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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Frase de desespero ou de protesto
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Ouve-se pouco e fala-se muito?


Neste 21 de abril o Brasil comemora o feriado de Tiradentes, o mártir da nossa Independência em relação à Coroa Portuguesa. Os registros históricos confiáveis não citam que ele pronunciou algumas palavras antes do enforcamento. De saldo, restou a frase “Liberta quae sera tamen”, que significa “Liberdade ainda que tardia”, em latim, gravada na bandeira de Minas Gerais, o estado onde o movimento pela insatisfação foi decisivo. O episódio envolveu traições e seletividade, tal qual tornou-se useiro e vezeiro em território brasileiro, em casos semelhantes.
A evolução do mundo e da sociedade organizada deveria estar livre de situações em que a barbaridade fosse coisa do passado? Como aceitar, em pleno século XXI, que os mantenedores da ordem e da lei ajam de forma homicida? E pensar que a Idade das Trevas fosse página virada na História da Humanidade. Portanto, a forma como o policial branco Derek Chauvin matou o negro George Floyd, em Minneapolis, Estados Unidos, em maio do ano passado, revela que o ser humano conserva o instinto assassino através do tempo. Sua condenação foi notícia no planeta.
Mas a mídia divulgou a frase que George Floyd disse antes de morrer sufocado pela pressão do joelho de Chauvin sobre o seu pescoço. “Não consigo respirar”, suplicou a vítima. À parte o motivo da abordagem, precisava agir desta forma? Felizmente a Justiça norte-americana condenou o agente da Lei que deveria proteger o cidadão e não fazer o que fez. Será que o mau exemplo aumenta a credibilidade da população quanto a segurança coletiva das pessoas? Casos anteriores semelhantes, em que não houve punição, expõem a inconsistência da Justiça ianque.
Os casos que envolvem morte de forma irracional sempre provocam uma comoção entre as pessoas, não importando em qual país vivem. No nosso torrão natal, a mídia tem dado ampla importância à morte do garoto Henry Borel, supostamente vítima da brutalidade do padrasto com a conivência da mãe e a omissão da babá, esta por medo de intimidações. Fala-se que o padrasto, o vereador e médico Dr. Jairinho tem ligações com a milicia carioca, assim como o seu pai, o coronel Jairo, que foi deputado estadual do RJ várias vezes e preso na Operação Furna da Onça.
Soube-se que o garoto Henry sofria maus tratos com frequência, mas a causa da morte, segundo a mãe e o padrasto, foi uma queda da cama. O laudo pericial constatou mais de 20 lesões em diversas partes do corpo da criança, o que seria inexplicável tamanha extensão por causa de uma única queda. Alguém pode imaginar qual frase o infeliz menino dizia nos momentos de tortura? Como não se indignar com tanta crueldade? Será que uma testemunha, consciente do modus operandi da milicia, teria coragem de denunciar os atos de violência? Que mundo é este?
Quantas frases inoportunas e desumanas ouvimos durante esta pandemia? O mais triste é que foram ditas pela autoridade máxima do país. Agora, talvez percebendo que não é coveiro, mas cavou a própria sepultura, o presidente Mito tenta mitigar sua inoperância no combate à Covid-19. Quantos acreditam na sua mudança de comportamento? Aos que acharam que a carta enviada ao presidente dos Estados Unidos, se comprometendo com a preservação ambiental na Amazônia, apaga o passado recente, muita cautela. O Tio Sam quer ver ações comprovadas.
Provavelmente as pessoas esperavam que as costumeiras frases de efeito caíssem em desuso por causa do avanço social e da necessidade de uma consciência mundial sobre o comportamento em sociedade. Por que ainda precisamos estampá-las protestando contra o racismo, a homofobia, o preconceito contra os pobres, a misoginia ou qualquer grupo étnico que divide o espaço geográfico do Globo conosco? Tiradentes, George Floyd e Henry Borel não precisavam servir de exemplo, muito menos deixar um triste legado, para mudarmos de vez.


J R Ichihara
21/04/2021

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