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Jornalismo
 
O MASSACRE TURCO NA ARMÊNIA
Por: Milton Menezes

O Genocídio que os Otomanos, antecessores dos modernos turcos, cometerem contra a Armênia no início do século passado, é algo que já foi confirmado exaustivamente pela pesquisa histórica e são fatos que se encontram espalhados pacificamente tanto nos dados históricos indiscutíveis, como também na vasta literatura mundial de mais de um século.

Duas perguntas básicas se impõem então:
1) porque mesmo depois de mais de um século ninguém se propõe a retificar a situação triste em que o povo Armênio tem vivido todos esses anos até hoje e
2) Porque a Turquia se defende com unhas e dentes contra esses acusações que no aspecto meramente jurídico não podem nem mais ser julgadas em corte alguma com chances de sucesso?

Me abstenho de contar a história da humanidade em formato de crônica jornalística aqui, mas acho conveniente observar alguns aspectos originais do problema. Um aspecto observável é a estrutura social e econômica do final do século 19. e início do século 20. na região que hoje é denominada de Anatólia nos confins da Turquia, na direção do Iraque e Iran. No limiar do desenvolvimento industrial e bélico que acompanhou a Europa através da primeira grande guerra mundial (1914 a 1918), as castas locais que se identificavam como Armênios (grande maioria de cristãos, tanto católicos apostólicos romanos como ortodoxos) viviam espalhados pelos vales e montanhas da região cuidando da economia sedentária nos vilarejos locais. Eram na maioria camponeses, criando rebanhos de carneiros, sem estrutura política e sem maiores ambições, além de professar a cristandade. A eles se contrapunham os Otomanos, muçulmanos que tinham grandes ambições territoriais, e que controlavam toda a grande extensão de territórios a partir do Estreito Bósforo (antiga Constantinopla, hoje Istambul) até as fronteiras com a Rússia, Iraque, Síria. Sob a supressão otomana viviam não apenas os armênios, como também os curdos e outras minorias cristãs, que por dividirem com os turcos a língua turca, eram mais tolerados e menos combatidos. Os armênios, entretanto, além da religião cristã, tinham também a língua que os identificava como estrangeiros.
O estopim dos massacres pode ser resumido com a diferença religiosa e em seguida (quando os Otomanos se propuseram a invadir as pastagens do povo armênio com os próprios rebanhos e até mesmo exigir deles impostos injustificáveis) com a diferença cultural, social e econômica.
Os armênios se defenderam de forma diletante com protestos em Istambul e ataques esporádicos contra turcos na região da Anatólia. A partir daí a literatura descreve todos os antecedentes e procedentes: Primeiro grande massacre turco entre 1894 e 1896, mais tarde paralelamente à primeira Guerra mundial (o ano de 1915 é comemorado simbolicamente como o início oficial do genocídio) massacre de mais de um milhão de armênios (dados estatísticos vagam de 800.000 a 1.500.000, de acordo com a forma de se classificar os ataques).
Concluindo, existe no mundo civilizado um consenso quase unânime, de que o genocídio dos Armênios pela Turquia foi o primeiro e grande genocídio do século 20.
O reconhecimento agora deste fato histórico pelos EUA sob a presidência de Biden, em razão da passagem do aniversário do massacre (deflagrado em 24 de abril de 1915 com a prisão dos primeiros 235 intelectuais armênios em Istambul) reforça o sentimento de ojeriza a tais atos bárbaros no mundo todo, entretanto não contribui para apaziguar as relações entre a Turquia e a Armênia. Na imprensa internacional é veiculada a teoria de que os EUA apenas se vingam da Turquia por esta ter comprado o sistema antimísseis S400 da Rússia (aliada da Armênia), ao invés de continuar cliente da indústria norte-americana de armamentos.
O primeiro ato de vingança pelo grande massacre turco daqueles anos distantes ocorrerá imediatamente se um terceiro conflito mundial for iniciado não importa onde (e que Deus nos proteja disto!).
O mesmo acorrerá com as Ilhas Malvinas que estão sob o controle da Inglaterra, mas são consideradas como parte da Argentina. Igualmente o Tibete aproveitaria qualquer oportunidade para se desligar da China, como também o Japão tentaria retomar as Ilhas Curilas, um pequeno arquipélago entre os dois países sob controle russo que antes da segunda guerra mundial pertencia ao Japão. Se o povo brasileiro não fosse pacífico nos restaria somente tentar reaver a Província Cisplatina que em 1828 se transformou em Uruguai.
Como se vê, ao ser humano não faltam motivos para alimentar o sonho de supremacia e megalomania, nos moldes de "meu exército vai às ruas".
Com essas observações finais respondo também as duas perguntas iniciais: Ninguém se preocupa muito em retificar e corrigir a História porque o mundo é um barril de pólvora, apagar uma chama apenas não vai consumir todo o barril. E a Turquia muitas vezes já reconheceu o genocídio contra a Armênia, apenas por orgulho próprio se recusa a ser titulada de vilã entre as nações modernas.

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