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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Vítimas circunstanciais ou intencionais?
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

O resultado de quem brinca com fogo


A mídia deu relativa importância à caçada do foragido Lázaro, dividindo algum espaço com o desenrolar da CPI da Pandemia. Por que isso? O fato é que o desfecho do procurado era mais do que esperado – poucos duvidavam que seria morto a tiros. Quando o final do caso chegou ao conhecimento público, como sempre, as opiniões divergiram radicalmente. Bandido bom é bandido morto, opõe-se a merecia um julgamento. Portanto, a polícia não fez mais do que a sua obrigação para manter a ordem, o respeito às leis e à segurança da população – cancelou o CPF!
Quem apoia a execução do procurado que ocupou alguns minutos nos noticiários deve se basear na dor que o banido causou aos familiares das suas vítimas. Pouco adiantou que a sua mãe também sofreu. Mas o que deixa margens para o questionamento é a justificativa que ele resistiu ao cerco, trocando tiros com os policiais, sendo atingido por vários disparos, vindo a falecer. Será que havia a intenção de capturá-lo vivo? A inteligência e o preparo das corporações chegaram ao limite do permissível, não restando uma alternativa? Como saber? Mortos não falam!
Voltando algumas páginas na história desse tipo de ocorrência, relembra-se o caso do ex-capitão Adriano, morto numa fazenda no interior da Bahia durante uma operação para prendê-lo. Ele ficou conhecido por denúncias de integrar um grupo miliciano que atuava no Rio de Janeiro. Tinha ligação com a família Bolsonaro e suspeita de participação no assassinato da vereadora do Rio de Janeiro Michelle Franco. Por que não atuar de forma a capturá-lo vivo, pois poderia ajudar no esclarecimento de um crime que ficou sem solução? Havia outros interesses por trás disso?
O relato de casos semelhantes poderia se estender e preencher várias páginas, mas a decepção é que isso não tem data para mudar de rumo. Quem se lembrará do Lázaro dentro de poucos dias? Como saber quem tinha interesse na sua morte? Uma coisa é indiscutível: ele foi usado por causa do seu desequilíbrio emocional sobre a vida alheia. Provavelmente algumas ações estavam a serviço de alguém que não queria sujar as mãos. Mas depois tornou-se um arquivo inconveniente e mais protegido se fosse apagado – ou queimado, segundo a prática.
Engana-se redondamente quem acha que os poderosos se esforçam para esclarecer casos inaceitáveis pela sociedade, especialmente assassinatos, corrupção, sonegação e outros comportamentos que mancham a idoneidade ética e moral. O jogo de poder é tão envolvente que exige um raciocínio onde ninguém é santo na estória que contam. Por que alguém obscuro, sem qualquer destaque anterior, surge nas entranhas da máquina administrativa, onde circula muito dinheiro? Isso resume o ditado que “se o jabuti está em cima da árvore, alguém o colocou lá”.
Infelizmente apresentar provas sobre algo não significa que são verdadeiras e inquestionáveis. Afinal o fato de alguém mostrar um documento não descarta que seja uma falsificação muito bem-feita. Quantas obras de arte valiosíssimas podem ser consideradas autênticas? Daí que acusar e inocentar baseado em algo questionável é arriscado. Por isso que alguns esquemas de corrupção são muito bem planejados, engenhosamente construídos e precisamente executados, necessitando de analistas muito bem-preparados para analisá-los.
Diz-se que a necessidade é a mãe de algumas escolhas. Se isso justifica o desvio da retidão é questionável, mas nada melhor que a própria vítima para esclarecer a sua decisão. Jogar pedras nos outros é muito fácil, principalmente quando a situação pessoal é cômoda e privilegiada. Mas será que todos teriam a mesma opinião se estivesse no lugar do censurado? Se quem tem fome e sede precisa de água e comida... Qual é a alternativa quando alguém lhe oferece isso? A sinuosa linha que separa o certo do errado permite abrigar uma extensa lista de explicações.


J R Ichihara
03/07/2021

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