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Artigo
 
Reforme-se ou Seja Um Infeliz no Além
Por: Valdir Pedrosa

REFORME-SE OU SEJA UM INFELIZ NO ALÉM

O relógio apontava pouco mais de dezoito horas quando os espíritos infelizes que participariam da reunião começaram a chegar à residência de dona Isabel. Eram irmãos em situação de grande perturbação e sofrimento que, se pudessem ser observados pelos encarnados, seriam vistos como a personificação da necessidade de mudarmos urgentemente nossas atitudes perante a vida. Ocorre que muitos confrades frequentam reuniões e realizam tarefas diversas, porém permanecem enraizados no egoísmo, sem atender aos imperativos de evolução. Renunciam ao esforço de se educarem com base no Evangelho e alimentam apenas vagas noções de espiritualidade. Passarão a encarnação inteira dentro de uma instituição espiritista, desencarnarão e chegarão ao plano extrafísico sem serem, de fato, espíritas. Quem não busca, com sinceridade, se reformar intimamente à luz da Boa Nova do Cristo, corre o risco de chegar do outro lado da vida como esses irmãos: assemelhando-se a cadáveres, com rostos esqueléticos e movimentando-se com extrema dificuldade em verdadeiras cenas de horror.

Com sua costumeira gentileza, Aniceto esclareceu que o lar de Isabel e Isidoro não estava preparado para receber entidades perversas. Não obstante, se encontrava apto a auxiliar os sofredores desencarnados, amargurados e abatidos, que desejassem realmente a renovação, porém que não sabiam até aquele momento por onde iniciar. André Luiz percebeu, consternado, que havia alguns que chegavam com ataduras e faixas, enquanto outros mantinham as mãos no ventre pressionando feridas.

Ao verificar o assombro de seus discípulos, o estimado mentor explicou a André e Vicente as causas de um cenário tão terrível: “Muitos não concordam ainda com as realidades da morte corporal. E toda essa gente, de modo geral, está prisioneira da ideia de enfermidade. Existem pessoas, e vocês, como médicos, as terão conhecido largamente, que cultivam as moléstias com verdadeira volúpia. Apaixonam-se pelos diagnósticos exatos, acompanham no corpo, com indefinível ardor, a manifestação dos indícios mórbidos, estudam a teoria da doença de que são portadoras, como jamais analisam um dever justo no quadro das obrigações diárias, e quando não dispõem das informações nos livros, estimam a longa atenção dos médicos, os minuciosos cuidados da enfermagem e as compridas dissertações sobre a enfermidade de que se consituem voluntárias prisioneiras. Sobrevindo a desencarnação, é muito difícil o acordo entre elas e a verdade, porquanto prosseguem mantendo a ideia dominante. Às vezes, no fundo, são boas almas, dedicadas aos parentes do sangue e aproveitáveis na esfera restrita de entendimento a que se recolhem, mas, no entanto, carregadas de viciação mental por muitos séculos consecutivos. (...) Demoramo-nos todos a escapar da velha concha do individualismo. A visão da universalidade custa preço alto e nem sempre estamos dispostos a pagá-lo. Não queremos renunciar ao gosto antigo, fugimos aos sacrifícios louváveis. Nessas circunstâncias, o mundo que prevalece para a alma desencarnada, por longo tempo, é o reino pessoal de nossas criações inferiores. Ora, desse modo, quem cultivou a enfermidade com adoração, submeteu-se-lhe ao império. É lógico que devemos, quando encarnados, prestar toda a assistência ao corpo físico, que funciona, para nós, como vaso sagrado, mas remediar a saúde e viciar a mente são duas atitudes essencialmente antagônicas entre si.”[1]

Em outras palavras: cultuamos as enfermidades e menosprezamos a saúde, tanto a física quanto a mental. Se nos esforçamos tanto para entender as doenças, por que não nos empenhamos também em nos reformarmos intimamente? Do mesmo modo que se matricula em uma academia para cuidar do corpo físico, é imprescindível se inscrever na escola do Evangelho. Inúmeros são os indivíduos que simplesmente passam pela Terra. Passam por passar. Não deixam nenhum legado de fundo moral. Não se interessam pelo estudo das leis da vida. Para elas, Jesus não passa de um artigo religioso e seus ensinamentos contém tão somente um código de conduta a ser seguido por seus adeptos mais sinceros e fiéis. Lamentavelmente, há um contingente bastante considerável de pessoas nestas condições.

Contudo, como todas as nossas decisões geram consequências, de acordo com a lei de causa e efeito, são esses irmãos que, após desencarnarem e muito padecerem no plano espiritual, aportam nas reuniões mediúnicas, infelizes, perturbados e desorientados, em busca da luz do conhecimento, do consolo e do esclarecimento que tanto desprezaram enquanto estavam encarnados.

O aviso de Aniceto foi dado... Quem tem ouvidos de ouvir, ouça!

[1] Os Mensageiros – Pelo Espírito André Luiz, psicografado por Francisco Cândido Xavier – capítulo 43 (Antes da reunião).

Valdir Pedrosa – Outubro/2018

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