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JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
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Como o excesso de confiança pode queimar uma cara
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Teste São Tomé é para os fracos?

A notícia sobre a prisão do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro agitou a manhã da última quarta-feira (22/6/22), por causa da investigação sobre um esquema de propina na Pasta que ele comandava. Os envolvidos são pastores e prefeitos dos interiores de São Paulo. Se isso respingar no presidente Bolsonaro, o momento é péssimo para ele. Certamente a afirmação de que no seu governo não existe corrupção perde a consistência. O irônico é que ele disse publicamente que “colocava a cara no fogo” pelo então ministro, quando o assunto veio à tona.
Mas na entrevista que deu para a mídia, depois da notícia da prisão, o discurso mudou totalmente. O presidente da República declarou que “se a PF prendeu, tem motivo”, o que soa estranho diante da certeza anterior onde “colocaria a cara no fogo” pelo ex-ministro preso. Logicamente que a maioria da população tem dúvidas de que o ex-colaborador ficará preso, muito menos sofrerá uma difamação pública intensa por parte dos sedentos por Justiça, mesmo dos que defendem que “bandido bom é bandido preso”. Talvez a seletividade não tenha morrido no país.
O fato é que o ex-ministro já recebeu um Alvará de Soltura e já foi liberado para se dirigir para a sua casa. A ordem veio de um desembargador, o Ney Bello, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Portanto, foram soltos, além do ex-ministro, os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura, assim como Helder Diego da Silva Bartolomeu e Luciano de Freitas Musse, que eram alvos da Operação “Acesso Pago”. Mas o que não fica claro para o cidadão comum, o que apenas contribui para manter a máquina administrativa em funcionamento, é o porquê dos pastores como intermediários no MEC.
A CNN explorou o assunto, mostrando que houve uma manifestação do delegado que realizou a prisão, por ordem de um juiz. Também exibiu trechos do relatório que foi decisivo para a prisão do ex-ministro e dos demais envolvidos. Depois desta mudança de rumo na condução da ordem judicial, chegou ao conhecimento público que o juiz que ordenou a prisão e o delegado que cumpriu a ordem vêm sofrendo ameaças de morte. Por isso, acredita-se, surgirão novas investigações sobre as denúncias que atingem os envolvidos na prisão. Alguma surpresa nisso?
Como o país queria saber do presidente Bolsonaro a sua opinião sobre o assunto que mancha a sua imaculada gestão quanto a corrupção, a declaração veio de forma mais ponderada diante dos fatos. Disse ele, nesta quinta-feira (23/6/22), que “exagerou” ao declarar que “colocava a mão no fogo pelo ministro Milton Ribeiro”. Ou seja, o seu subordinado, apesar de ser “terrivelmente evangélico”, não é blindado pelas tentações humanas. Mas a população não deveria se surpreender com as tentativas de reparar equívocos ou com a saia justa presidencial. Então...
Um dos problemas como consequência da declaração de um chefe dizer “quem manda sou eu” é quando estoura um escândalo, principalmente no serviço público. Daí os que são pegos nesta armadilha sentem na pele os efeitos da ingenuidade, da infantilidade, ou qualquer nome adequado que se queira dar a essa bravata. Responsabilidade é intransferível. Simples assim! Colocar a mão no fogo – alguns arriscam até a cara – pelos outros é muito arriscado. Como garantir que a sua conduta inquestionável é obrigatoriamente transferida para os seus subordinados?
Quem teria dúvidas de que o presidente da República do Brasil é a autoridade máxima no país? Certamente ninguém! Mas será que todos sabem que o chefe do Executivo pode muito, mas não pode tudo? Por isso – e como um freio no abuso do poder – temos uma Constituição Federal que serve como uma Bíblia que permite ou limita as ações do mandatário de todos. O ocupante do cargo deve ser o primeiro a respeitar, obedecer e valorizar isso. Este, sim, é o comportamento de quem atua dentro das 4 linhas, sem a necessidade de agredir, ofender e desrespeitar alguém.
Felizmente o direito pessoal de externar opiniões, desde que mantidos o respeito e a civilidade, é um dos pilares da Democracia. Achar que as Forças Armadas devem atuar como fiscal do processo eleitoral, por causa das dúvidas quanto a fraudes, é um direito até do presidente da República, mas acatar esta opinião particular está muito longe da obrigatoriedade do TSE, o órgão responsável pela condução deste processo. Se a simples acusação ou suspeita não se baseia em argumentos inquestionáveis... qual é a conclusão benéfica que o povo ganha com isso?

J R Ichihara
24/06/2022

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