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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Empresários negacionistas ou patriotas?
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

A dificuldade de se ver tanta geração de riqueza

Os últimos empresários que foram depor na CPI da Pandemia, apesar da tentativa de tumultuar a sessão, permitiram que a população brasileira visse em qual direção eles atuaram no combate ao vírus mortal. Além da postagem homofóbica do empresário Otávio Fakhoury, o vice-presidente do Instituto Força Brasil, contra o senador Fabio Contarato, ele admitiu que contribuiu para campanha do então candidato Jair Bolsonaro, mas negou o financiamento de fake news. Como sempre pediu desculpas ao senador, alegando que se tratava de uma brincadeira.
Quanto ao Luciano Hang, o dono da rede de lojas Havan, mais conhecido como o Velho da Havan, um bolsonarista publicamente declarado, o festival de inverdades foi facilmente comprovado. Mas o tema mais sério foi a ocultação sobre o motivo da morte da sua mãe. Ele disse que ela só morreu porque não recebeu o tratamento precoce. Quem impediu isso? O país sabe que ele apoiava abertamente a decisão do Gabinete Paralelo, juntamente com outras pessoas próximas do presidente da República. Por ele, o isolamento não seria feito durante esta pandemia.
Causa espanto a forma como alguns senadores que apoiam este governo justificam o comportamento desses empresários. É sempre a lenga-lenga que eles geram empregos e desenvolvem o país. Isso é algum favor pessoal para a população? Se eles investem é porque o retorno será compensado. Só que as condições de trabalho, cada vez pior com as tais Reformas, aumentam ainda mais o lucro deles. Como esperar que o dono da caneta Compactor, que vai aprovar tudo isso, não receberá o apoio desta classe de patriotas? Escravidão legalizada existe!
Mas o que provoca indignação é lembrar que o superministro da Economia, o Posto Ipiranga do presidente Mito, disse que alguns empresários de “coração macio” se dispuseram a adquirir as vacinas para doá-las ao Ministério da Saúde. Na ocasião, os bonzinhos apresentados eram os senhores Carlos Wizard e Luciano Hang. Os depoimentos deles esclareceu de forma inquestionável a verdadeira pretensão por trás de tanta bondade. Um deles, o senhor Wizard, não respondeu uma pergunta sequer sobre a sua atuação no combate à pandemia. Quanta bondade!
Um fato que chama a atenção dos que querem apenas os esclarecimentos diante de tantas mortes – chegamos a quase 600 mil vítimas fatais – é a atuação dos componentes da CPI da Pandemia. Quando o depoente é alguém sem muita importância, principalmente distante do Palácio do Planalto, os defensores atuam calmamente, enquanto os opositores são implacáveis. Mas se o depoente é do time do Mito, a briga é feia, com os defensores superando os antigovernistas. Daí o que deveria ser de interesse púbico vira palanque de campanha eleitoral.
Se a sede de Justiça precisa se estender aos desvios de verba federal pelos governadores e prefeitos, gerando a morte de vários brasileiros por falta de assistência médica, que seja feita. O que não pode é usar esta CPI para fazer acusações fora do motivo que levou o país a instalar essa investigação. A pessoa consciente não aceita que se aproveitem da situação para tirar vantagem, independente da ideologia que defende. Mas até onde se sabe não há impedimento para as Assembleias Legislativas e as Câmaras de Vereadores atuarem neste sentido. Então...
Alguém espera que uma investigação sepulte de vez a tão combatida corrupção? O próprio presidente da República, que vivia afirmando que no seu governo não há corrupção, já admitiu que é impossível saber tudo o que se passa nos escalões de uma gestão. Disse que o importante é a providência depois que o caso é denunciado. Será que ele pode declarar isso com tanta propriedade? Por que alguns denunciados no envolvimento da aquisição de vacinas ainda estão exercendo cargos nesta administração? Falar dos outros é muito fácil, mas na berlinda...
Talvez o grande problema seja que a maioria não vê a realidade do mundo que vivemos, sonhando com uma situação em que os interesses pessoais vão ao encontro do bem-comum. Isso é ficção! Sempre haverá desigualdade. O que se deve combater é o aumento disso. Nenhum país com muitos pobres e pouco ricos consegue uma convivência pacífica, equilibrada, sem manifestações por parte dos que sentem na pele o que é viver na miséria e sem esperanças. Declarar que os empresários devem conduzir o nosso dia a dia é nomeá-los donos de tudo.

J R Ichihara
03/10/2021

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