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Crônica
 
NOVOS TEMPOS
Por: Valdir Sodré



NOVOS TEMPOS
Valdir Sodré


Definitivamente o termo pandemia invadiu nossos cotidianos e nosso vocabulário corrente. Etimologicamente, a palavra pandemia tem sua origem do termo grego pandemias, no qual o prefixo pan significa tudo, todo ou totalidade e de demos que significa povo. Pandemia é uma epidemia, especificamente falando de doenças contagiosas, que se espalha geograficamente, saindo do seu lugar de origem, e assolando praticamente o mundo inteiro: é o caso da pandemia da Covid-19.
Na verdade, hoje, a contemporaneidade vivencia uma avalanche de pandemias, e não tão somente a pandemia da Covid-19, entre as quais podemos elencar: a pandemia do neoliberalismo, a ambiental, a das fake news, a da fome, a da miséria, dentre outras.
Renato Lima de Oliveira elenca magistralmente como as mais diversas pandemias afligem a humanidade de forma drástica: a cada ano se cometem 6 bilhões de abortos (pandemia da morte). Todos os dias, 820 milhões de pessoas sofrem restrições para uma alimentação adequada (pandemia da fome). Dos quase 8 bilhões de habitantes do planeta, 7 bilhões não conhecem a Cristo (pandemia espiritual). O número de pessoas sem trabalho no mundo irá alcançar os 250 milhões (pandemia do desemprego). Um milhão de pessoas suicidam-se a cada ano (pandemia da desesperança). Os refugiados já somam 70 milhões de pessoas (pandemia da vulnerabilidade). Há países onde o saneamento básico atinge somente 10% dos lugares (pandemia sanitária). A desinformação e as falsas notícias – fake News, estão crescendo nos meios de comunicação (pandemia midiática). Milhões de pessoas vivem sozinhas, sem família e sem esperança (pandemia da solidão).
Diante da possibilidade de uma compreensão reflexiva de que a pandemia da Covid-19 não seja a única, indica-nos uma perspectiva para um ponto de partida para um aprofundamento reflexivo-teórico-metodológico de caráter histórico e filosófico, com uma forte tendência repercussiva relevante para a pesquisa acadêmica. Um olhar refinado de um pesquisador que se debruça sobre dados humanos, sociais, antropológicos, sociológicos e psicológicos certamente obterá ricos dados que nos faz compreender essa tese de múltiplas pandemias.
Como preconiza Cristovam Buarque, o neoliberalismo globalizou as economias, mas não as misérias do mundo. Estas ameaçadoras pandemias se traduzem no enfrentamento das incertezas modernas, que devem ser combatidas com muito rigor e de um desenvolvimento de um senso de alteridade pelos políticos, pela imprensa e pela sociedade civil. Diante desse panorama, cria-se uma pergunta fundamental: existe uma união global para o enfrentamento destas maléficas pandemias? A pandemia da Covid-19 fez despertar no mundo que precisamos ser mais solidários, fraternos e determinantemente corajosos e mais humanos. A Covid-19 afeta a complexa totalidade dos seres humanos, enquanto as demais pandemias prejudicam sobremaneira os mais pobres.
O patamar de seriedade que existe no embate coletivo a todas essas pandemias é altamente alarmante e que necessita de um alto teor de responsabilidade e urgência e que indica uma nova leitura da nossa convivência em sociedade, visto que para tal embate demanda inevitavelmente de um profundo exercício de solidariedade.
Segundo a Positiv Network, a expressão “Novo Normal” tão proclamada pela sociedade para indicar ao que estamos passando explica que nossas rotinas e hábitos usuais sofreram restrições e limitações. Porém pensar assim nos tornou vítimas da situação atual. Sendo assim, o melhor termo para compreender o momento atual seria “Novos Tempos” em que novas rotinas e novos hábitos passam a ser melhores escolhas para viver bem. Pensar assim faz com que tornamos protagonistas da nossa vida diante desse cenário catastrófico.
De fato é uma verdade incontestável que a pandemia da Covid-19 causou um impacto que trouxe não apenas somente uma crise econômica. Ela também causou um choque para uma conversão de mudanças no comportamento e valores das pessoas, além de uma transformação na mudança de pensamento sobre o papel social de uma empresa no mundo, segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas.
O inesquecível geógrafo brasileiro Milton Santos preconizava que a pandemia tecnocientífica, que é alimentada pelas redes de computadores, da informática, da microeletrônica digital, é perversa porque é travestida em fantasias pela mídia corporativa e é conduzida ideologicamente pelo capital transnacional que produz, estende e intensifica o desemprego, a fome, a falta de qualidade de vida, sob o pretexto da liberdade para a competição individualista, para produção do lucro, e para a acumulação da riqueza (SANTOS, 2001).
Segundo Claude Dubar, a identidade nunca é dada, ela sempre é construída e deverá ser (re)construída. O autor aponta que a identidade relacional necessariamente não se consolida isoladamente e, portanto, na contramão da proposta moderna e capitalista de mundo. Esse processo nos indica que precisamos estar cientes e conscientes de que as experiências relacionais se balizam em oportunidades e provações. A pandemia da Covid-19 nos faz refletir na oportunidade de oportunizar novos rumos, novos tempos, num processo de construção identitária solidária e não solitária. Chegou-se o tempo de renascermos e de aproximarmos do Criador como criaturas carentes, frágeis e sedentas por uma força necessária de coragem.





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