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Fernando Soares Campos
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O pintassilva aquilino e o tucano condottiere (A fábula que Esopo perdeu)
Por: Fernando Soares Campos




por Fernando Soares Campos

Um pintassilva alçou voo do seu ninho na copa de uma caatingueira, com o propósito de emigrar do Nordeste de Absurdil, sua subdesenvolvida pátria, para qualquer parte do Planeta, em busca de farinha, xerém ou, com muita sorte, alpiste, que andavam escassos, em vista da seca que castigava seu torrão natal.

Chegando a Sun Palo, maior cidade do Reino Unido do Pau-Brasil, o pintassilva notou que os pardais que ali viviam adaptaram-se aos costumes da vida urbana e, por isso, conseguiam sobreviver empregando artifícios pouco convencionais aos de sua espécie.

No princípio o pintassilva de arribação decidiu se comportar como os pardais urbanos, fazendo malabarismo nos faróis de trânsito, capturando insetos e catando migalhas de pão que escapavam das vistas e bicos dos espertos pardais.

Certo dia o pintassilva pegou carona numa corrente de ar poluído e foi parar numa cidade portuária localizada no litoral daquele reino. Foi lá que ele, pela primeira vez, comeu uma isca de polvo deixada numa mesa à entrada de um restaurante especializado em frutos do mar. O polvo estava estragado, mas, sabe-se lá por que cargas d’água, o alimento provocou uma reação no seu organismo, gerando fenômeno nunca antes detectado pela ciência: deu-se, então, um processo metamórfico, e o raquítico pintassilva retirante da seca se transformou numa águia.

O tempo passa, o pintassilva voa...  

A fauna do Reino Unido do Pau-Brasil estava sendo governada por um tucano travestido de condor...

O PinTassilva, agora metamorfoseado em águia, tornou-se líder dos pardais e, encabeçando movimento revolucionário nunca antes exitoso naquele país, conseguiu destronar o tucano condottiere e assumir os destinos da nação.

O aventureiro tucano havia deixado o país no mais lamentável estado de penúria, nunca antes registrado pela História, submisso aos ditames da FMI (Fauna Mamífera Internacional) e empobrecido pela pilhagem a que os seus autóctones comparsas se aventuraram durante muitos anos, saqueando os cofres públicos e vendendo quase todo o patrimônio do reino a preço de banana na hora da xepa.

Já no segundo mandato de governo, o PinTassilva Aquilino havia conseguido resgatar da miséria boa parte dos pardais, até prometera construir um milhão de novos e decentes ninhos, onde eles pudessem se reproduzir e criar seus filhotes com dignidade.

O invejoso tucano vivia o ostracismo a que os governantes corruptos devem ser relegados (sem prejuízo das ações penais às quais a lei possa submetê-los). Porém... eis que o empalhado tucano sai de sua alcova e, com a ajuda de um bando de urubus malandros, investe em revoada contra o governo democrático do PinTassilva aquilino.

Contudo, por onde os urubus chefiados pelo tucano depenado passavam, toda a fauna se manifestava em retumbante protesto:

– Pipipipipi... Piratas! – piavam os pardais.

– Corru... corru... corru... corruptos! – arrulhavam os pombos.


Moral da história nunca antes moralizada: Quem tem telhado de vidro pode até jogar merda nos outros; mas, pedra, jamais!

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