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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Afeganistão, Haiti e Brasília nos holofotes da mídia
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Ditadura ou governo omisso é ruim em qualquer lugar do mundo

A semana em curso sofreu mudanças nos noticiários da mídia tradicional. Por um momento a troca de farpas entre os Poderes Executivo e Judiciário, em Brasília, cedeu espaço para ocorrências internacionais como a saída dos Estados Unidos do Afeganistão e o terremoto no Haiti. Daí que teve um dia exclusivo com a TV exibindo o discurso do presidente Joe Biden justificando o porquê da retirada das tropas do Tio Sam que mantinham o Talibã longe do poder. A tragédia no Haiti teve uma repercussão menor, mas também chocou o mundo pela devastação.
Quem gosta de fundamentar seus argumentos e opiniões sobre determinados assuntos tem fontes de informações para isso. Julgar o ato de deixar o caminho livre para a volta de um regime opressor, onde os direitos das pessoas é mínimo, sendo pior ainda para as mulheres, como uma decisão acertada é questionável. Ver o desespero das pessoas querendo entrar no avião para sair do país, assim como as cenas mostrando os novos donos do poder espancando as pessoas nas ruas, chocam pela impotência dos desprotegidos entregues à própria sorte.
O que o mundo ouviu do presidente do país mais poderoso do planeta foi que ele apenas cumpriu uma promessa de antes de eleito. Disse que 20 anos evitando um problema que não era dele, gastando dinheiro do contribuinte americano, inclusive treinando soldados do Afeganistão e equipando este país, precisava chegar ao fim. Simples assim! Claro que houve críticas de alguns líderes. Mas o que chamou a atenção foi o pronunciamento da China declarando apoio ao novo governo no país atingido pela instabilidade política. Briga de cachorro grande? É esperar para ver.
Muitos se perguntaram o porquê da presença das potências estrangeiras no Afeganistão. A História mostra que o motivo inicial era conter o avanço da Rússia czarista. Com o passar do tempo, por ser um ponto geográfico estratégico, para evitar o domínio do socialismo na região durante a Guerra Fria. Atualmente, isso envolve também outros interesses comerciais como a exploração do minério de cobre. Daí a pretensão da China realizar um projeto ambicioso de infraestrutura, uma espécie de “Nova Rota da Seda”. Ou seja: não é só para defender o povo.
Por ser um país sem grande importância no cenário internacional, a tragédia no Haiti recebeu pouca atenção. As Forças de Paz que atuaram em 2010, quando o país também foi atingido por um terremoto, não socorreram agora. As cenas de destruição mostradas chocam os telespectadores, mas a percepção de total abandono preocupa seriamente. Muitos sequer conseguiram sair de suas casas a tempo, ficando soterrados nos escombros e provavelmente morreram. O mundo virou as costas para isso? Quando receberão uma atenção e o socorro?
Novamente a História mostra como um regime autoritário pode condenar a população a uma vida sem qualquer esperança de dias melhores. O Haiti foi governado pela família Doc, o pai Papa e o filho Baby, durante muitos anos. Se o povo vivia na miséria – o país é considerado um dos mais pobres do mundo – os governantes viviam como nababos. O estranho e questionável é que nunca se viu os paladinos da Justiça mundial intervirem neste país, libertando as pessoas da situação de miséria inaceitável em pleno século XXI. Alguém teria as justificativas para isso?
Girando o foco das notícias para o cenário interno, o ministro da Casa Civil senador Ciro Nogueira esteve com o presidente do STF Luís Fux, nesta quarta-feira (18/08). O objetivo era remarcar a reunião entre os líderes dos Três Poderes, que foi cancelada depois das agressões do presidente Bolsonaro aos ministros Luís Roberto Barroso e Alexandre Moraes, por causa do voto impresso e da prisão do ex-deputado Roberto Jefferson. O senador foi escolhido para servir de amortecedor entre o Planalto e os outros poderes devido a postura do titular do Poder Executivo.
Quem conhece o comportamento do presidente Mito não acredita que ele vai mudar o seu estilo porque o Planalto selecionou pessoas capazes de levantar a bandeira da trégua nos confrontos com os outros Poderes. O que se ouve dos seus ministros é que nenhum deles faz “juízo de valor” sobre as declarações e as atitudes do chefe. Portanto, não adianta o seu subordinado tentar aparar as arestas, se quem manda não cumpre os acordos para manter a autonomia, a harmonia e o respeito que são fundamentais para o equilíbrio entre os Três Poderes.

J R Ichihara
19/08/2021

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