A casa dos grandes pensadores

Bem-vindo ao site dos pensadores!!!

| Principal |  Autores | Construtor |Textos | Fale conosco CadastroBusca no site |Termos de uso | Ajuda |
 
 
 

 

JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
Publicações
Perfil
Comente este texto
 
Artigo
 
Noivinha do Aristides: por que isso dá cadeia?
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

O problema de escancarar segredos

Uma notícia que surpreendeu a população brasileira foi a prisão de uma mulher que falou “Noivinha do Aristides” quando o presidente da República Jair Bolsonaro passava pela Via Dutra, vindo da Academia Militar das Agulhas Negras, onde participou de uma cerimônia de formatura dos cadetes. A ordem de prisão foi determinada pelo próprio Jair Bolsonaro. Mas o motivo que o levou a tomar esta medida intrigou a maioria das pessoas. Afinal o que teria de tão ofensivo contra alguém que defende a liberdade de expressão? O que isso tem a ver com a sua hemorroida?
As redes sociais rapidamente se encheram de postagens sobre o assunto. Daí que o país ficou sabendo que o sargento Aristides foi o instrutor de judô do presidente quando este frequentou a Academia Militar como cadete. Também chegou ao conhecimento público que o coronel Jarbas Passarinho, que foi senador e ocupou cargos importantes na Ditadura Militar, revelou que o atual presidente da República ia chorar suas mágoas ao instrutor nas tardes quentes. Se isso é verdade ou fofoca, haveria motivo para se ofender por breves momentos de fraqueza do passado?
Quem acompanha as declarações do presidente Bolsonaro, especialmente quando se refere aos inimigos, se surpreende diante de tal atitude. Sabe-se que ele não respeita limites para agredir, ofender e desqualificar aqueles que considera desafetos. Já chamou o ex-presidente Lula de ladrão, por diversas vezes, nos seus discursos quando inaugurou obras. Nunca respeitou a opção sexual de ninguém, inclusive disse que preferia ter um filho ladrão do que ter um filho gay. Por que essa obsessão contra a homossexualidade? O que estaria por trás de tanta preocupação?
O fato é que o assunto deu o que falar. Como esta senhora conseguiu irritar o presidente Bolsonaro a ponto de ele exigir a sua prisão? Será que as informações que agora vieram à público já eram conhecidas pelos que sabem de particularidades do Mito? Ou o desconforto é somente porque lança dúvidas sobre a sua masculinidade? Portanto, falar tudo o que se sabe dos outros têm lá seus limites. Todos ouviram dele que a única fraquejada que deu na vida foi quando nasceu a sua filha – os demais foram todos homens. Como duvidar de um macho alfa como ele?
Infelizmente as ocorrências contra o nosso presidente da República pouco tem ajudado na aprovação da sua gestão, muito menos na recuperação da sua imagem como um líder seguro, focado nos resultados, que coloca os interesses do país acima de tudo. O recurso do cercadinho para agradar os fãs incondicionais se tornou ineficaz. A atuação durante a pandemia também foi muito negativa mundialmente, apesar dos esforços da turma que o apoiou na CPI no Senado Federal. Seguramente dar importância a um episódio irrelevante não é a salvação da lavoura.
Longe de achar que o comportamento da mulher que o chamou de “Noivinha do Aristides” foi respeitoso. Afinal, gostando ou não do modo dele governar, ele é o presidente da República do nosso país. O gesto em nada mudou as decisões que desagradam a população. Da mesma forma que pouco contribui para sairmos da crise econômica e institucional que nos colocaram. Não adianta exigir que o direito de ofender e xingar seja uma via de mão dupla. Isso pouco resolve quando o mau comportamento apenas estimula a disseminação do ódio e da irracionalidade.
Conviver com a exposição pública ao exercer a presidência da República exige muito jogo de cintura e equilíbrio emocional. Tudo que a pessoa fala é analisado e tem impacto muito além da sala de imprensa, do cercadinho, dos diversos locais de reuniões e dos estúdios de empresas de comunicação. Quem não entender e aceitar que o seu comportamento é avaliado sob todos os aspectos... jamais deveria ocupar um cargo que esteja subordinado a regras que limitam a sua vontade. Não poder dizer tudo que pensa, mas ser obrigado a ouvir o que não gosta, faz parte.
Haveria uma forma eficaz de evitar que o presidente Mito ouvisse o que a mulher disse para ele? Ou a única medida possível é mandar prendê-la? Será que ela se sentiria à vontade para falar o que lhe deu vontade, se a postura do presidente da República a intimidasse sem a necessidade de retaliação? Quantos têm a coragem de insinuar que uma autoridade, no caso a máxima de um país, é homossexual? O dia a dia mostra que nem toda autoridade assumidamente homossexual é desrespeitada por causa disso. Mas a tal liberdade de expressão mal exercida...

J R Ichihara
30/11/2021
Audemars Piguet Replica Watches

 Comente este texto
 Paralerepensar


Comentário (0)

Deixe um comentário

Seu nome (obrigatório) (mínimo 3, máximo 255 caracteres) (checked.gif Lembrar)
Seu email (obrigatório) ( não será publicado)
Seu comentário (obrigatório) (mínimo 3, máximo 5000 caracteres)
 
Insira abaixo as letras que aparecem ao lado: GPQM (obrigatório e sensível. Utilize letras maiúsculas e minúsculas;)
 
Não envie mensagem ofensiva e procure manter um intercâmbio saudável com o seu correspondente, que com certeza busca dar o melhor de si naquilo que faz.
Seu IP será enviado junto com a mensagem.