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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Ignorando outros acontecimentos por causa da CPI
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Os fornecedores de cortinas de fumaça


Tornou-se inegável que a CPI da Pandemia busca explicações para tantas mortes no Brasil e prende a atenção da população a cada depoimento no Senado Federal. Afinal já ultrapassamos as 530 mil pessoas que se foram nesta crise sanitária. Mas o que chama a atenção dos que demonstram interesse nos esclarecimentos é o comportamento dos depoentes. Enquanto alguns nada sabiam, muito menos tinham responsabilidade sobre os contratos para aquisição da Covaxin, outros falam tudo o que sabiam e como atuaram neste processo. Investigação é isso.
A ex-coordenadora do PNI, o Plano Nacional de Imunização, deixou claro que não tinha como elaborar um trabalho sem a vacina e com uma campanha muito aquém da necessidade. Não se negou a afirmar que as ações do líder do país tirava toda credibilidade do esforço dos profissionais da área de saúde. Por isso, Francieli Fantinato preferiu deixar o cargo. Sua participação como depoente foi tão útil que a Comissão resolveu alterar a sua condição de investigada para testemunha. Seria muito bom que todos agissem desta forma neste processo.
Talvez o nervosismo e a retaliação por causa de declarações comprometedoras sirvam de um freio para alguns depoentes. O que se viu no depoimento do técnico do Ministério da Saúde William Santana, que não é servidor concursado, foi bem diferente da ex-coordenadora. Ele se reservou ao responder algumas perguntas por motivos compreensíveis para quem não tem uma estabilidade legal. Mas não negou que os erros na invoice da Covaxin foram bem superiores aos anteriores com as quais lidou no cargo. Quantos agiriam diferente dele em tal situação?
O fato é que se chegou a um ponto em que somente uma perícia sobre os documentos apresentados pelo secretário Onyx Lorenzoni e os que o deputado Luís Miranda afirmou ter entregado ao presidente Bolsonaro. À parte a cronologia questionada, o máximo que o William poderia afirmar é que um invoice passou por suas mãos e o outro não. Houve uma tentativa de forçá-lo a uma afirmação, mas qualquer um em seu lugar fugiria de algo tão comprometedor. Sabe-se que o país está cheio de corajosos, desde que as suas declarações sejam levadas pelo vento.
Mas o mundo não gira em torno da CPI da Pandemia. A mídia divulgou o assassinato do presidente do Haiti Jovenel Moise, a tiros, na sua residência, e de Samuel Luiz Muniz, um brasileiro de 24 anos que vivia na Espanha. Os fatos chocaram numa intensidade proporcional a frequência que ocorrem. Não é todo dia que um presidente de um país morre desta forma. Sobre o rapaz morto na Espanha, chegou ao conhecimento público que ele foi espancado até a morte, ao sair de uma boate, porque era gay. Alguém ainda se espanta ao ouvir uma notícia envolvendo isso?
Portanto, o foco nesta CPI está deixando de lado outros acontecimentos que impactam no dia a dia presente e no futuro. Quantos estão dando importância à privatização 100% dos Correios? Aos sucessivos aumentos de gasolina, óleo diesel e gás de cozinha? Por que a inflação em alta não preocupa mais ninguém? Como a maioria está vendo a ameaça de racionamento de energia elétrica? Investigar os descasos no combate à pandemia é importante, mas que não se perca de vista outros assuntos que também interessam ao povo. É hora de focar no voto impresso?
Infelizmente em cima de alguns depoimentos na CPI no Senado Federal, os governistas aproveitam para confundir a opinião pública. Agora dizem que sempre houve a preocupação na aquisição de vacinas, que o país já tem milhões de vacinados, que os desvios dos governadores e prefeitos nos colocaram nesta situação. Isso é blindagem! Outros ainda insistem no tratamento precoce. Além de todas essas narrativas, ainda tem um comandante da Aeronáutica avisando que “homem armado não ameaça”. Aos fãs dos apelos bíblicos: que Deus tenha piedade de nós!!!


J R Ichihara
12/07/2021

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