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Caridade Não Exclui Prudência, Bom Senso e Responsabilidade
Por: Valdir Pedrosa

CARIDADE NÃO EXCLUI PRUDÊNCIA, BOM SENSO E RESPONSABILIDADE

A residência humilde de Isabel e Isidoro funcionava como oficina de assistência cristã há quase vinte anos, contando com alguns cooperadores que lá prestavam serviço desde a sua fundação e outros que permaneciam como estagiários por períodos de dois anos. Dentre as inúmeras atividades socorristas e de estudos executadas naquele local, André Luiz nos deu a conhecer uma bem interessante. Em conversa com dois seareiros, nosso amigo tomou ciência de que há trabalhadores espirituais que têm a missão de conduzir às reuniões de estudos evangélico-doutrinários os irmãos ignorantes e sofredores que estejam em condições de participar. Esses tarefeiros eram auxiliares de apenas alguns quarteirões no centro urbano e faziam parte de um grande quadro de colaboradores.

Isso vem nos mostrar que o plano espiritual age de inúmeras e inesperadas formas. Os amigos da espiritualidade superior estão sempre dispostos a socorrer seus irmãos encarnados e desencarnados que estejam em condições se serem auxiliados. Dentre essas condições não podemos nos esquecer de mencionar algumas, tais como: merecimento, necessidade evolutiva, esforço e perseverança. É bom salientar isso porque, infelizmente, nem todas as criaturas se encontram prontas para receberem o auxílio que vem do Mais Alto. Uma prova disso é o próprio André Luiz, que permaneceu por cerca de oito anos nas regiões umbralinas até que pudesse ser resgatado pelos trabalhadores de Nosso Lar.

Enquanto prosseguia a conversa entre André e os dois auxiliares de serviço, um Espírito que integrava o corpo de orientadores da casa, se aproximou e recomendou que a dupla observasse melhor o critério doutrinário ali empregado, pois seria completamente inútil levar às reuniões entidades vagabundas ou de má fé, obedecendo tão somente aos laços da simpatia. Tal instrução poderia nos parecer um tanto quanto dura e austera, porém o orientador explicou: “Não podemos perder tempo com Espíritos escarninhos e ociosos, nem com aqueles que se aproximam de nossa tenda alimentando certas intenções de natureza inferior. Não faltarão providências de Jesus para essa gente, em outra parte. Lembrem-se disso. Não é falta de caridade, é compreensão do dever. Temos um programa de trabalho muito sério, no capítulo da evangelização e do socorro, não podemos abusar da concessão de nossos maiores da Espiritualidade Superior. Quem aceita um com¬promisso não vive sem contas. Por muito que vocês amem a alguma entidade ociosa ou irônica, não facilitem os abusos dela. Ajudem-na de maneira individual, quando disponham de tempo e possibilidades para isso. Não arrastem o grupo a dificuldades. Não se esqueçam de que existem determinados núcleos de tarefa para os surdos e cegos voluntários.”[1]

Para corroborar com tal orientação, lembremo-nos de que o próprio Cristo ensinou: “Não deis aos cães as coisas santas, nem lanceis aos porcos as vossas pérolas, para que não as pisem e, voltando-se, vos despedacem.”[2] Assim, reconhecendo que a admoestação era justa, Vieira, um dos auxiliares, esclareceu: “Infelizmente, Hildegardo e eu temos alguns parentes desencarnados em dolorosas condições espirituais. Na reunião passada, trouxemos meu tio Hilário e o primo Carlos, embora soubéssemos que ambos não se encontram preparados para reflexões sérias, pelo desrespeito às leis divinas em que se movimentam, nos ambientes inferiores. Manifestaram-se ambos, porém, tão desejosos de renovação, que ouvimos, acima de tudo, a simpatia pessoal, esquecendo a necessidade de preparação conveniente. Vieram conosco, sentaram-se entre os ouvintes numerosos. Mas, em meio dos estudos evangélicos, tentaram assaltar as faculdades mediúnicas da irmã Isabel, para transmissão de uma mensagem de teor menos edificante. Sentindo-nos a vigilância e surpreendidos pelos cooperadores desta santificada oficina, revoltaram-se, estabelecendo grande distúrbio. Não fossem as barreiras magnéticas do serviço de guarda, teriam causado males muito sérios. Assim, a reunião foi menos frutuosa, pela grande perda de tempo. Ora, naturalmente, fomos responsabilizados...”[1]

Com esse relato, será que nós, espíritas, teremos uma noção maior de nossa responsabilidade junto à Espiritualidade Superior? Será que aprenderemos que a prática da caridade não exclui a prudência, o bom senso e a responsabilidade? Não é presunção dizer que o Espiritismo é para todos, mas nem todos ainda estão prontos para o Espiritismo. Vieira concluiu dizendo que “aqui não devemos abusar tanto do amor, como no círculo carnal! Ninguém está impedido de ajudar, querer bem, interceder; todos podemos auxiliar os que amamos, com os recursos que nos sejam próprios, mas a palavra “dever” tem aqui uma significação positiva para quem deseje caminhar sinceramente para Deus.”[1]

[1] Os Mensageiros – Pelo Espírito André Luiz, psicografado por Francisco Cândido Xavier – capítulo 39 (Trabalho incessante).
[2] Evangelho Segundo Mateus 7:6.

Valdir Pedrosa – Maio/2018

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