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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Jornalismo
 
Mais uma da imprensa comunista?
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Quem tem medo da verdade?

Em meio a uma pandemia que já matou mais de 425 mil brasileiros, provocando até uma CPI para apurar as responsabilidades, soube-se que o governo federal mantinha um orçamento paralelo para atender às exigências do Centrão, o grupo parlamentar que lhe dá o apoio no Congresso. Fala-se em R$ 3 bilhões envolvidos na compra de tratores superfaturados pelos apoiadores do presidente Bolsonaro. A notícia chegou ao conhecimento público através do jornal Estado de São Paulo, o Estadão, mas o escândalo ainda não ganhou nenhum rótulo costumeiro.
A mídia que tanto bateu nas gestões anteriores por causa das denúncias de corrupção, principalmente nos petistas, citando os casos como “mensalão” e “petrolão” não tratou o assunto com termos desse tipo. Mas nas redes sociais o caso já é citado como “tratorão” – o brasileiro é sempre muito criativo. Da mesma forma que o usual “Pixuleco” recebeu o respeitoso nome de “Orçamento Secreto”. Isso, num governo que se autointitulou imaculado de corrupção, o exterminador do toma lá, dá cá e outras moralidades mais, é alvo de críticas e questionamentos.
Mas as denúncias passam longe de qualquer preocupação palaciana, assim como a CPI da Covid-19, segundo o comportamento da cúpula do poder. Talvez seja considerada mais uma tentativa da mídia comunista para desestabilizar o governo que veio para consertar tudo que estava errado. A própria mídia, antes tão empenhada em combater a corrupção, procura manter um clima em baixa temperatura e os adjetivos dentro do respeito que todos merecem. Será que o ímpeto na busca da seriedade com os recursos públicos foca somente no combate à pandemia?
O fato é que o país está focado nos depoimentos dos convocados para depor na Comissão da CPI no Senado Federal. Ontem (12/05/21) ouviu-se o ex-secretário da Comunicação Fabio Wajngarten. Ele foi convocado porque disse numa entrevista à revista Veja que houve incompetência da equipe do Ministério da Saúde na aquisição de vacinas da Pfizer. Negou que falou isso, mas a editora postou um áudio da entrevista desmentindo o depoente. Por essa e outras contradições o relator pediu a sua prisão, que foi negado pelo presidente da Comissão da CPI.
Uma intervenção do senador Flavio Bolsonaro, um dos filhos do presidente da República, para defender o ex-secretário da Comunicação sob a ameaça de prisão, aumentou a temperatura do ambiente. Criticou a atitude do relator Renan Calheiros e o chamou de vagabundo. O caldo entornou de vez e a sessão foi suspensa para os ânimos se acalmarem. Alguns jornalistas que acompanham as sessões parlamentares disseram que nunca haviam presenciado um episódio igual ao ocorrido, mostrado ao vivo para todo o território nacional. Por que não saber a verdade?
No retorno à Sessão, o presidente da Comissão da CPI Omar Aziz leu um documento que será encaminhado ao Ministério Público sobre o depoimento do ex-secretário, onde solicita que seja verificado se nas contradições do depoente aplica-se a penalidade exigida pelos senadores que pediram a sua prisão. Alguns comentaristas sobre política disseram que a negação da prisão, pelo presidente da Comissão, provocou uma leve trinca no grupo que atua para mostrar que houve descaso do governo federal no combate à pandemia, mas não houve uma divisão irreversível.
A grande contribuição do depoente foi a apresentação da carta da Farmacêutica Pfizer, datada de 12 de setembro de 2020, encaminhada ao Presidente da República, com cópias para o vice-presidente, para os ministros da Economia, da Saúde e da Casa Civil, e para o embaixador do Brasil nos Estados Unidos oferecendo vacinas, que ficou sem respostas. Foi neste vácuo que o ex-secretário entrou, segundo ele, para trazer as vacinas para o povo brasileiro. A sessão terminou com um alerta pessoal do presidente da Comissão ao depoente sobre a sua postura.
Infelizmente a esperança depositada nas urnas eleitorais pelos que ainda acreditam num país melhor para todos continua sendo o sonho de consumo do brasileiro. Àqueles que ainda acreditam que os desmandos, a corrupção e tudo mais é uma exclusividade de um determinado partido político, os fatos estão mostrando que o discurso precisa mudar. Da mesma forma que a mídia, agora ameaçada e desrespeitada publicamente pelo atual governo, antes mestra em exigir transparência de todos, vive com o rabinho entre as pernas. O que sempre estará acima de todos?

J R Ichihara
13/05/2021

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