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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Ironia e deboche sobre as torturas da Ditadura Militar
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Muitos ainda se consideram intocáveis

No dia 21 de abril o país homenageia o mártir da Independência do Brasil. Por isso esta data é conhecida como o feriado do Tiradentes. A História, apesar das versões contra e a favor da importância dele no movimento que ficou registrado como a Inconfidência Mineira, o coloca como uma figura indispensável quando se fala na insatisfação do povo brasileiro quanto à exploração das riquezas minerais pela Coroa Portuguesa. Nem o enforcamento dele que usaram para dar o exemplo surtiu o efeito desejado. Pelo contrário, a onda ganhou intensidade e espaço.
Séculos depois deste movimento, a forma de governar o país sempre foi na base do sacrifício do povo. Mas uma classe privilegiada nunca aceitou que houvesse uma mudança radical para acabar com isso. Vira e mexe havia uma revolta. Como sempre, as Forças Armadas estava envolvida e tirava a pessoa que comandava o país. Daí que a exploração continuava, apesar de ser realizada internamente, pelos que exerciam o poder. A mão de obra barata e escrava tinha que ser substituída para manter as mordomias dos senhores que sempre mandaram no país.
Mas em pleno século XXI a arrogância e a indiferença de alguns militares sobre os horrores praticados durante a Ditadura Militar, de 1964 a 1985, provoca indignação e revolta nas pessoas que não aceitam a tortura como instrumento de confissão. Depois que veio a público que conversas gravadas durante julgamentos no STM, o Superior Tribunal Militar, alguns ministros reconheceram que houve casos de tortura contra presos políticos durante o Regime Militar. Portanto, não adianta tentar reescrever a História porque as provas existem e são convincentes.
A mídia mostrou, no entanto, que o vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, disse sobre a necessidade de uma investigação do áudio envolvendo as torturas, numa entrevista. “Apurar o quê? Os caras já morreram tudo, pô. [risos]”, afirmou na segunda-feira 18. “Vai trazer os caras do túmulo de volta?” aproveitou para tecer altos elogios ao glorioso Exército Brasileiro, afirmando que o golpe militar de 1964 foi uma “Revolução Democrática”. Pela visão dele, as barbaridades devem ser esquecidas porque não interessa saber como alguns morreram.
O presidente do STM, ministro Luís Carlos Gomes Mattos, quando perguntado sobre os áudios que indicam que havia a prática de torturas nos presos políticos, respondeu que “apenas ignoramos”. Mas ele foi ainda mais irônico dizendo que o conteúdo divulgado no último domingo “não estragou a Páscoa de ninguém. A minha não estragou”. Isso é uma pequena amostra de como as pessoas eram tratadas pelo Regime somente porque discordavam e questionavam a forma de governar dos militares. E muitos ainda querem isso de novo! Acham uma maravilha.
Infelizmente a conquista de uma vida digna, baseada no respeito mútuo entre o povo e o governo, não vem de graça. Exige confronto de ideias, questionamentos e tudo que envolve interesses entre as pessoas que vivem no país. Não tem como esperar que tudo caia do Céu ou se resolva com um simples estalar de dedos. A convivência é delicada porque envolve crenças, princípios e valores diferentes na sociedade que vivemos. Mas se o nosso guia é a Constituição Federal e o STF é o guardião dela... Por que esse clima tumultuado onde ninguém se entende?
Será que no Regime Militar que vivemos havia a necessidade de alguém ser enforcado como o Tiradentes para servir de exemplo? A História registrou que o jornalista Wladimir Herzog apareceu morto desta forma. Por que uma Revolução Democrática, como disse o nosso vice-presidente da República, precisou usar a tortura como método para interrogar os considerados como presos políticos? Os áudios ignorados e ironizados pelo presidente do STM e pelo vice-presidente da República revelam que isso nunca foi Democracia. Não é negar o inegável?
Lamentável ouvir declarações insensíveis às desgraças alheias por parte de autoridades que tem a responsabilidade de zelar pela segurança do cidadão. Pior ainda é constatar que isso tem o apoio incondicional de milhares de pessoas. A que ponto chegamos? Rir da dor e do sofrimento de alguém é uma falta de empatia inaceitável, mesmo que seja o ato de uma autoridade. Tem horas que quem procura uma explicação jamais espera um deboche como resposta, muito menos um irônico “E daí?”. Por que alguns valorizam este comportamento?

J R Ichihara
21/04/2022

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