A casa dos grandes pensadores

Bem-vindo ao site dos pensadores!!!

| Principal |  Autores | Construtor |Textos | Fale conosco CadastroBusca no site |Termos de uso | Ajuda |
 
 
 

 

JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
Publicações
Perfil
Comente este texto
 
Artigo
 
Retificação presidencial devolve a credibilidade?
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Quem não é coveiro pode cavar a sua própria cova

Em mais uma de suas declarações típica de palanque de campanha eleitoral, o presidente Bolsonaro desqualificou as informações sobre o total acumulado de vítimas fatais na pandemia brasileira. Afirmou para os fãs incondicionais, sob os aplausos e gritos de Mito, que o número verdadeiro é 50% do informado pelo TCU. O efeito midiático junto aos apoiadores foi passageiro porque ele mesmo teve de reconhecer que cometeu engano, mas não teve a dignidade de pedir desculpas publicamente, como é do conhecimento da população que já se acostumou com isso.
Portanto, segundo ele, os mais de 474 mil mortos pela Covid-19 seriam, na verdade, cerca de 237 mil, o que não seria pouco, mas passaria a impressão de uma clara intenção de conspirar contra a sua gestão no combate à pandemia. O que se pode perceber com as declarações sem fundamento, mas de impacto calculado para desviar a atenção, é que as consequências de seu comportamento só apontam a credibilidade para o fundo do poço. Quantos ainda acreditam nas suas falas sobre o interesse pessoal para imunizar a população? Parece que a ficha não caiu!
A insistência dos opositores na CPI da Pandemia sobre o “Gabinete Paralelo” ganhou forma e conteúdo quando exibiram um vídeo onde o próprio presidente Bolsonaro preside uma reunião com os que defendem a imunização de rebanho e o tratamento precoce com medicamentos cientificamente comprovados como ineficazes. Nas imagens aparecem o médico e deputado Osmar Terra, a médica Nise Yamaguchi e o virologista Paolo Zanoto. As declarações deixam claro que não havia nenhuma intenção de vacinar as pessoas. Ainda resta alguma dúvida?
O que está se revelando sobre a transparência deste governo é de uma decepção sem igual na história política do nosso país. Orçamento secreto, Gabinete do Ódio, Aconselhamento Paralelo e Exército Particular. A suspeita de grupo miliciano, que exerce influência no dia a dia, é motivo de preocupação dos que temiam a volta da tortura e do amordaçamento dos meios de comunicação. Aliás, o próprio presidente Bolsonaro declarou, quando ainda candidato, que é a favor da tortura, do fechamento do Congresso e da morte dos que se opõem à situação. Portanto...
Mas as declarações de alguns governistas nesta CPI da Pandemia mostram que a tão valorizada luta pela vida permite uma interpretação muito longe disso. Um senador do Maranhão, via remota, elogiou a atuação do ministro da Saúde porque enviou 300 mil doses a mais para atender o seu estado. Se o Plano Nacional de Imunização não discrimina nenhuma unidade da federação, por que a atitude normal diante de uma emergência merece reconhecimento público? A situação vexatória por essa falta de vacinas é uma consequência do Aconselhamento Paralelo.
Quem desconhece o comportamento diametralmente oposto do presidente Bolsonaro sobre as recomendações do ministro da Saúde? Talvez a sua articulação política para usar todos os recursos disponíveis nesta batalha contra a Covid-19 receba um balde de água fria a cada declaração ou aglomeração incentivada pelo seu chefe. As respostas sobre a incoerência entre o que ele fala e o que o líder do país faz, é de desestimular qualquer ser humano com um mínimo de bom senso – não é o censor do presidente da República e só está fazendo a sua parte.
Como miséria pouca é bobagem, a população ficou sabendo que os chefes de setores estratégicos do Ministério da Saúde também seguem a cartilha do Aconselhamento Paralelo. São pessoas que apoiam totalmente o tratamento precoce, mas não foram substituídas porque, segundo o titular da Pasta, ainda não deram motivos para isso. Sobre a doutora Luana Araújo, o ministro disse que, apesar da sua qualificação, a presença dela não seria importante para a harmonização deste contexto. Daí a não efetivação no cargo. Sobrou autonomia e “juízo de valor”!
Descobriu-se que o “equívoco” presidencial na verdade foi um documento forjado para mitigar a falta de compromisso deste governo na aquisição de vacinas. Adianta valorizar a atuação do ministro da Saúde para vencer esta luta contra o vírus, se o dono da caneta Compactor pensa e age totalmente contra? Por que aceitar a realização da Copa América no nosso país quando se fala na proximidade de uma nova onda? Alguns senadores alertaram que os países que sediam eventos esportivos tomaram suas providências para isso. Quem nos aconselhou nesta decisão?

J R Ichihara
09/06/2021

 Comente este texto
 Paralerepensar


Comentário (0)

Deixe um comentário

Seu nome (obrigatório) (mínimo 3, máximo 255 caracteres) (checked.gif Lembrar)
Seu email (obrigatório) ( não será publicado)
Seu comentário (obrigatório) (mínimo 3, máximo 5000 caracteres)
 
Insira abaixo as letras que aparecem ao lado: ZHge (obrigatório e sensível. Utilize letras maiúsculas e minúsculas;)
 
Não envie mensagem ofensiva e procure manter um intercâmbio saudável com o seu correspondente, que com certeza busca dar o melhor de si naquilo que faz.
Seu IP será enviado junto com a mensagem.