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Demétrio Pereira Sena
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VÍTIMAS DA CONFIANÇA DOS PAIS
Por: Demétrio Pereira Sena

Demétrio Sena - Magé

Sempre tive a justa fama de ser um pai exagerado, injusto e doentio. Um homem que desconfia de todo mundo e tinha pitis de preocupação com as duas filhas de mães diferentes, quando ambas eram crianças. Eu Perguntava sobre tudo, queria saber quem era quem nas relações paralelas, fazia ligações telefônicas afobadas e perguntava com quem estavam, por quê, em quais situações e onde, se não estivessem com as mães. E ia sempre buscar (neste caso, uma delas), não importava onde, se a desconfiança batesse. E quase sempre "batia" essa desconfiança, por eu ser "um doido". Isso irritava não só a mãe em questão, mas também as outras pessoas que, por sorte, eram todas de bom caráter e tive muito por que me desculpar com algumas delas. Ainda assim não me arrependo, pois em outros possíveis casos teria sido fatal contar com a sorte, para depois chorar pelo excesso de confiança que favorece tantos abusos, maus tratos e óbitos infantis, quando falhamos por descuido e sociabilidade à toda prova.

Ainda bem que fui tão injusto. Que por acaso eu estava enganado. E ainda bem que aquelas pessoas, por serem de bom caráter, acabaram me compreendendo e perdoando. Gerei algumas sequelas em minhas filhas, com os exageros, mas isso elas vencem com o tempo, ainda que muito tempo. O que as duas não venceriam, mesmo, seriam as consequências do meu possível relaxamento e minhas apostas na sorte, se o mundo do qual desconfiei não tivesse realmente sido bom para elas. Se tantas pessoas de bom caráter eventualmente não fossem de bom caráter. Não falo apenas das relações amorosas de uma das mães com outras pessoas - de um lado não tive tais preocupações -, mas de todos os laços que cercaram ou envolveram as minhas filhas, em minhas ausências; em algumas ocasiões, até em minha presença. Muitas vezes eu confiava em determinadas pessoas, mas temia em quem elas pudessem confiar.

Solidarizo-me com o pai do menino Henry, que foi muito pródigo em confiar no mundo e, no seu caso, até na ex-mulher, em relação ao seu filho de quatro anos, assassinado pelo padrasto com a conivência e talvez a partipação da mãe. Com certeza, ele era um pai melhor do que eu... confiava mais no mundo, no ser humano, mas ele e o filho não tiveram a sorte que eu e minhas filhas tivemos. Ninguém precisa ser um pai ou mãe doentio como confesso ser... mas com filhos e filhas, também não podemos relaxar por completo, fechar os olhos e contar com a sorte. Henry foi assassinado por um demônio que sempre foi um anjo para seus pares políticos e suas relações sociais. Pais e mães precisam pensar nisso. No caso dos extremos, teria sido melhor o pai ser doentio, para se desculpar depois, do que ser excessivamente confiante, para em tão pouco tempo se arrepender.

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