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Demétrio Pereira Sena
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PRECONCEITO ESTRUTURAL
Por: Demétrio Pereira Sena

Demétrio Sena - Magé

Faz pouco tempo que no meio de uma conversa a três, um colega meu de trabalho disse a um amigo nosso em comum, que já fui seu chefe. Meu colega é um homem ainda jovem, bem sucedido, branco e muito... muito expansivo e gentil. Sou um homem de sessenta anos de idade, pardo, expressão comum, meu meio de transporte é uma velha bicicleta na qual chego sempre muito suado ao trabalho e quase sempre sou muito... muito carrancudo.
A informação repentina fez o nosso amigo se remexer na sua cadeira e perguntar: "Isso é verdade ou vocês estão de sacanagem comigo"? É bom salientar que a pessoa em questão não tem hábitos preconceituosos externos. Além de gentil, trata a todos com justiça, é um homem negro (informação importante para o contexto desta postagem), formado em história e sociologia e perfeitamente antenado com questões relacionadas a preconceitos.
Mas é aí que entra o preconceito estrutural. É aquele que a pessoa não cultiva espontaneamente... quase sempre não pretende fazer vítimas (e muitas vezes faz, como no caso das batidas policiais em comunidades pobres)... não leva a tratar desigualdades de forma desigual, a depender da pessoa. Mas está nas raízes da criação. Nas estruturas internas do indivíduo. No que foi absorvido anos e anos em meio à cultura perniciosa da família, da região e/ou do próprio país, e não é fácil se desnudar completamente desses alicerces... isso requer muita auto crítica, observação pessoal e um empurrãozinho da lei.
Para o preconceito estrutural, é normal que o meu colega branco e bem sucedido seja ou tenha sido meu chefe; não eu o seu. Nosso amigo em comum não pensa desta forma, com as ideias organizadas... só não estava preparado para essa informação num repente; num susto. Era necessária uma introdução para que ele organizasse a sua notável postura de cidadão bem informado e consciente que é.
Mesmo bem informados, bem formados, conscientes e até cercados ou vítimas das mesmas realidades, precisamos nos conhecer melhor internamente. Remexer um pouco nas estruturas e retirar a poeira de anos e anos, dos preconceitos que a sociedade sempre cultivou como algo normal. O preconceito estrutural pode nos pegar de surpresa, quando menos percebemos... e não estou "de sacanagem".

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