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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Figuras públicas e o julgamento popular
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Os imaculados que se manifestem

Por uns momentos o telespectador brasileiro ouviu notícias que não abordam a pandemia da Covid-19, apesar de ter consciência da pendenga entre o Ministério da Saúde e a Anvisa sobre a vacinação de crianças entre os 7 e 16 anos de idade. Também não faltaram divergências por causa da decisão do governador de São Paulo João Dória em iniciar a aplicação do imunizante neste público-alvo. Ele deveria, segundo os opositores, aguardar a divulgação no Diário Oficial sobre a autorização da Anvisa. Mas será que a situação da crise permite esperar por isso?
Sabe-se que a mídia tradicional depende de notícias para sobreviver atraindo os patrocinadores para cobrir os seus custos e deixar algum lucro financeiro. Mesmo com todo o avanço tecnológico que facilita a velocidade na divulgação das notícias, a credibilidade ainda é fundamental nesta atividade. Daí a necessidade de recrutar os melhores profissionais do ramo para ganhar a audiência e a fidelidade das pessoas que assistem aos noticiários. Portanto, apenas divulgar não satisfaz a exigência de muitos telespectadores – por isso vemos tantos analistas.
Quem acompanha a forma que as empresas de comunicação no Brasil estão atuando percebe muitas mudanças ao lidar com o conteúdo das notícias, dissecando a matéria-prima que será apresentada à população. Talvez isso amenize o preconceito sobre o viés ideológico que muitos internalizam quando as análises dos especialistas sobre o assunto não lhes agradam. Daí a emissora virar lixo é questão de tempo. Simples assim! Não basta mais apenas mudar de canal através do controle remoto porque as redes sociais também servem para viralizar a insatisfação.
Mas alguns acontecimentos que chegam ao conhecimento público independem do meio de comunicação para gerar os impactos esperados. Assim foram as notícias sobre a morte da cantora Elza Soares, aos 91 anos, no Rio de Janeiro, e a condenação do jogador de futebol Robinho, pela Justiça italiana, por participar de um estupro em uma jovem naquele país. Como as pessoas assimilaram essas notícias? O que isso gerou de opiniões sobre os mencionados? Quais reações se observou nos que tomaram conhecimento desses fatos? Eram figuras internacionais.
O pós-divulgação às vezes rende mais exploração sobre o fato e mantém a audiência nas alturas. Quem desconhecia a trajetória da cantora passou a fazer isso pelos depoimentos dos que conviveram com ela, suas dificuldades por causa do racismo e do preconceito contra os que viviam nas favelas, seus dramas pessoais e as críticas que recebeu quando o craque Mané Garrincha deixou a família para viver com ela. Também a resiliência que demonstrou ao longo da carreira diante das mudanças que acontecem. Pode-se dizer que deixou sua marca neste mundo.
Sobre o jogador Robinho, que ficou famoso pelas “pedaladas” ainda muito jovem, este arranhão na sua imagem é uma “escorregada” infeliz que deve ser assumida no entendimento de qualquer pessoa que exige o cumprimento da Lei. Isso não apaga e desfaz tudo o que ele fez dentro das 4 linhas, mas nas barras da Justiça ele deve ser tratado como qualquer cidadão que praticou algo inaceitável. Aos que associam isso ao fato dele apoiar o presidente Bolsonaro, pede-se que analise sobre o aspecto puramente jurídico. Os opositores dele não erram também?
Uma curiosidade sobre as ocorrências é a imediata formação de opiniões pessoais que pouco contribuem e confortam os familiares dos envolvidos. De mesma forma que a cantora não deve ser colocada como a expressão máxima desta atividade artística, o jogador não precisa ser retratado como o pior ser humano do planeta. Afinal quantos bons artistas nos deixaram neste século? Ou alguém desconhece casos de estupros que ficaram impunes no Planeta? Aproveitar um momento deste para destilar ódio e eternizar idolatria expõe a parcialidade que condenamos.
Todos morrem um dia, disse o presidente Bolsonaro diante de tantas vítimas fatais da pandemia da Covid-19. Respondeu que não era coveiro, quando questionado sobre as providências. No mesmo dia da morte da cantora, soube-se que a mãe dele faleceu. Certamente milhões de brasileiros disseram: E daí? Será que isso saiu espontaneamente ou revela uma raiva contida que precisava ser demonstrada pela sua falta de empatia? A sua mãe nada fez para os descontentes, mas é a forma de mostrar como o desrespeito ao sofrimento alheio pode reagir.

J R Ichihara
22/02/2022

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