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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Politização generalizada é um perigo
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Quem disse que eleição não resolve nada?

Diz-se insistentemente que o brasileiro é avesso à política e por causa disso sempre escolheu mal os seus representantes legalmente constituídos. Mas até onde isso é verdade? Uma simples análise das nossa carências seculares nunca atendidas, mesmo sob governos de regimes diversos, questiona e força a reflexões mais profundas sobre afirmações tão simplórias. Quando tivemos um governo que olhou para o povo, especialmente no atendimento às necessidade dos sem privilégios? Talvez o tal viés ideológico seja mais importante que as soluções encontradas.
Mas o velho e batido refrão de que somos um país rico, mas mal administrado, continua na ordem do dia. Como se avalia a riqueza de um povo? Afinal quem mostra a prosperidade de uma cidade, um estado ou uma nação é a qualidade de vida das pessoas que aí vivem. Estratificar a população e exibir a quantidade de bilionários, sem mostrar as condições de vida do restante, é de uma inutilidade exponencial – isso esconde a largura do fosso da desigualdade social. Mas se a política empregada até hoje foi no sentido de reduzir essa aberração... erramos muito feio!
O problema é que a maioria tem na política uma válvula de escape para extravasar suas ideias preconceituosas sobre a vida em sociedade, onde a tolerância mútua é separada por uma tênue linha divisória. Não há espaço para negociação entre as divergências, muito menos a aceitação de que às vezes estamos equivocados. A certeza é o alicerce das convicções que norteiam o comportamento no dia a dia. E quem não gostar disso que arrume as suas malas e vá morar onde a sua ideologia é aceita sem violência física ou verbal. Livre arbítrio é para isso?
Portanto, desde que a polarização político-partidária (PTxPSDB) decidiu os destinos na gestão federal, esta atividade assumiu a perigosa radicalização na vida nacional. O meio-termo perdeu o lugar para o “nós” contra “eles”, como se o entendimento virasse a fruta envenenada e a troca de agressões verbais, as denúncias e o uso dos termos chulos fossem o suprassumo da superioridade ética e moral sobre o adversário. Daí a relevância de não ser corrupto, posar de Ficha Limpa e se orgulhar de ser uma pessoa do bem. Por extensão, o seu eleitorado também.
A tábua de salvação para conter os ânimos acirrados seria o Judiciário. O distanciamento e a influência da política o manteria longe da parcialidade, garantindo a independência entre os Poderes, preservando a harmonia como o pilar de sustentação da ordem no país. Mas o que se tem visto nos últimos anos está longe das expectativas da sociedade. Tem ministro do STF com mais exposição midiática que muitos políticos. O efeito negativo disso é que a credibilidade do Poder Judiciário está na corda bamba. Será que só um cabo e um soldado para acabar com isso?
No meio de uma pandemia devastadora, a politização no combate mostra o seu lado perigoso. Talvez como reação às críticas da inoperância do governo federal sobre a aquisição da vacina contra a Covid-19, surgiram cobranças sobre a aplicação das doses encaminhadas pelo Ministério da Saúde. Sabe-se lá por qual motivo há interesse em tanta polêmica, mas essa pressa comprometeu a imunização de quem vai precisar da segunda dose. Faltou o produto para isso porque usaram tudo na primeira dose. Precisava criar mais confusão num país descontrolado?
Enquanto um país rico como os Estados Unidos procura solução para combater a crise propondo taxar as grandes fortunas, evitando sobrecarregar ainda mais os pobres, a nossa gestão pública federal nada fala sobre a busca de recursos. A única saída conhecida do presidente Bolsonaro para a população é a liberação geral das atividades do comércio e dos serviços. Ele até desabafou numa live dizendo que “é impressionante como só se fala em vacina, né?” Ah, mas para mostrar uma taxação tupiniquim, a Receita Federal aumentou o imposto sobre os livros.
Uma notícia sobre a onda de mortes na Índia nesta pandemia pode desviar a atenção do nosso problema. O temporário deslocamento geográfico do epicentro serve como um alerta geral. A Covid-19 não escolhe suas vítimas por critérios políticos ou ideológicos. O fato de ser produtor da vacina contra este vírus não impediu a ação devastadora. Daí que os Estados Unidos e a Europa já anunciaram o envio de ajuda como oxigênio, insumos e medicamentos. Essas ações mostram que o momento é de solidariedade e não de política. Que se forme uma corrente mundial!

J R Ichihara
27/04/2021

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