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Artigo
 
A EDUCAÇÃO E O FUTURO DA GERAÇÃO TABLET
Por: ROSANGELA MALUF

O futuro da geração "tablet"

Quais as providências que nós, governo e iniciativa privada, temos tomado para assegurar à novíssima geração uma educação interessante, motivadora e colaborativa? É preciso correr, ainda dá tempo!


Gabriela acabou de completar dois aninhos. É uma menina tranquila, calma e muito esperta para a sua pouca idade, É a única netinha de uma grande amiga e fico surpresa com a sua desenvoltura e habilidade tecnológica. Ela apanha o smartphone da avó e pede a "xenha". Aproxima-se de mim e com o dedinho em riste toca a tela repetidas vezes antes de anunciar "galinha malelinha". Sorri e dança apontando a tela, feliz da vida! Em seguida, me avisa "gabi" e continua passando as telas até chegar à sua própria foto. Gabriela, você me enche de alegria e de preocupação...

Introdução

Estamos, todos nós, assistindo a uma revolução que se instalou e, que silenciosa, avança absurdamente sem que façamos nada para melhor gerenciá-la. Fico me perguntando o que interessará a essa criança daqui a alguns poucos anos. O que será capaz de despertar sua atenção, interesse e concentração. Certamente, uma sala de aula, não! Um professor e um quadro verde, também não! Atividades pouco interessantes, ainda que solicitadas pelo mestre, não lhe atrairão em nada e nós aqui, assistimos ao avanço incontestável dessa meninada sem pensar que o futuro dela é agora, é hoje mesmo, é já...

Dentro de pouquíssimo tempo, como serão os professores de milhares de gabrielas espalhadas pelos grandes centros do Brasil? Com que preparo e qualificação serão colocados em uma sala de aula. Haverá salas de aula? Laboratórios de informática desde a pré-escola? Orientadores, supervisores, diretores, senhores pedagogos...Psicólogos que futuro vocês preveem para Gabriela? Confesso que não sei e me preocupa muito.

O mundo dos tablets é uma realidade inquestionável. Veio para ficar e já está aqui. Mas a tecnologia não opera milagres, é preciso muito mais do que investimentos em equipamentos.

Preocupa-me principalmente a qualificação do corpo docente. Como prepará-lo para o dia a dia com esses alunos tão especiais? O que restará do ensino tradicional, o que será deletado? Do que ficar, o que será adaptado a esses novos aprendizes?

Desenvolvimento

Há algum tempo as empresas e governos vêm investindo em inclusão digital, termo este que indica melhoria da qualidade e das condições de vida de um determinado grupo (comunidade ou região) com a ajuda da tecnologia. Ainda que seja atingido o propósito de uma informação democratizada e o acesso à tecnologia para todos, a experiência tem nos mostrado que não basta apenas navegar pela internet. Quais benefícios poderão ser levados por essa nova habilidade desenvolvida? Em que medida essas crianças e jovens adultos terão maiores condições de obter no futuro, melhor emprego e renda? O conhecimento de novas tecnologias lhes permitirá assegurar melhores condições de vida para si própria e para sua família?

Para termos uma ideia do avanço numérico na utilização da internet, de 2005 para 2011, o total de pessoas que utilizou a Internet aumentou 143,8%, ou seja, em seis anos o crescimento foi de 45,8 milhões de novos usuários. Dos mais de 61 milhões de domicílios brasileiros, no mesmo ano, 36,5% (ou mais de 22 milhões) tinham microcomputador com acesso à Internet. Só no ano de 2011, 77,7 milhões de brasileiros com 10 anos ou mais de idade acessaram a Internet, 10 milhões a mais de internautas que em 2009.

Em 2006, a União Internacional de Telecomunicações, órgão ligado à Organização das Nações Unidas (ONU) que mede o acesso dos cidadãos de 180 nações à Sociedade de Informação, registrou um crescimento de 35% no Índice de Oportunidade Digital (IOD) do País, em apenas quatro anos, colocando os brasileiros em sétimo lugar nesse ranking mundial.

Ainda que o percentual de lares, com acesso à internet, venha crescendo em todas as camadas da população, continua sendo enorme o número de lares sem computador. O acesso pago, via lanhouses, permite que a pessoa possua seu próprio e-mail, participe de uma rede social e sinta-se incluída digitalmente. Mas isso é apenas uma parte da nossa realidade!

Voltando ao exemplo dos milhões de gabrielas brasileiras, como preparar o novo professor que irá cuidar do aprendizado dessas crianças? Como possibilitar a todas elas, seja no ensino privado ou na escola pública, a iniciação ao estudo básico de introdução à informática? Como delegar tarefas simples do cotidiano para que possam desenvolver o raciocínio e o domínio dessas novas tecnologias?

Ainda que tenhamos apenas perguntas, a função da escola será sempre a de levar o aluno a compartilhar suas experiências, produzir o conhecimento de maneira independente, individual ou coletivamente interagindo com seus pares e com o mundo externo. Poderíamos então, diante desse cenário, iniciar pela adoção dos tablets como ferramenta fundamental na rede pública de ensino como um primeiro passo para a inclusão digital dessa nova geração que já está aí...

Outro aspecto merece ser avaliado: em nossa realidade, o aluno não aprende, lê mas não compreende, não interpreta, não reflete e nem conclui por si só. Alguns questionamentos nos levam a uma profunda reflexão: a inclusão dessa tecnologia traria benefícios distintos para o aprendizado do aluno? Faria diferença para o nível de aprendizagem, estudar em um livro tradicional ou em um livro digital? Qual a melhor metodologia de ensino a ser adotada?

Não bastaria um livro eletrônico, faz-se necessária uma intensa reforma dos métodos tradicionais. Quem sabe, uma reforma pedagógica, envolvendo correntes diversas, entidades superiores, uma discussão abrangente nos mais diversos níveis buscando objetivos educacionais, maiores!

Conclusão

Não é saudável a crença de que as novas tecnologias serão por si só, capazes de livrar-nos de todas as mazelas que a educação vem trazendo consigo, há décadas. O sistema brasileiro, de modo geral, acumula deficiências e atrasos desde muito tempo.

Considerando o ensino fundamental como o principal pilar de sustentação, nossas dificuldades começam pela total e absoluta falta de infraestrutura. O transporte precário, instalações inadequadas, merenda escolar dependente das prefeituras até os cortes sistemáticos de água e luz. E mais: a péssima remuneração ao professor, ausência de um plano de carreira, falta de investimento em especialização, qualificação e treinamento até o despreparo desses profissionais para lidar com a violência que geralmente permeia grande parte das comunidades, carentes ou não, e também com a crescente agressividade de alunos.

Algumas mudanças e alguns avanços têm sido praticados por instituições privadas e começando por aí, o Brasil terá, quem sabe, condições de superar esse imenso atraso. Se não nos planejarmos e iniciarmos um plano de ação para "ontem" correremos o risco de deixar, grande parte dos alunos do ensino fundamental, na condição de eternos aspirantes à inclusão digital.

É urgente, urgentíssimo que o governo assuma seu papel de coordenador desse grande projeto sendo protagonista desta iniciativa que é de toda a sociedade civil organizada para que não percamos o bonde da história...que já está passando, diante de nosso olhar assustado!


Referências Bibliográficas

• REBÊLO, Paulo Inclusão Digital: o que é e a quem se destina? Webinsider, Maio 2005.
• FREIRE, Robson. Mudança ou enganação?, Professor Digital, SBO, 2013. Disponível em:
• ONID – Observatório Nacional de Inclusão Digital,


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