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Demétrio Pereira Sena
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CONSIDERAÇÕES PESSOAIS DE FOTÓGRAFO ENSAÍSTA
Por: Demétrio Pereira Sena



Demétrio Sena - Magé

Há um misto inequívoco de libertação e terapia na mulher que procura um profissional para fotografar sua nudez. A libertação está na coragem de se mostrar para si mesma, com todos os engenhos de repressão que a cercam nas ruas, no trabalho, nos meios sociais que frequenta, como a igreja, o clube, o salão de beleza e, muitas vezes, o próprio lar, ainda que essa repressão não seja bruta, ostensiva ou visivelmente violenta. Mulheres são reprimidas pelos homens e também por mulheres que “revendem” toda a repressão comprada nos balcões de uma sociedade patriarcal.
A terapia está na decisão de confiar em alguém, depois de algumas sondagens do caráter, do nível de profissionalismo, seriedade e sigilo – quando se quer sigilo – da pessoa que a fotografará. É necessário que tal pessoa seja revestida pela consciência de que o fotógrafo é uma espécie de psicólogo da imagem. É quem vai trabalhar a justa e necessária vaidade de alguém que talvez se julgue movida pela autoestima, quando na verdade está indo em busca dela. Os momentos em que uma mulher posa nua para as lentes de um fotógrafo são inteiramente seus. De uma solidão absoluta, como se o mundo estivesse ao seu inteiro dispor, e de fato está. Para ela, o fotógrafo nem está ali, ou talvez esteja, mas é um eunuco a serviço de uma rainha que tanto exige quanto merece um respeito quase litúrgico. Acho que o fotógrafo deve se comportar perante sua modelo, como um servo que pode ser decapitado, se vier a faltar com a necessária parcimônia.
Falo como fotógrafo que desfruta da confiança de mulheres que resolvem se desprender do casulo além da roupa, nos momentos de uma terapia do ego e do bem estar pessoal. Que se fazem respeitar com posturas firmes e comportamentos que não deixam dúvidas da idoneidade. Esse conceito já evoluiu tanto, que algumas mulheres os esposos conduzem até a locação e voltam mais tarde para buscá-las. Não querem comprometer ou quebrar a espontaneidade necessária para o ensaio. Conhecem bem suas esposas, como conhecem a si mesmos e são seguros do amor e a cumplicidade que os envolvem. Posar nua tem sentido mais amplo do que mostrar o corpo. Muitas nunca permitem sequer que suas imagens saiam dos pendrives e algumas só me permitem postá-las de formas irreconhecíveis. Ou seja: além de autoestima, é um reconhecimento e afirmação. Um sonho que lhes falta viver, pela própria plenitude feminina. Sem nenhuma vulgaridade.
Trabalhar com a imagem... fazer pessoas felizes.... dar-lhes asas. Captar frestas ou arabescos de suas almas e lhes devolver depois, para que sejam guardados de modo a serem revistos ou revisitados quando a nostalgia pedir. É esse o trabalho do fotógrafo ensaísta, em todas as múltiplas formas de registro. Em cliques de qualquer natureza, contexto ou ocasião. O fotógrafo é um terapeuta; um confidente. Alguém a quem só cumpre a momentânea felicidade plena do outro, embora isso represente a sua felicidade, para que o trabalho seja inspirado e proporcione o devido encanto.

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