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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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O que os Jogos Olímpicos comprovam?
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

A difícil sobrevivência dos nossos medalhistas

Os Jogos Olímpicos que ora acontecem o Japão reforçam a tese de que não há investimentos a longo prazo no esporte como política de inclusão social no Brasil. Sempre torcemos pelo esforço individual dos atletas, incluindo os considerados frutos dos lares dos filhos criados sem a presença paterna, uma “fábrica de desajustados”, segundo o nosso vice-presidente da República general Hamilton Mourão. Mas nem por isso os oportunistas ignoram a chance de faturar os dividendos de algo que não dependeram do apoio deles. Querem um lugar no pódio!
Alguma surpresa nas conquistas dos nossos atletas nesta competição? Se alguém sacrifica o sono para assistir o desempenho deles, madrugada adentro, é porque acredita que a competição extrai forças de onde nem se espera. Ou há uma consciência coletiva de que é mais do que obrigação trazer um avião lotado de medalhas? A verdade e muito diferente disso. Muitos ainda torcem o nariz para os que dedicam uma vida ao esporte – acham uns parasitas sem qualquer utilidade para a sociedade. Outros dizem ser uma furada alocar investimentos nisso.
Num desses programas que acompanham as atividades deste evento, comentou-se que na atual Rússia a seleção dos atletas olímpicos ocorre entre os adolescentes de 13 anos. Nos cerca de 30 centros de treinamento, os futuros medalhistas são orientados por profissionais de acordo com o potencial de cada um. Pela manhã estudam normalmente, mas a tarde é totalmente dedicada à modalidade onde cada um precisa desenvolver as técnicas para competir em alto nível. Na China isso ocorre aos 6 anos e há mais de 300 centros para eles? Só talento não basta!
Mas alguém poderia questionar o porquê do destaque dos quenianos e jamaicanos nas modalidades onde o diferencial é a velocidade em curta e longa distância. Realmente são casos particulares ou exceções que já foram analisados pelos especialistas do mundo inteiro. Talvez uma constituição orgânica que os beneficiem independente de recursos tecnológicos sofisticados para melhorar o desempenho. Será que eles não treinam em centros onde as condições estão muito acima das dos seus países? O aperfeiçoamento só vem com as técnicas adequadas.
Infelizmente as poucas medalhas de ouro conquistadas pelos nossos representantes são produto da persistência e do espírito de luta individual. A menina do skate e o surfista, se buscarem a história deles, nada receberam dos gestores públicos para chegarem ao pódio. Da mesma forma que a vencedora da maratona aquática e dos boxeadores que lutam sozinhos, literalmente, para atingir os seus objetivos. Mas é triste se ver quanto talento desperdiçado por falta de apoio e incentivo. Esperar das empresas privadas uma atenção para este canal de inclusão social?
Dizer que há um enorme apoio ao voleibol e ao futebol de campo é esquecer que muitos dos atletas dessas modalidades já são profissionais e não precisam de bolsa para sobreviver. Portanto, a cobrança por resultados nessas atividades é mais justa que para as demais que vivem à mingua. Alguns atletas da natação e do tênis de quadra, esportes considerados de elite, são bancados pelas suas famílias - o patrocínio só vem depois da fama ao conquistar uma medalha. Muitos são mantidos pelo “paitrocinio” e nem sempre conseguem um lugar no pódio. Então...
Quem ainda sonha com a conquista de muitas medalhas de ouro nas Olimpíadas, sem os investimentos na formação dos atletas, precisa rever as suas expectativas. Ignorar que o esporte é uma forma de inclusão social num país de desigualdades sociais gritantes é de uma miopia impressionante. Muitas crianças e jovens oriundos das camadas mais pobres têm nessas atividades uma das poucas opções de ascensão na vida. O gasto presente seria compensador porque evitaria os desvios para o caminho errado e às vezes irrecuperável. Por que não entender?
Por isso, para alguém que terá uma atividade de curta duração por causa da idade, a vida pós-competições precisa ser muito bem planejada. Num país onde a valorização da atividade esportiva se resume ao futebol de campo profissional, os amantes do espírito olímpico conhecem a realidade quando deixam tudo isso para trás. A maioria não teve tempo para conquistar outra qualificação para garantir o seu sustento. Os que não conseguem ganhar prêmios em dinheiro, além das medalhas para encher a sala de troféus, precocemente são esquecidos. É ouro?!!!

J R Ichihara
06/08/2021

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