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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Subserviência, tiro no pé e mais lenha na fogueira
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Quando uma Instituição vira obstrucionismo... Dá nisso!

Não bastasse a crise sanitária, o país foi presenteado com mais combustível na fogueira que já está com as chamas nas alturas, por causa da CPI da Covid-19. A lenha foi a divulgação de uma conversa gravada entre o senador Jorge Kajuru e o presidente da República Jair Bolsonaro. Quem pouco se importa se o senador apoia ou faz oposição ao chefe da nação, viu no diálogo uma atitude subserviente, a clara intenção de agradar. Também percebeu que ele cobrou reconhecimento pelas ações praticadas, lembrando que foi injustiçado em declarações do Mito.
O que o povo ouviu do próprio presidente da República foi diametralmente oposto do esperado pelo senador. Bolsonaro falou o costumeiro dele nesses casos. Citou a gravidade da atitude, acrescentando que falou muito mais do que veio à público, não se importando se o teor for divulgado. Para agravar a situação do senador Kajuru, o Cidadania exigiu a sua saída espontânea ou a expulsão do partido. Além disso, o filho do presidente, o senador Flávio, vai entrar com uma representação, no Conselho de Ética da Casa, contra o colega de Parlamento.
Mas se alguém saiu ganhando em toda essa celeuma foi o governo. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, aliado de Bolsonaro, aceitou ampliar a CPI incluindo a responsabilidade do repasse de verbas federais para os estados, o que envolve governadores e prefeitos. A decisão gerou críticas porque, segundo os opositores da atitude, o regime interno da Casa não autoriza fiscalizações sobre estados e municípios, ficando esta competência a cargo das Assembleias Legislativas e Câmaras de Vereadores. Mas não houve temor dos envolvidos.
Infelizmente os nossos representantes perderam a compostura e o cuidado no exercício da função. Parece que o grande feito esperado é agredir adversários, empregar termos chulos contra os opositores, denunciar atos reprováveis alheios, obstruir as ações por convicções partidárias e atacar a mídia em geral. Isso fica muito distante das propostas que o povo precisa. Mas é esse jogo que agrada a plateia, rende votos e nada acrescenta na busca de um caminho para as saídas das crises. Cobrar explicações virou antipatriotismo, revanchismo e terrorismo?
Uma parte da gravação que chamou a atenção foi o pedido de impeachment contra o ministro do STF Alexandre Moraes, citado pelo senador Kajuru. Haveria algum motivo para isso? Mas o senador fala com desenvoltura sobre o assunto. A cada descrição que agradava o presidente, o senador recebia os merecidos elogios. O breve momento de desequilíbrio emocional do Mito foi quando ameaçou “sair na porrada com o bosta do Randolfe Rodrigues”, o senador que pediu a CPI da Covid-19. Quem ouviu a conversa entendeu o porquê do desfecho divergente?
Este caso vem reforçar mais uma vez que em política nada é certo ou errado, muito pelo contrário. Qual seria a intenção do senador ao gravar a conversa telefônica? Por que Bolsonaro se mostrou irritado quando soube que a gravação vazou? Segundo o senador, o presidente foi avisado sobre a divulgação e não se opôs. Qual dos dois se sentiu traído? Faltou limão na limonada? O episódio junta a subserviência, o tiro no pé, a lenha na fogueira e o fogo amigo num único balaio. Se quem sai na chuva é para se molhar... quem brinca com fogo quer se queimar.
Costuma-se dizer no Brasil que todos sabem como uma CPI começa, mas ninguém sabe como termina. O fato é que no meio de uma pandemia, o motivo gerador desta CPI, expandir uma investigação desta magnitude pode, segundo opiniões diversas, acabar numa enorme e intragável pizza. Quando se mistura Justiça com política, ou vice-versa, como temos visto ultimamente no torrão nacional, o resultado desagrada os que exigem transparência e imparcialidade no desfecho. Talvez a independência e a harmonia entre os Poderes necessite de uma UTI... com leitos.
Portanto, como a vida deve seguir em frente, os fatos serão registrados nas páginas da História do país da forma que todos ouviram, mas a interpretação pessoal sempre prevalecerá. O importante é que o ocorrido servirá para os que se acham mais importantes que as Instituições legais, a grade de proteção à Democracia e freio contra os abusos de poder que muitos são tentados a usar porque foram eleitos através de votos. A insistência na construção de fossos em vez de pontes jamais facilitará uma tolerância mútua entre o “nós” e “eles”. Política é para isso?

J R Ichihara
15/04/2021

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