRIR E RELATAR SOBRE ESSES EVENTOS TÃO IMPORTANTES.
ANDREY ERA UM RAPAZ PACATO E UM TANTO INTROVERTIDO EM SEU CONVÍVIO SOCIAL, PORÉM SE DESPOJAVA EM SUA PROFISSÃO! ERA CONHECIDO PELA QUALIDADE E PROFUNDIDADE DE SEUS ARGUMENTOS SOBRE TODOS OS TEMAS QUE LHE ERAM DEVIDOS, BAILAVA ENTRE PALAVRAS ACALORADAS E POR VEZES IMPUNHA UM SENTIDO MUITO PESSOAL AO COBRIR ACONTECIMENTOS INDESEJÁVEIS, COMO SE OS SENTISSE EM SUA PRÓPRIA PELE. NO SEU TRABALHO NINGUÉM SABIA EXPLICAR O QUE O FAZIA SER TÃO ESPECIAL E EMPÁTICO, MAS O ADMIRAVAM E RESPEITAVAM. ELE ACEITOU AO CONVITE E DISSE PARA MARÍLIA QUE LEVARIA CONSIGO UM GRANDE FOTÓGRAFO, QUE COSTUMAVA CAPTAR A ESSÊNCIA PRETENDIDA EM SUAS MATÉRIAS.
TUDO PRONTO PARA O GRANDE E ESPERADO DIA! PRESENÇAS CONFIRMADAS, POLIANA NÃO ECONOMIZOU NA NOVA DECORAÇÃO E NUMA GRANDE MESA COM OS MELHORES QUITUTES DE DONA JOAQUINA, UMA SENHORA MUITO DISPUTADA NAQUELA REGIÃO, PELAS SUAS DELÍCIAS SIMPLES OU SOFISTICADAS, NADA LHE PASSAVA! O SALÃO PRINCIPAL FOI ABERTO AO MEIO, FORMANDO UM CORREDOR E AO FINAL FICAVA O PALCO MUITO COLORIDO E ILUMINADO, AS MESAS E CADEIRAS FORAM DISPOSTAS DE UM JEITO ELEGANTE PARA QUE NINGUÉM OFUSCASSE A VISÃO DE NINGUÉM E OS LIVROS REPOSICIONADOS PARA QUE NÃO OCUPASSEM TODO O AMBIENTE. COMO DE COSTUME HAVIA UMA MESA COM LIVROS DOADOS PELA COMUNIDADE, PARA QUE OS CONVIDADOS PUDESSEM TROCAR ENTRE SI E SEM CUSTO.
OS CONVIDADOS FORAM CHEGANDO AO SOM DE UMA MÚSICA AMBIENTE ORQUESTRADA, FAZENDO DAQUELE ESPAÇO UM LOCAL AGRADAVELMENTE INTIMISTA, VELAS ENFEITAVAM AS MESAS E HAVIA UM PERFUME CALMO NO AR , UM CHEIRO DE UMA FLOR TÍPICA DA REGIÃO, MUITO APRECIADA. O MICROFONE FOI LIGADO E POLIANA ESTAVA DE COSTAS PARA A PORTA E AO FUNDO, BEM PRÓXIMA AO PALCO. ELA FAZIA QUESTÃO DE IR DE MESA EM MESA PARA CUMPRIMENTAR E AGRADECER A TODOS OS CONVIDADOS. ANDREY E O FOTÓGRAFO TINHAM ACABADO DE CHEGAR E SE PREPARAVAM PARA LIGAR OS INSTRUMENTOS DE TRABALHO, LOGO APÓS SEREM RECEBIDOS, GENTILMENTE, POR MARÍLIA.
CONVERSAS E SORRISOS PARA TODO LADO QUANDO, SUBITAMENTE, O ALVOROÇO FOI QUEBRADO POR UM SILÊNCIO ESTRANHO E ATORMENTADOR. ESTRANHANDO O SILÊNCIO QUE A DEIXOU ENCABULADA, “SUE BELL” ENTRAVA PELA PORTA PRINCIPAL DA LIVRARIA. TODOS A OLHARAM ATENTAMENTE E MUITO ASSUSTADOS PARA POLIANA, QUE BUSCAVA O MOTIVO DAQUELE VAZIO NO AR. ANDREY LEVANTOU-SE DE UMA CADEIRA ONDE ACOMODAVA SEU LAPTOP E OLHOU PARA A PORTA. IMEDIATAMENTE, ELE SUSPIROU E PEDIU AO FOTÓGRAFO QUE PARASSE COM AS FOTOS POR UM INSTANTE. ESPEROU QUE “SUE BELL” CHEGASSE AO CENTRO DA LIVRARIA, NO MESMO MOMENTO EM QUE POLIANA EMUDECEU-SE, MAS ENCONTROU FORÇA PARA ENCAMINHAR-SE AO ENCONTRO DAQUELA MOÇA. MARÍLIA NÃO ESPEROU NEM UM MOMENTO E EXCLAMOU EM ALTA VOZ “SÃO IDÊNTICAS, MEU DEUS! O QUE É ISSO?”
MUITO ASSUSTADAS E SURPRESAS COM AQUELE ENCONTRO, AS DUAS SE OLHARAM E SE ABRAÇARAM POR LONGO TEMPO. QUANDO TUDO PARECIA MENOS ESTRANHO, ANDREY DIRIGIU-SE AO CENTRO E AMBOS ENTREOLHARAM-SE TRÊMULOS E SEM O CHÃO NOS PÉS. AQUILO PARECIA UM GRANDE MILAGRE! ABRAÇARAM-SE CHORANDO E GRATOS. COMO O DESTINO HAVIA PROVIDENCIADO AQUELE MOMENTO IMPENSADO, IMPROVÁVEL E LINDO? POLIANA FOI ATÉ O PALCO COM SEUS IRMÃOS E CONTOU A HISTÓRIA DAQUELA FAMÍLIA, QUE ESTAVA SE REENCONTRANDO APÓS LONGOS 15 ANOS DAQUELA TRAGÉDIA QUE OS SEPAROU, CRUELMENTE. O EVENTO OCORREU, EMBORA COM UM SABOR DE REENCONTRO, DE FELICIDADE, QUE SE ESTENDEU POR LONGOS E DELICIOSOS DIAS DE CONVERSAS INTERMINÁVEIS…
HOUVE PEDIDO DE PERDÃO, DECLARAÇÃO DE AMOR E ÓDIO, PROMESSAS DE NUNCA MAIS SE SEPARAREM. FORAM JUNTOS À ANTIGA CASA E UM VIZINHO CONTOU QUE O SR. WALMOR, LOGO APÓS O OCORRIDO, ENCLAUSUROU-SE DENTRO DA CASA, FOI INVESTIGADO PELA POLÍCIA, MAS NO MEIO DO PROCESSO ELE ACABOU FALECENDO, NÃO SE SABE O QUE O MATOU. CONTOU QUE AYDA FOI SEPULTADA POR VIZINHOS, NO CEMITÉRIO LOCAL E COM TODAS AS HONRAS, O QUE DEIXOU OS TRÊS FILHOS ALIVIADOS. ELES FORAM VISITAR OS TÚMULOS DOS SEUS PAIS E VENDERAM A PROPRIEDADE, QUE ESTAVA ABANDONADA, PORÉM COM UMA LINDA ÁREA VERDE PARA PLANTAR.
ASSIM , TAMBÉM, SÃO AS ESTRADAS DA VIDA...

AUTORA, Magda Maria de Oliveira
02/21

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