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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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República fora do papel
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

O descompasso entre o discurso e a prática

Hoje o país está comemorando a Proclamação da República que aconteceu há 132 anos. O ato pôs fim ao regime monárquico que existia desde que a colonização se instalou na terra conquistada pelos portugueses. Alguns historiadores citam que isso foi um golpe dos militares para ocuparem o poder. Verdade ou mentira, o primeiro presidente empossado foi o marechal Deodoro da Fonseca, substituído depois por Floriano Peixoto. Mas civis influentes como Benjamin Constant, Rui Barbosa, Quintino Bocaiuva, Campos Sales, Aristides Lobo foram atuantes.
Alguns registros indicam que o desgaste da monarquia vinha aumentando desde a Guerra do Paraguai. Outros movimentos como a Inconfidência Mineira, a Revolução Pernambucana, a Confederação do Equador e a Revolução Farroupilha demonstravam a insatisfação com o regime que concentrava muito poder nas mãos do Imperador. Citam também que Dom Pedro II, o monarca da época, não tinha filhos homens e a filha que poderia assumir, a princesa Isabel, era casada com um estrangeiro, o conde D’Eu, um francês que poderia governar o país - isso preocupava!
Mas alguns detalhes relacionados à escravidão também pesaram na insatisfação popular. Os negros que lutaram na Guerra do Paraguai continuaram sendo escravos quando retornaram das batalhas, sendo negada a alforria para eles. Isso não melhorava a imagem do regime perante a população. O fato é que os pontos negativos e vistos como antipopulares somados ao enfraquecimento econômico e militar, levaram ao desfecho, no Rio de Janeiro, a capital do Império, que obrigou o Imperador deixar o trono e partir para um exilio na Europa. Instalou-se a República.
Se os motivos justificaram a mudança no regime de governo no Brasil, os dias atuais permitem questionamentos sobre o que se viveu nesses 132 anos. Grosso modo a vontade de pulverizar o poder no país mudou pouca coisa para a maioria da população. Basta observar como alguns privilégios foram mantidos e a forma como o poder é ocupado. Se na monarquia havia o pessoal da Corte, nos dias atuais permanecem classes que são intocáveis frente as obrigações e obediências aos demais mortais. Quem desconhece o inaceitável “Foro Privilegiado”?
Infelizmente o banalizado “espírito republicano” que muitos usam e abusam para justificar seus atos no exercício do cargo público caiu no descrédito. Quantos acreditam que os parlamentares só atuam no sentido de melhorar a vida dos mais necessitados? Ou que os juízes, prefeitos das cidades, governadores dos estados e presidentes da República priorizam isso? Se estender isso ao restante da Administração Pública... a credibilidade aumenta alguma coisa? Até as Forças Armadas, de um passado glorioso, mostra um descaso com o patriotismo. Então...
Talvez por isso alguns defendam a volta da monarquia, achando que as grandes realizações do Imperador Dom Pedro II, citadas nos registros históricos oficiais, só foram possíveis porque dependeu apenas da sua vontade pessoal. Mas será que todo ser humano investido de tanto poder agirá com o tal “espírito republicano”? Ou nem todos têm limites quanto a ambição pessoal? Mas o que o dia a dia tem mostrado no uso dos recursos públicos é que a generalização ampla, total e irrestrita têm lá suas precauções – o discurso é muito diferente das ações.
Fazer previsões otimistas sem mensurar o que realmente aconteceu para avaliar o resultado, é de uma serventia questionável. Pouco adianta afirmar que a monarquia é melhor que a república, citando os países que oferecem uma qualidade de vida melhor para o seu povo. Em qualquer dos casos, o diferencial na gestão são as pessoas que fazem o sistema funcionar. Corrupção e seriedade independem disso. O que se pode dizer, infelizmente, depois de 132 anos de mudança na forma de governar, é que o pobre continua sem futuro e o rico conta com inúmeras facilidades.

J R Ichihara
15/11/2021

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