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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Empatia acima de tudo
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

A prática do cada qual no seu quadrado?

Neste 20/11/2021 o país homenageou o Dia da Consciência Negra. A data vem ganhando destaque e repercussão porque ainda têm muitos que não aceitam o direito desta maioria ter acesso às oportunidades. O fato de a princesa Isabel abolir a escravidão, sem que nada fosse criado para amparar e garantir a vida deles a partir deste ato, não pode ser justificado como uma prova de que eram inservíveis para outras atividades. Como esperar que haveria prosperidade dessas pessoas que foram simplesmente largadas à própria sorte? Meritocracia não é isso!
Felizmente alguns esclarecidos formadores de opinião entre a população lutam para ampliar o acesso e a participação dos negros em cargos de destaque nos escalões das empresas públicas e privadas. O avanço ainda é tímido e visto como “coitadismo” pelos radicais extremistas, mas significa muito para quem nunca teve oportunidade de ascensão social na vida. A preconceituosa maioria da classe média ainda considera que o motivo de tanta discriminação é a falta de competência cerebral e preparo profissional, além da tendência para a vida marginal.
Será que os que não aceitam o regime de cotas no acesso às Universidades e vagas nos processos seletivos para os empregos, acham essas competições justas? Definir apenas o ponto de chegada, sem considerar de onde os competidores partem, torna-se uma forma desequilibrada para avaliar quem precisa de oportunidades. Não dá para ser justo aplicando um método que privilegia os que são oriundos de famílias com situação financeira confortável. Como se sentiriam os mesmos críticos se a situação fosse o contrário? Alguns nunca entenderão o que é empatia.
A rede de TV CNN convidou algumas pessoas para comentarem sobre este evento. Entre os participantes a posição foi muito positiva. Ouviu-se caso de uma pessoa era humilhada diariamente no trabalho, mas aceitava a situação porque precisava do salário para bancar os estudos e tentar uma vida digna. Um ex-líder de uma empresa importante lutou para mudar a mentalidade com relação aos negros, conseguindo aumentar a diversidade entre os funcionários. Mas as estatísticas mostram que o topo da gestão para negros (as) é muito baixo ainda.
Dizer que o nosso país não é racista só convence quem não quer enxergar a realidade. Em quantos postos de comando temos uma pessoa de cor? Como elas podem chegar ao topo sem condições de estudar ou adquirir conhecimento para melhorar de vida? A Abolição foi um caso pontual. Fomos o último país no mundo a acabar com a escravidão mercantil. Mas a herança de três séculos de exploração desta forma de trabalho nunca foi reparada. Será que oferecer uma oportunidade é estimular o coitadismo, a preguiça e a malandragem? O mundo não mudou?
Um dos convidados para falar sobre o assunto racismo fez uma colocação interessante. Ele citou que os negros não vieram da África espontaneamente para trabalhar no Brasil. Eles foram “laçados” e colocados nos porões dos navios. Os que morriam na viagem eram jogados aos tubarões. Quando aqui chegavam eram obrigados a trabalhar na lavoura, morando de forma desumana, sem receber salário. Muitos fugiam ou lutavam para obter a alforria. O pior é alguns acharem que isso não foi nada, muito menos que justifica uma reparação por parte do país.
Relativizar que a empatia com os excluídos dizendo que é muito mimimi para pouco problema, é a maneira mais irracional de encarar a questão. Por que nas batidas policiais os negros são tratados com agressão física, desrespeito e tudo que não deveria ultrapassar as 4 linhas da Lei? Quantos brancos são tratados de forma semelhante? Os gestos contra o racismo, antes do início das partidas de futebol, pouco impedem os jogadores negros serem chamados de “macacos” pelos torcedores, inclusive os civilizados e politicamente corretos do Primeiro Mundo.
Mas a sabedoria popular tem na simplicidade a sua melhor arma. Quem desconhece o ditado “não queria estar na pele dele”? Isso resume tudo que a complexidade racial não consegue resolver. Simples assim! Basta se imaginar, por um dia que seja, ou num situação específica, estando na pele de quem sofre discriminação por causa da sua cor. O racismo no Brasil – e talvez no mundo – é estrutural. A pessoa não nasce racista, mas vai se tornando ao longo da vida. Prova disso é que não se vê criança rejeitando a companhia de outras por esse motivo. Salve as crianças!

J R Ichihara
21/11/2021

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