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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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O impacto das notícias nas pessoas
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Quem canta seus males espanta?

Como as pessoas recebem as notícias veiculadas pelos meios de comunicação de grande alcance? Isso depende. Se são boas, com muita alegria, mas se são ruins, certamente a tristeza prevalece. Também pesa no impacto se há envolvimento de autoridades, celebridades, ídolos ou personalidades que influenciam grupos específicos de uma comunidade, estado ou país. Quando se tratar de figuras de reconhecimento mundial, então, a repercussão é motivo de comentários por alguns dias. Assim se faz o dia a dia no globo terrestre e a rapidez na divulgação é impressionante.
O país soube do trágico acidente de um avião, em Minas Gerais, que matou a cantora Marília Mendonça e todos os ocupantes que estavam no voo. As imagens da aeronave sobre as rochas próxima de uma cachoeira destoava da beleza natural do lugar. Soube-se de antemão que houve um choque com uma linha de transmissão de energia elétrica, mas a causa disso vai depender do relatório da investigação que ocorrerá no Rio de Janeiro. Este caso é mais um que deixa dúvidas sobre a segurança deste meio de transporte por causa da fiscalização branda.
Há um histórico de acidentes com aeronaves no Brasil onde as vítimas eram pessoas conhecidas do povo como do ministro do STF Teori Zavascki, o candidato à presidência da República Eduardo Campos e do deputado federal Ulisses Guimarães. Os casos foram muito comentados porque se tratava de pessoas públicas de destaque com trâmite nos Três Poderes. Como não poderia deixar de ser, as especulações alimentaram os noticiários com muita intensidade. Mas o caso recente da jovem cantora de 26 anos repercutiu de forma diferente.
À parte opiniões dos defensores da fatalidade e talvez da falha humana, a investigação deve deixar de lado a preferência pelo gosto musical, a ideologia política e tudo que envolver as crenças e os valores das vítimas. Inclusive não podemos esquecer que os desconhecidos que estavam juntos também merecem respeito. Além disso, a opinião pessoal de alguns precisa se livrar da simplória justificativa de que todos morrem um dia – algumas poderiam ser evitadas. Portanto, a irresponsabilidade e a negligência com a vida alheia não pode ficar impune facilmente.
Talvez a insistência de que nada vai mudar sobre as ocorrências que ceifam vidas e ficam por isso mesmo ajudem a manter esse comportamento nacional. Se todo concordam que ninguém pode ser responsabilizado... Como esperar que haverá mais rigor sobre certas atividades que põem em risco a vida dos usuários? A seriedade não deve se restringir quando envolve alguém famoso, rico ou poderoso. Por que uma jovem que ainda tinha a expectativa de um futuro brilhante pela frente teve a carreira encerrada desta forma? Isso não aconteceu por vontade própria!
Infelizmente surgirão opiniões criticando a importância que se dá a este acidente. Muitos dirão que morrem dezenas todo dia neste país, sem qualquer assistência ou ato de solidariedade por parte da maioria da população. Que só porque se trata de uma pessoa famosa, o caso ganha as manchetes nacionais, uma demagogia sem tamanho. Isso não deixa de ter as suas razões, mas o histórico da cantora, segundo a mídia, ela não nasceu em berço de ouro. A família tinha um bar. Era uma batalhadora em busca de uma vida melhor. Por que não valorizar quem faz isso?
Uma coisa é admirar o trabalho de um profissional; outra é gostar do que este faz. Como se diz no popular, gosto pessoal é muito complicado. Por isso, no momento atual, emitir opinião ou fazer crítica virou uma linha divisória entre as pessoas, inclusive as de bem. Certamente muitos não gostam do tipo de música que ela compôs para outros artistas, muito menos das que ela cantava. Mas desqualificar quem gosta, usando termos ofensivos, confunde e mistura opinião com crítica e liberdade de expressão. Ninguém é obrigado a gostar, concordar ou discordar.
Quem defende a economia como uma prioridade acima de tudo devia olhar a atuação dos músicos sertanejos como uma fonte de renda e trabalho para muitos. A montagem de um show ou a realização de uma turnê movimenta atividades como transporte, hospedagens, venda de bebidas e outras vinculadas aos eventos. O direito de gostar ou detestar não pode estar acima da livre escolha dos outros. Talvez esteja na hora de ver que as nossas preferências não precisam delimitar as escolhas dos demais. Ou será que é preciso desenhar? Marília deixou o palco vazio!

J R Ichihara
09/11/2021

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