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Demétrio Pereira Sena
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DONAS HERMÍNIAS, PAULOS E NÓS
Por: Demétrio Pereira Sena

Demétrio Sena - Magé

Entendo perfeitamente a comoção em massa, quando morre um famoso do bem. Por ele ser figura nacional ou mundial, milhões de pessoas o conhecem, gostam do seu trabalho, sua arte, sua postura pública. Essa pessoa entra diariamente na casa e nos olhos de todos nós, por todas as formas de mídia. É claro que por motivos como preconceito, fanatismo religioso e outros igualmente não plausíveis, muitos detestam essas pessoas, mesmo elas nunca tendo lhes feito mal.

Quando morre um familiar ou amigo não famoso, a comoção é entre família e amigos; não há como ser pública, a menos que seja uma tragédia que chegue às grandes mídias. Quando isso acontece, a comoção também é maciça. Já lamentei profundamente a morte de cantores, escritores, até políticos e outras figuras públicas que me comoveram com seus feitos. Lamentei muito, por exemplo, quando falecem a Elis Regina, embora eu fosse bem jovem. Também me consternaram as mortes de Carlos Drummond de Andrade, João Ubaldo Ribeiro, Gonzaguinha, Gonzagão e Dina Sfat. Admirava tanto Leonel Brizola, Darcy Ribeiro e Dona Ivone Lara, que chorei secretamente suas mortes. Igualmente, há muitas figuras públicas vivas que me farão chorar, caso morram antes de mim, pelo quanto as admiro e me comovo com sua obra; sua história. É o caso da Dona Laura Cardoso, Chico Buarque, Zeca Pagodinho, Dilma Rousseff, Carlinhos Brown, Maria Bethânia, Martinho da Vila...

Se a comoção é pública, é porque a pessoa é pública. Ninguém ama um famoso mais do que a própria família... só admira (e algumas vezes, compreensivelmente até ama) o famoso. A comoção coletiva e massificada pelas mídias acentua o fervor das manifestações. Aqueles populares que fazem dramas públicos espetaculosos e desnecessários pelas mortes de famosos, fazem o mesmo em qualquer ocasião parecida, seja com famosos, amigos ou familiares. Só a ingenuidade - para não ser ofensivo - não entende isso... e não entende a comoção em torno da Dona Hermínia, maravilhosa personagem do Paulo Gustavo, que fez o Brasil rir, se comover e depois chorar sua morte, junto à morte do ator. Eu também me apaixonei por Dona Hermínia... uma mulher simples; mãe sábia, extremada e forte como foi minha mãe, o que me fez amar extensivamente o próprio Paulo.

Ao chorarmos tragédias coletivas cujas vítimas não sabemos quem são, nem temos como chorar por nomes e rostos, mas pela tragédia... os seres humanos que morrem, sejam eles quem forem. Quando as vítimas têm nomes e rostos, aí sim, sabemos por quem choramos... como sabemos quem foi o Paulo Gustavo, mais uma vítima da pandemia... alguém que nos conquistou. Nosso amor pelos nossos não foi substituído... foi generosamente estendido à Dona Hermínia... ao Paulo.

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