A casa dos grandes pensadores

Bem-vindo ao site dos pensadores!!!

| Principal |  Autores | Construtor |Textos | Fale conosco CadastroBusca no site |Termos de uso | Ajuda |
 
 
 

 

JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
Publicações
Perfil
Comente este texto
 
Jornalismo
 
Philip, Henry Borel e a pandemia
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Qual notícia pode desviar o foco?


Diz-se que mesmo nas guerras que envolvem a população mundial há um breve momento de trégua por algum motivo acima das mortes entre os povos. Algumas narrativas citam o Natal como exemplo, mesmo para os que não acreditam nas tradições cristãs. Talvez pela data representar o renascimento da fé, da esperança e da caridade entre as pessoas, independentemente dos valores sagrados individuais. O que ficará registrado na História para a situação que vivemos atualmente? Apostaremos na Ciência ou no comportamento das pessoas?
A guerra que enfrentamos há mais de um ano não será vencida com uma arma de potencial destrutivo contra as pessoas, mas capaz de vencer a atuação letal de um simples vírus, incialmente tratado como o causador de uma gripezinha. Infelizmente o menosprezo de alguns é fortemente contestado pelos números assustadores de vítimas fatais. Portanto, se ainda não temos uma estratégia para vencer esta batalha, o estrago pode ser incalculável pelas consequências nas dificuldades para a recuperação das atividades normais do dia a dia.
Mas a mídia exibiu duas notícias que desviaram momentaneamente as atenções sobre a marcha da pandemia no Brasil e no mundo. Soube-se da morte do príncipe Philip, o esposo da rainha Elizabeth II da Inglaterra, aos 99 anos de idade. A notícia correu o planeta porque a Família Real sempre despertou curiosidade nos cinco continentes. Pena que a outra notícia gerou muita revolta nacional porque envolveu um garoto de 4 anos, o Henry, supostamente morto pelo padrasto, o médico e vereador do Rio de Janeiro, conhecido por Dr Jairinho. Uma trégua sinistra!
Qual importância teria a estória de um príncipe cuja vida está fora de alcance dos que sobrevivem no limite das forças? Por que o fascínio pelo glamour que nada acrescenta aos objetivos pessoais do cidadão comum? Que valores isso agrega na luta sofrida e sem esperanças de milhões mundo afora? Se tanta futilidade é capaz de desviar o foco de um momento tão delicado para o mundo, a ideia de merecimento está equivocada. A tragédia do menino Henry, vítima da crueldade bem maior que a do vírus, merecia mais a nossa atenção. Por que não?
O nosso foco continua voltado para a pandemia. Afinal, segundo os dados oficiais, já ultrapassamos os 350 mil mortos e mantivemos a média de 3 mil mortes a cada 24 horas. Saber como vamos sair dessa só não é importante para quem apoia totalmente o comportamento do presidente da República Jair Bolsonaro, o Mito para os seus fiéis seguidores. Mas a capacidade dele gerar confusão é ilimitada. Por isso, voltou a atacar o STF, por causa da CPI da Covid-19. Disse que “falta coragem moral” ao ministro Barroso porque encaminhou o pedido ao Senado.
Todo cidadão medianamente esclarecido sabe como funciona o jogo político em qualquer lugar do mundo. Governar para todos, ignorando as convicções partidárias, não é para qualquer um, especialmente para os que têm simpatia por regimes autoritários. Algum eleitor brasileiro desconhecia isso no candidato Jair Bolsonaro? Como ele tratava os opositores, a política, o Congresso e os demais pilares da Democracia? Quando ele procurou uma convivência pacífica, entendendo que as divergências entre adversários não os tornam inimigos mortais? Então...
De uma coisa ninguém pode duvidar: o desentendimento nacional no combate à pandemia só favoreceu a Covid-19! As mortes nada significaram para o governo federal, mas fala-se que as ações positivas deste, omitidas de propósito pela mídia, caíram no vazio para prejudicar a imagem do presidente da República e a sua reeleição. Talvez a sua opção por usar as redes sociais como o canal oficial de comunicação ignorasse o perigo das fake news. Daí que o resumo deste imbróglio virou um ambiente de acusações hostis de ambas as partes – e o vírus agradece.


J R Ichihara
12/04/2021

 Comente este texto
 Paralerepensar


Comentário (0)

Deixe um comentário

Seu nome (obrigatório) (mínimo 3, máximo 255 caracteres) (checked.gif Lembrar)
Seu email (obrigatório) ( não será publicado)
Seu comentário (obrigatório) (mínimo 3, máximo 5000 caracteres)
 
Insira abaixo as letras que aparecem ao lado: KQPF (obrigatório e sensível. Utilize letras maiúsculas e minúsculas;)
 
Não envie mensagem ofensiva e procure manter um intercâmbio saudável com o seu correspondente, que com certeza busca dar o melhor de si naquilo que faz.
Seu IP será enviado junto com a mensagem.