A casa dos grandes pensadores

Bem-vindo ao site dos pensadores!!!

| Principal |  Autores | Construtor |Textos | Fale conosco CadastroBusca no site |Termos de uso | Ajuda |
 
 
 

 

JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA
Publicações
Perfil
Comente este texto
 
Artigo
 
Interesses das potências mundiais em jogo
Por: JOSE ROBERTO TAKEO ICHIHARA

Quando as declarações exigem muita diplomacia

Por alguns momentos, os holofotes da nossa mídia tradicional deixaram o ambiente pré-campanha eleitoral no Brasil e voltaram os olhos para o exterior. Afinal o mundo hoje é globalizado e tudo que acontece lá fora, mas tem uma repercussão internacional que pode impactar os interesses comerciais, recebe um tratamento à altura por causa das consequências. Portanto, a recente visita da presidente da Câmara dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, a Taiwan foi vista pela China como uma ameaça à sua soberania. O Tio Sam vê como uma valorização da Democracia.
Qualquer cidadão que acompanha a História do pós-Segunda Guerra Mundial sabe que o mundo praticamente se dividiu entre os que optaram pelo capitalismo dos Estados Unidos e o socialismo da União Soviética, porque eram as maiores potências militares do planeta. Daí que por mais de 40 anos os países praticamente viveram sob as regras ditadas pelos interesses desses líderes. Com a queda do Muro de Berlim, o que determinou o fim da URSS, o globo terrestre passou a reconhecer os Estados Unidos como a única potência econômica e militar. E o restante?
Mas a vaga aberta pelo fim da URSS não ficou desocupada por muito tempo, pelo menos sob o aspecto econômico. Por isso, o mundo hoje reconhece que a China é o maior adversário dos Estados Unidos como fornecedor de produtos manufaturados. Isso ficou evidente porque o país vem mostrando um crescimento e um desenvolvimento tecnológico décadas após décadas, vendendo para vários países do globo terrestre. Daí a guerra entre esses países ser puramente comercial. Nada de corrida espacial ou imposição de viés ideológico aos clientes e fornecedores.
Sair do protagonismo no cenário mundial, porém, não significa que o apoio e a opinião perderam o valor. A Rússia que liderava a URSS e herdou todo o arsenal bélico da antiga potência socialista, continua sendo um adversário dos Estados Unidos. Por ser um grande produtor e fornecedor de gás e petróleo, itens estratégicos e fundamentais na economia global, é um aliado de peso. Como o mundo viu a crítica que a visita de Pelosi a Taiwan “foi uma provocação”? Sabe-se que a China não apoiou a invasão na Ucrânia, mas isso não pode ser vista como uma ruptura.
Os alertas a China sobre esta visita ganharam forma com as manobras militares na região. Diz-se que são treinamentos frequentes, mas a proximidade física das realizações soaram como um recado do governo chinês. O governo de Taiwan acusou a China de fazer incursões em sua Zona de Identificação de Defesa Aérea, o espaço aéreo desta ilha. Soube-se pela mídia que a China suspendeu a importação de cítricos e produtos de pesca. Também cortou a exportação de areia para a fabricação de semicondutores em Taiwan. Essa novela promete muitos capítulos.
Como o Brasil vê esse imbróglio que envolve o seu maior parceiro comercial? O pano de fundo, logicamente, é a guerra comercial entre as potências econômicas da atualidade. Certamente, enquanto não for cobrada uma posição do nosso país, o muro será o lugar mais confortável para a diplomacia brasileira ocupar. Mas se a situação chegar ao ponto de exigir um pronunciamento oficial... quem será o mais indicado para fazer isso? O nosso presidente da República? Espera-se que não. Os interesses em jogo estão muito acima da sua opinião pessoal.
O retrospecto nas declarações do nosso presidente em assuntos que envolvem a China é desastroso. Na Pandemia da Covid-19, o que ele falou sobre os efeitos da vacina chinesa, deixou uma péssima impressão. Isso porque se trata do maior parceiro comercial do país que ele governa. Além disso, um dos seus filhos acusou a China de elaborar o tal vírus e espalhar no mundo para obter ganhos financeiros, além insinuar que o sistema 5G proposto ao Brasil vinha com um chip que tinha o objetivo de espionar as pessoas. Dificilmente alguém gosta de uma parceria assim.
Por que a irritação da China com esta visita da presidente da Câmara dos Estados Unidos a Taiwan? O que se sabe no Ocidente é que esta ilha é um grande fornecedor de semicondutores. Mas o motivo principal, segundo artigos publicados nos meios de comunicação brasileiros, é o reconhecimento internacional da autonomia da ilha, que a China vê como uma interferência na soberania nacional e na integridade territorial. À parte o que isso significa na prática, a China, além das manobras e incursões militares, usando o poder econômico, impôs sanções comerciais à Ilha.

J R Ichihara
03/08/2022

 Comente este texto
 Paralerepensar


Comentário (0)

Deixe um comentário

Seu nome (obrigatório) (mínimo 3, máximo 255 caracteres) (checked.gif Lembrar)
Seu email (obrigatório) ( não será publicado)
Seu comentário (obrigatório) (mínimo 3, máximo 5000 caracteres)
 
Insira abaixo as letras que aparecem ao lado: bXIB (obrigatório e sensível. Utilize letras maiúsculas e minúsculas;)
 
Não envie mensagem ofensiva e procure manter um intercâmbio saudável com o seu correspondente, que com certeza busca dar o melhor de si naquilo que faz.
Seu IP será enviado junto com a mensagem.