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Artigo
 
Os Espíritos da Natureza e o Irracional
Por: Valdir Pedrosa

OS ESPÍRITOS DA NATUREZA E O IRRACIONAL

Ao chegar o crepúsculo e após um merecido repouso, Aniceto convidou André Luiz e Vicente para um breve passeio nos arredores do campo, já que todos estavam revigorados e bem dispostos. No trajeto observaram grande grupo de trabalhadores espirituais nas imediações. Foi então que Aniceto, mentor sempre atento às necessidades de seus aprendizes, ensinou que “o campo é também vasta oficina para os serviços de nossa colaboração ativa. (...) O reino vegetal possui cooperadores numerosos. Vocês, possivelmente, ignoram que muitos irmãos se preparam para o mérito de nova encarnação no mundo, prestando serviço aos reinos inferiores. O trabalho com o Senhor é uma escola viva, em toda parte.”[1]

Em verdade podemos dizer que o Universo inteiro é um infinito campo de trabalho para todos os seres, nos mais variados graus de evolução, pois sempre tem serviço para aquele que está disposto a servir e a ser útil na obra da criação. “Deus não exerce ação direta sobre a matéria. Ele encontra agentes dedicados em todos os graus da escala dos mundos.”[2] Além disso, os guias da humanidade explicaram a Allan Kardec que há inteligências extracorpóreas que exercem influência sobre os elementos, provocando os chamados fenômenos da natureza. Certos eventos, inclusive, necessitam que seja reunida uma imensa quantidade de Espíritos para que ele aconteça. Alguns deles já estiveram encarnados no plano físico e outras ainda encarnarão. Os que coordenam tais ocorrências pertencem às ordens superiores. Já os que executam as determinações fazem parte das ordens inferiores. “(...) os Espíritos mais atrasados oferecem utilidade ao conjunto. Enquanto se ensaiam para a vida, antes que tenham plena consciência de seus atos e estejam no gozo pleno do livre-arbítrio, atuam em certos fenômenos, de que inconscientemente se constituem os agentes. Primeiramente, executam. Mais tarde, quando suas inteligências já houverem alcançado um certo desenvolvimento, ordenarão e dirigirão as coisas do mundo material. Depois, poderão dirigir as do mundo moral. É assim que tudo serve, que tudo se encadeia na Natureza, desde o átomo primitivo até o arcanjo, que também começou por ser átomo. Admirável lei de harmonia, que o vosso acanhado espírito ainda não pode apreender em seu conjunto!”[3]

Voltando à narrativa de André Luiz, nosso trio de amigos teve a atenção voltada para uma triste movimentação em estrada próxima, na qual um homem jazia no chão, envolto em poça de sangue. Ao seu lado estava pequena carroça puxada por um muar, impaciente e muito inquieto. O ferido era socorrido por muitos desencarnados e dois encarnados, que concluíram ser necessário levá-lo rapidamente à fazenda, pois temiam que o crânio estivesse fraturado. O chefe dos Espíritos ali presentes explicou que o carroceiro recebeu uma patada do burro e, buscando maiores esclarecimentos, chamou o guardião daquele caminho e perguntou-lhe: “Glicério, como permitiu semelhante acontecimento? Este trecho da estrada está sob sua responsabilidade direta.”[1] Aqui aprendemos que até mesmo nos locais mais ermos há proteção espiritual, contudo a resposta do servidor mostra que até para isso existe limite: “Fiz o possível por salvar este homem, que, aliás, é um pobre pai de família. Meus esforços foram improfícuos, pela imprudência dele. Há muito procuro cercá-lo de cuidados, sempre que passa por aqui; entretanto, o infeliz não tem o mínimo respeito pelos dons naturais de Deus. É de uma grosseria inominável para com os animais que o auxiliam a ganhar o pão. Não sabe senão gritar, encolerizar-se, surrar e ferir. Tem a mente fechada às sugestões do agradecimento. Não estima senão a praga e o chicote. Hoje, tanto perturbou o pobre muar que o ajuda, tanto o castigou, que pareceu mais animalizado... Quando se tornou quase irracional, pelo excesso de fúria e ingratidão, meu auxílio espiritual se tornou ineficiente. Atormentado pelas descargas de cólera do condutor, o burro humilde o atacou com a pata. Que fazer? Minha obrigação foi cumprida...”[1] O chefe concordou com os argumentos apresentados por Glicério. A justiça foi feita!

Aproveitando a ocasião para ministrar importante lição, o benfeitor Aniceto ensinou que é preciso auxiliar sempre que possível, cumprindo nossos deveres para com o bem, porém sem menosprezar as lições que a vida nos proporciona. O carroceiro imprudente foi punido por si mesmo, sofrendo a dolorosa consequência de sua raiva. Fez o mal, recebeu o mal. Simples assim, não obstante todo o amparo que recebeu da espiritualidade amiga. Os animais merecem ser tratados com carinho e respeito, seja qual for a situação, principalmente aqueles que nos fornecem a força do trabalho e o carinho da companhia. Desse modo, merecem de nós, no mínimo, os valores da educação. Todavia, o mentor espiritual nos salienta que “ninguém pode educar odiando, nem edificar algo de útil com a fúria e a brutalidade. (...) Como homem comum, nosso pobre amigo sofrerá muitos dias, chumbado ao leito; entre as aflições dos familiares, demorar-se-á um tanto a restabelecer o equilíbrio orgânico; mas, como Espírito eterno, recebeu agora uma lição útil e necessária.”[1]

André conclui o capítulo ponderando que ninguém desrespeita a Mãe Natureza sem receber o doloroso choque de retorno a todo tempo. Por fim, podemos dizer que, infelizmente, devido à nossa invigilância e brutalidade, não são raras as vezes que temos comportamento completamente irracional. E no caso do carroceiro ferido, fica a questão: quem demonstrou ser irracional, o homem ou o burro?

[1] Os Mensageiros – Pelo Espírito André Luiz, psicografado por Francisco Cândido Xavier – capítulo 41 (Entre árvores).
[2] O Livro dos Espíritos – Allan Kardec – 2ª parte (Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos) – capítulo 9 (Da intervenção dos Espíritos no mundo corporal) – questão 536.b.
[3] O Livro dos Espíritos – Allan Kardec – 2ª parte (Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos) – capítulo 9 (Da intervenção dos Espíritos no mundo corporal) – questão 540.
[4] Muar: mula (fêmea) ou burro (macho) – animal originado do cruzamento entre jumento e égua.

Valdir Pedrosa – Junho/2018

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