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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Isolaram as pontas de fios desencapados?
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

É difícil suportar tanta pressão diariamente

As trocas de farpas entre alguns membros dos Três Poderes, especialmente do chefe do Executivo e do Tribunal Superior Eleitoral, forçou uma reunião a portas fechadas com o presidente Jair Bolsonaro e o ministro Luiz Fux. Sabe-se que há algum tempo o presidente da República insiste no voto impresso. Acusa, sem provas, que houve fraudes em algumas eleições. Exagerou no linguajar quando disse que o presidente do TSE Luís Roberto Barroso é um imbecil, um idiota. Alguma surpresa nisso? O presidente do TSE fez uma apresentação na mídia sobre as urnas.
Diz-se que os desentendimentos que extrapolam a civilidade são provocadas por fios desencapados que se tocam, numa alusão ao que acontece quando se coloca em contato dois condutores elétricos energizados. Mas uma discussão acalorada, sem agressões físicas ou verbais, é comum entre autoridades púbicas quando divergem nas opiniões. Isso é permitido num regime democrático de direito. O problema é que as declarações estão cada vez mais ofensivas, com tom de ameaças e de intimidação – a Nota de repúdio do ministro da Defesa mostra isso.
Talvez as investigações na CPI da Pandemia, o desemprego, a alta da inflação, o aumento da rejeição do presidente Bolsonaro, o racionamento de energia e a campanha de vacinação ineficaz aumente a intensidade das pressões sobre o Planalto. Mas será que a forma de reagir corretamente é agredindo? Viu-se que o discurso do Mito passou a mostrar o lado positivo da sua gestão. Citou o lucro das estatais sob o seu governo, não deixando de citar o prejuízo nas gestões anteriores, falou que não gastou um centavo num dos cartões corporativos e por aí vai.
O que não se entende no Mito é o porquê do comportamento agressivo quando questionado. Se ele, como chefe da nação, se recusa a responder aos interesses da população, apesar de sempre deixar claro sobre quem manda... Para quem direcionar as perguntas? O gestor não deve citar somente os casos bem-sucedidos, sem explicar os casos em que houve insucesso. Cerca de duas décadas atrás, um ministro caiu porque declarou que “o que é bom a gente explora, o resto a gente varre para baixo do tapete”. Não sabia que os microfones estavam ligados!
Um movimento que não encontra justificativa são as manifestações de apoio ao governo Bolsonaro com os motociclistas, as chamadas motociatas. Qual seria o motivo para isso? Apoiar a abolição do uso de máscara em locais públicos? Ou o direito de não tomar a vacina contra a Covid-19? Seria a permissão para aglomerar, de preferência sem máscara de proteção? Conscientizar a população que os sucessivos aumentos de gasolina, óleo diesel e gás de cozinha estão corretos? Intervenção militar? Sinceramente, alguém precisa explicar o que estão apoiando.
Como os opositores veem as viagens para inaugurar obras num momento de crise sanitária que já superou 536 mil mortes? Para muitos, isso é inaceitável. Essas ações são vistas como eleitoreiras, principalmente porque nessas ocasiões ele aproveita para desqualificar os adversários. Os alvos preferidos? A CPI da Pandemia e as gestões anteriores. Sob a ótica da campanha para a reeleição as declarações funcionam, mas ele mesmo sofrerá muitas críticas depois de sair do cargo. Todos estão sujeitos a denúncias na Administração Pública! Portanto...
Mas a notícia que o presidente Bolsonaro foi levado às pressas para São Paulo para cuidar da saúde gerou expectativas no meio político e no país. Segundo a mídia, ele sofreu dores abdominais e foi acometido de soluços. Fala-se que são consequências da facada que levou na época da campanha para eleição presidencial de 2018. Por isso, ele foi submetido a cirurgias para recuperar a região atingida. Num momento desses, a solidariedade humana fala mais alto e todos desejam a sua breve recuperação. Afinal ninguém ficará melhor se o pior acontecer com ele.
Provavelmente este acontecimento vai arrefecer um pouco a temperatura nos ambientes que valorizam o debate, a discussão e o enfrentamento de ideias. Um isolamento temporário das pontas desencapadas dos fios que insistem em se esbarrar. Mas a vida continua e as declarações questionáveis de apoiadores e opositores deste governo, de parte a parte, não tem data para se encerrar. Isso é normal numa democracia, mas o respeito e o comportamento civilizado devem estar acima de qualquer ideologia ou do direito individual. Quantos lutarão para manter isso?

J R Ichihara
15/07/2021

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