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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Certezas entre os 800 e os 500 mil mortos?
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

A inutilidade de um número grandioso sem uma comparação


Os senadores governistas desta CPI da Pandemia chegam ao extremo de afirmar que graças ao tratamento precoce o país salvou 16 milhões de vidas. Segundo este raciocínio, as atuais 500 mil mortes poderiam ser significativamente reduzidas caso dessem importância aos estudos dos médicos Ricardo Zimerman e Francisco Alves. Por isso, eles foram ao Senado Federal, como convidados, para explicar as evidências cientificas que sustentam a alternativa além da vacina. Será que o mundo também ignora este feito extraordinário num cenário assustador?
A forma como a CPI da Pandemia chega ao povo brasileiro confunde os que vivem entre a incerteza do Plano Nacional de Imunização e as manobras políticas que se apoderaram da crise para obter os dividendos eleitoreiros. Afirmar que só chegamos ao número espantoso de vítimas fatais porque houve descaso com o uso do tratamento precoce é leviano. Da mesma forma que defender que o batalhão de sobreviventes foi por causa disso. O fosso entre a verdade e a mentira separa os defensores e os críticos da cloroquina e da vacina – pena que só as mortes são reais.
Mas o que chamou a atenção dos telespectadores foi o abandono da sessão pelos opositores do governo federal, inclusive do relator senador Renan Calheiros, durante as apresentações dos médicos defensores do tratamento precoce. A atitude foi amplamente criticada pelos governistas. Para jogar mais lenha na fogueira, a mídia veiculou que a médica Nise Yamaguchi, uma citada como integrante do Gabinete Paralelo, vai processar o presidente da CPI e o relator, alegando que recebeu tratamento desrespeitoso quando depôs nesta Comissão.
Infelizmente para os leigos que perderam amigos e familiares, as cenas de bate boca e ofensas de parte a parte pouco esclarecem o porquê da situação que o país se encontra. A campanha de vacinação é confusa, a desistência para tomar a segunda dose aumenta a cada declaração do presidente da República questionando a eficácia do imunizante, mas as vítimas fatais crescem sem parar. Expectativas negativas ganham importância por causa da insistência de alguns apoiadores do comportamento do governo federal. O vírus não é o único perigo?
Para os que gostam de analisar números, soa estranho afirmar que o tratamento precoce foi o responsável por salvar 16 milhões de infectados. Este montante corresponde ao total acumulado desde o início, segundo o painel do Ministério da Saúde. Noves fora algum desvio insignificante, o Brasil exibiria orgulhosamente 100% de sobrevivência se adotasse o uso do kit covid, desde que o vírus desembarcou aqui. Se juntarmos com os 500 mil que morreram e seriam salvos, os doutores Zimerman e Francisco Alves, não merecem um honroso Prêmio Nobel?
Como a vida deve seguir em frente, diz o ditado, precisamos manter a visão holística sobre a situação do país. Portanto, ouvir do superministro Paulo Guedes que os famintos deveriam se alimentar das sobras da classe média, revela o que há de mais ofensivo na desqualificação do ser humano. O que isso significa quando ele orgulhosamente declara que estamos melhorando? Melhorando em que, cara-pálida? Se o país ouve isso do comandante da economia, aquele que deveria injetar esperanças na população... Como acreditar no interesse geral acima de tudo?
Uma marca que ficará para sempre neste governo é a diferença entre as 800 mortes previstas e as mais de 500 mil confirmadas, por causa da pandemia. Adianta tentar validar uma afirmação sem qualquer aceitação do mundo científico, citando que o tratamento precoce salvou mais de 16 milhões de infectados, se a sabotagem na aquisição e produção de vacinas ficou patente nesta gestão? Mais incompreensível ainda são as motociatas organizadas para exibir as manifestações de apoio ao presidente Bolsonaro. Elas protestam contra as medidas preventivas?


J R Ichihara
21/06/2021

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